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Havia sol e um céu azul, os putos tomaram banho no mar e brincaram muito na areia, e eu fiquei sentada, na toalha, a vê-los de longe, a ler, a pensar na vida, a fechar os olhos para sentir melhor o sol a aquecer-me a pele. Há momentos que são tão bons que devíamos poder guardá-los para os revivermos as vezes que fossem necessárias, sempre que nos sentimos mais em baixo ou mais perdidos. Há momentos que são tão bons, são aqueles momentos da felicidade nas pequenas coisas (e que, depois, no reverso da medalha, nos fazem ter saudades daquele arrebatamento que só é possível com a felicidade nas coisas grandes). É possível estar feliz e triste ao mesmo tempo. É possível sentir que se tem tudo e ao mesmo tempo sentir um vazio cá dentro. Hoje foi um dia bom e no entanto. Hoje estava sol. E já é outubro. E a vida continua (e não é sempre assim?).

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publicado às 23:10

Sábado. O despertador não tocou mas eu acordei exactamente à mesma hora dos outros dias. Passado um bocado o António veio deitar-se ao meu lado. Depois o Pedro também acordou. Às 7.30 foram ver televisão (eu fiquei ainda mais um bocadinho no quentinho da cama). Sábado. Lentamente, a nossa vida volta a parecer-se com a nossa vida, depois do turbilhão do últimos mês. O regresso das férias é sempre difícil mas este foi particularmente complicado. Foram muitas mudanças de uma só vez, nos horários, nas escolas, nas rotinas, no trabalho. Nas últimas semanas, o Pedro aprendeu as vogais e já não precisa de ajuda na casa-de-banho, voltou à natação e já sabe as cores em inglês. O António mudou de escola, perdeu um manual, confundiu-se várias vezes com o horário e os cadernos, já levou uns carolos dos mais velhos e uns raspanetes dos professores, teve "furos", fez amigos novos, carrega uma mala que pesa vários quilos e aprendeu a dizer "setôr", vai aos treinos de futebol com entusiasmo e já deve ter aprendido uma série de palavrões cabeludos, passa a vida a trocar mensagens com os amigos e o seu gosto musical está ainda mais deplorável. Olha-me de lado quando ralho com ele e responde torto quando o mando tomar banho. A pré-adolescência em todo o seu esplendor entrou-nos pela casa dentro. No trabalho, mais mudanças. Novos chefes, novas exigências, muitas indefinições, odeio indefinições, novos desafios, não tantas mudanças quanto seriam necessárias, no final de contas, mas enfim, acreditar, é preciso acreditar, estar alerta, dar o máximo. Estive a trabalhar fim-de-semana-sim, fim-de-semana-não e ainda por cima a Marilene, a fada-madrinha que costuma vir limpar o nosso palácio à sexta-feira, esteve de férias durante todo o mês de setembro. Podia o caos ser maior? Mas, agora, lentamente, a nossa vida volta a parecer-se com a nossa vida. Sábado. A casa está limpa, não há roupa por passar, há comida na despensa e almoço pronto no frigorífico, os trabalhos de casa estão feitos (ainda não fui confirmar, mas há que acreditar que sim), estamos de folga. Acordamos cedo, mas, apesar disso, a vida volta a parecer-se com a nossa vida. O resto se verá. Apetecia-me ir apanhar sol, logo à tarde, haverá sol?

publicado às 09:42


C & C Music Factory

publicado às 01:00


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