Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Já cá ando há 40 anos.

Tenhos dois filhos.

Apaixonei-me algumas vezes. E desapaixonei-me outras tantas.

Casei-me e divorciei-me.

Tenho asma crónica.

Sou jornalista. E gosto muito (apesar de haver dias que).

Tenho saudades dos meus avós.

Gosto de comer e nunca vou ser magra.

Há dias em que sinto que não vou ser capaz, há outros dias em que me sinto a super-mulher, mas nisto, como em tudo o resto, aliás, acho que sou muito parecida com todas as outras pessoas.

Tenho medo de morrer.

Choro muito, com os filmes e com a vida.

Mas, de uma maneira geral, sou feliz.

Fazer um balanço?

Já cá ando há 40 anos. Não me arrependo assim de grandes coisas. Quero dizer. Há coisas que acho que podia ter feito melhor. Ou situações em que podia ter arriscado mais. Tenho pena de não ter dado mais atenção a algumas pessoas e depois já ser tarde de mais. Há coisas que fiz que foram, afinal, desnecessárias. Ou que podia ter evitado. Mas acho que nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente. E não há assim nada de grave de que me arrependa mesmo. Olho para trás e tenho a consciência tranquila. Tudo o que fiz e disse estava de acordo com o que sentia em cada momento, com o que me pareceu importante naquela dada altura. Se o fiz, se o disse, estava a ser honesta. Comigo e com os outros. E isso é algo de que me orgulho mesmo. De não ser falsa. De não mentir. De não fazer jogos. De não ter esqueletos no armário. De acreditar que mais vale mostrar-me como sou, com todos as minhas falhas, do que estar a construir uma personagem que, mais cedo ou mais tarde, será desmascarada. Nunca tive grande paciência para me preocupar com o que os outros pensam de mim, e já várias vezes fui prejudicada por isso. Ah, porque rio muito e muito alto. Ah, porque digo o que acho. Ah, porque protesto quando acho que as coisas estão mal. Ah, porque sou muito emotiva. Ah, porque sou uma gaja complicada e que muda de ideias e que às vezes não sabem bem o que quer. Ah, porque falo muito. Ah, porque devia ser mais discreta. Pois. Sou assim mesmo. E às vezes faço umas figuras tristes, pois faço, porque me exponho demasiado. Porque odeio situações indefinidas e preciso sempre esclarecer tudo na minha cabeça, custe o que custar. Mas continuo a achar que é melhor assim. Mesmo que os outros me mintam - e mentem-me, frequentemente. Mesmo quando descubro essas mentiras e isso me entristece, sobretudo quando vêm de pessoas de que gosto (gostava) muito. Mesmo quando me desiludo - e desiludo-me muitas vezes - ao descobrir que a honestidade não só não é compreendida como não tem reciprocidade. Mesmo assim. Depois há as outras vezes e há outras pessoas que me provam que vale a pena. Que quando somos exactamente aquilo que somos, as pessoas que ficam connosco são exactamente aquelas de que precisamos, as que gostam de nós sem condições e sem falsidades. As nossas pessoas.

Já cá ando há 40 anos e tenho dois filhos que são o meu maior tesouro (mesmo quando são umas pestes). Que despertam o melhor e o pior de mim. Que me fazem ter medos inconfessáveis. E me dão forças que nem eu sabia que tinha. E tenho a minha família fantástica (pai, mãe, irmã, cunhado) que são o meu porto de abrigo. No meu Alentejo, claro. E tenho os meus amigos, os meus amigos do peito, uns que já estão comigo há mais de 20 anos, outros mais recentes, que não vou enumerar mas vocês sabem que são, não sabem? Se há coisa que aprendi nestes últimos anos foi a importância de dizer às pessoas de quem gostamos o quanto gostamos delas, mostrar-lhes o quanto são importante para nós. E tenho-me esforçado para o fazer. Umas vezes aqui, muitas vezes por aí. Dando aqueles abraços. Dando a mão. Dando o ombro. Dando uma palavra. Outras vezes pedindo (tenho pedido muito aos meus amigos).

Daqui a pouco vou estar com algumas dessas pessoas. Quase todas, para dizer a verdade. Já cá ando há 40 anos e não me lembro quando foi a última vez que fiz uma festa de aniversário. Mas às vezes temos que sair da nossa zona de conforto. Entre as mensagens que tenho recebido hoje, muitas avisam-me de que o melhor ainda está para vir, que agora é que vai ser mesmo a valer. Portanto, se até aqui já foi assim bom e se agora ainda vai ser melhor... só posso estar optimista, não é?

publicado às 12:03

Dos Beatles. Havia dúvidas?

publicado às 01:00

(aquele momento em que me arrependo de ter marcado uma festa e só me apetecia ficar sozinha, embrulhada numa manta a ver um filme romântico qualquer. isto já passa, isto já passa, acho)

publicado às 20:08


Marisa Monte e os Novos Baianos

publicado às 01:00

29
Out14

Limpezas

De vez em quando dá-me um daqueles vaipes de limpeza. Dantes, rasgava papéis, esvaziava caixas de recordações, deitava fora cartas recebidas, outras escritas e nunca enviadas, fotografias, textos em folhas soltas. Agora, apago mensagens, enviadas e recebidas, no mail e no telefone, textos nos rascunhos no blogue, imagens e textos guardados numa pasta insuspeita, conversas inteiras no facebook, posso até "desamigar" pessoas. O que é importante, o que é realmente importante, fica sempre guardado numa esquina qualquer da memória, num canto escondido do coração. O resto se verá.

Tags:

publicado às 22:47

hapiness maria imaginario.jpg

Iustração de Maria Imaginário para o Felicidário.

 

publicado às 19:32

 Leonard Cohen

publicado às 01:00

MATEUS_287_final.jpgEstava a trabalhar no domingo, e além disso estava podre pois tinha tido uma festa de arromba na noite anterior, mas não podia faltar ao Baby Shower do Baby M., não é? Dei uma escapadinha até lá. Cheguei atrasada e nem uma hora lá estive, não bebi a limonada nem provei os doces, mas dei um monte de beijinhos à Sónia. Minha querida e corajosa amiga, mereces isto e muito mais.

(na foto, com olheiras mas sempre a sorrir, com a Inês e a Sónia)

 

Tags:

publicado às 20:11

28
Out14

Está quase

Eu não disse que a música iria ficar melhor à medida que nos aproximamos do fim de outubro? Então, nestes últimos dias ouvimos:

15 - 'Dance Tonight', Paul McCartney

14 - 'Dancing in the dark', Bruce Springsteen

13 - 'Dancing queen', Abba

12 - 'Baila comigo', Rita Lee

11 - 'You make me feel like dancing', Leo Sayer

10 - 'Dancemos no mundo', Sérgio Godinho

9 - 'Everybody dance', Chic

8 - 'I'd rather dance with you', Kings of Convenience

7 - 'Private dancer', Tina Turner

6 - 'Ela é dançarina', Chico Buarque

5 - 'Dancing in the street' - Mick Jagger e David Bowie

4 - 'Pista de dança', Adriana Calcanhotto

Estão prontos para o top3?

publicado às 17:53

Estava a ver o caderno de inglês do António, encontro um erro e chamo-lhe a atenção, para que ele emende.

- Oh mãe, mas eu copiei do quadro.

- Deves ter copiado mal...

- Não mãe, copiei como estava no quadro.

- Não, António, não devia estar assim no quadro.

- Como é que sabes? Estava assim, era assim que estava.

- Oh António, não podia estar assim. Deves ter-te enganado a copiar.

- Mas estava. Lembro-me perfeitamente que era assim que estava no quadro.

- Ok, então o professor enganou-se. Está mal e tens que mudar.

- Mas foi assim que o professor escreveu.

- Mas está mal.

- Como é que sabes?

- Sei. Agora escreves como deve ser, está bem?

O diálogo continuou. Tive que procurar no livro uma frase parecida para lhe provar que estava certa. Ainda ficámos ali um bocado, eu a explicar-lhe como era, ele a resistir. Até que, resignado, o rapaz emenda o erro. Mas com cara de poucos amigos. Com cara de "eu faço como tu queres mas tu não tens razão". Livra. Imagine-se quando for uma discussão sobre algo verdadeiramente importante.

Tags:

publicado às 09:27

Pág. 1/8



Mais sobre mim

foto do autor