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Arrumar a bagageira do carro antes de irmos de férias.

Fico cansada só de imaginar a quantidade de vezes que vou ter de subir e descer naquele elevador, primeiro, para tirar as trotinetes, patins e skates que estão no carro e, depois, para levar todas as nossas malas e malinhas.

publicado às 22:19

Às vezes perguntam-me (às vezes também me pergunto) porque tenho um blogue. Podia dizer que escrevo porque gosto de escrever, e é verdade. Mas também escrevo porque gosto de reler. Gosto muito de ir ler o que aqui está há meses e há anos, da mesma forma que gosto de folhear os meus álbuns de fotografias. Gosto de me lembrar como foi, o que fizemos, o que sentimos, de perceber como chegámos até aqui.

E depois há histórias como esta  que dão algum sentido a isto.

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publicado às 16:21

21
Jun15

A feijões

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E se só tivermos feijões enlatados jogamos a bonecos, que é quase a mesma coisa. Hoje, além da memória também houve bingo. E em vez de gelados fizemos crepes. Mas de resto foi mais ou menos igual. Na televisão houve atletismo e futebol. Fiz uma arrumação "daquelas" no quarto dos miúdos. E o momento alto do dia foi quando fizemos a mala para a primeira semana de campo do Pedro. Uma emoção. Ao jantar alguém comentou "este fim-de-semana foi muito longo". Foi mesmo. Para compensar, palpita-me que a próxima semana vai passar a correr.

publicado às 21:28

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Memória, uno, peixinho, playstation, tablet, desenhos animados, corridas de motos e basquetebol (nos canais de desporto), pinturas com aguarela, limonada, gelados caseiros e conversas parvas (muitas). E calor. Amanhã há mais.

publicado às 22:28

19
Jun15

Outra vez

Outra vez?, perguntam-me. Sim, outra vez. Mas... como? O António caiu no recreio e teve de levar cinco pontos no joelho. Outra vez. Outra vez o choro, outra vez no hospital a dar-lhe mão, outra vez as muletas, outra vez os banhos checos, outra vez as visitas ao centro de saúde para mudar o penso dia-sim, dia-não. Outra vez?, perguntam-me. Mas os teus filhos não páram? Não, aparentemente não. Não sei como fazê-los parar. Eles são assim. Sempre a correr, a saltar, a experimentar, a lutar, a desafiar. Caem, magoam-se, levantam-se. Têm as pernas cheias de nódoas negras, arranhões e feridas várias. E têm azar, também. Cada um deles já foi cosido duas vezes (o António duas vezes na mesma perna; o Pedro na perna e na cabeça). Cicatrizes para a vida. Ah, desta é que ele vai aprender, vais ver, dizem-me os mais optimistas. Mas os meus filhos não aprendem. Não sei como ensiná-los. Voltam a correr, a saltar, a cair, a aleijar-se. Repito para mim que até agora não aconteceu nada de realmente grave, repito para mim que eles são crianças, que é bom que se mexam, que estas coisas acontecem. Então porque me sinto culpada sempre que alguém faz aquela cara e me pergunta: outra vez?

publicado às 15:31

 

"I've cried through many endless nights
Just holding my pillow tight
Then you came into my lonely days
With your tender love and sweet ways
Now I don't know where you come from baby
Don't know where you been my baby
Heaven must have sent you into my arms

Now in the morning when I awake
There's a smile upon my face
You touch my heart with gladness
Wiped away all of my sadness
For so long I've needed love right near me
A soft voice to cheer me
Heaven must have sent you baby into my life

Ooooh it's heaven in your arms
It's the sweetness of your charms
Makes me love you more each day
In your arms I wanna stay

Wanna thank you for the joy you've brought me
Thank you for the things you taught me
Thank you for holding me close
When I needed you the most
Now I don't know much about you baby
But I know I can't live without you
Heaven must have sent you honey
To love only me

It's heaven in your arms
It's the sweetness of your charms
Makes me love you more each day
In your arms I wanna stay"

 

(Heaven must have sent you por The Elgins, 1966)

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publicado às 23:06

12
Jun15

É sexta-feira

Lá porque eu não tenho vindo aqui não quer dizer que não têm acontecido coisas importantes, quer apenas dizer que não tenho vindo aqui falar delas. Adoro esta altura do ano, quando já não há testes nem trabalhos de casa e o tempo livre passa a ser verdadeiramente livre, e podemos brincar, em casa e na rua. Nos dias bons, os meus filhos são lindos e doces. Nos dias bons, fico a olhar para eles embevecida, a ver como estão crescidos e autónomos. Os dias bons são os que vale a pena guardar. A festa da escola (com lágrimas, sempre). Uma tarde de conversa boa a falar sobre discos com amigos que já não via há algum tempo. Comer bifanas e beber sangria com mais amigos enquanto os miúdos brincam às escondidas, uma noite inteira, no arraial do nosso bairro. Dar abraços. Dar abraços, mesmo que seja ao longe, quando não podemos estar junto das nossas pessoas.

E ainda:

Passei uma tarde na conversa com uma senhora com uma memória fabulosa e que conta histórias deliciosas sobre o seu tio, Fernando Pessoa.

O Vhils recebeu uma condecoração e em vez de dizer as baboseiras de ocasião escreveu um texto que vale muito a pena ler, onde fala da sua geração: "A geração desprezada. A geração das famílias fragmentadas. A geração do talento desperdiçado, cuja educação, suportada pelo país, se vê agora investida noutros cantos do mundo."

Uma reportagem muito boa da Rita, com a participação da super-mãe Sónia, sobre o modo como nascemos e o excesso de cesarianas. Eu não sou de fundamentalismos mas acho que bastaria mudar apenas algumas pequenas coisas no modo como se fazem os partos nos hospitais para que tudo fosse melhor, sobretudo para as mães mas também para os bebés.

Ainda vão a tempo de ir ver, este fim-de-semana, um grande espetáculo, O Inimigo do Povo, texto de Ibsen, encenação de Tónan Quinto, no Teatro São Luiz. Divertido e acutilante, como se quer. E com uma mão cheia de excelentes actores.

Não fui à feira do livro e não tenho pena. Mas comecei a ler o livro de que toda a gente fala. Por uma vez na vida estou em sintonia com o meu tempo (qualquer dia ainda me vêem a correr. lol).

E é isto. Hoje é sexta-feira. Aproveitem o fim-de-semana que eu hei-de estar a trabalhar. E ouçam esta pequena maravilha: Sufjan Stevens.

publicado às 12:29

10
Jun15

Somos parvas

O revivalismo do facebook deu-me a ler ontem um texto que tem dez anos. Mas que continua tão actual. Olho à volta e reparo em dois em três casais que vivem de forma que diria igualitária, depois há mais uns dois ou três onde o desafogo financeiro permite ter empregadas que atenuam as diferenças que de outra forma seriam mais acentuadas, e, depois, a maioria de nós, que vive assim, apregoando uma igualdade que na prática não existe. Sim, somos parvas, desde o primeiro dia em que não os acordamos para trocar as fraldas aos miúdos a meio da noite porque eles estiveram a trabalhar o dia inteiro e merecem descansar (e nós, que estamos em casa de licença de maternidade, acaso estamos a descansar??), somos parvas porque os deixamos dormir até mais tarde ao fim-de-semana, deixá-los, coitadinhos, enquanto nos pomos a fazer jogos e a ver desenhos animados com às crias às sete da manhã, porque na nossa mania controladora achamos que se formos nós a fazer fica tudo mais bem feito e é mais rápido do que deixá-los serem eles a passar a roupa a ferro ou a lavar a loiça, somos parvas sempre que lhes dizemos vai jogar à bola com o miúdo enquanto eu trato do almoço, somos tão parvas porque fazemos as listas de compras para eles irem ao supermercado sem sequer pensarem no que estão a comprar, porque em vez de nos sentarmos no sofá a ver televisão ao serão ainda vamos ali dobrar um monte de meias e preparar a lancheira para amanhã e adiantar o jantar para nos facilitar a vida no dia seguinte, somos parvas, porque saímos a correr do trabalho e dizemos ao chefe que não podemos e pomos a nossa carreira em causa para vir dar banhos e adormecer os filhos enquanto eles ficam a fazer serão no escritório (ou, pelo menos, é isso que nós, parvas-supremas, acreditamos que eles estão a fazer), e continuamos a ser parvas porque os deixamos ir embora e seguir a sua vida como se não fosse nada, porque eles têm que se encontrar (blá blá blá) e resolver as suas cenas, e nós que nos arranjemos, como se fosse nossa obrigação fazer tudo sozinhas, como se os pais, quando se separam e saem de casa, tivessem finalmente legitimidade para já não se preocupar com as escolas e o futebol, com os ténis que estão velhos e as camisolas que não servem, com as prendas que as crianças têm que dar no natal aos avós e aos primos, com os bolos das festas de anos e os trabalhos de casa. Porque no fundo, no fundo, acreditamos mesmo que é essa a nossa obrigação. E, apesar disto tudo, continuamos a dizer que somos defensoras da igualdade e que só queremos homens que sejam iguais a nós. Enganamo-nos a nós próprias e nem reparamos. Somos mesmo parvas.

publicado às 12:00

Imagination. Just an illusion.

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publicado às 11:26

05
Jun15

Derramar-me

"How we need another soul to cling to, another body to keep us warm. To rest and trust; to give your soul in confidence: I need this, I need someone to pour myself into."

Sylvia Plath

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publicado às 23:53

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