Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Acabaram os exames do 4º ano e a única coisa que me ocorre dizer é que ainda é preciso mais, muito mais, para recuperar de todos os males que se fizeram à educação (em geral, e à escola pública, em particular) nestes últimos anos em Portugal. Ainda esta semana, enquanto o meu filho mais velho decorava os nomes dos instrumentos e as técnicas de trabalhar a madeira, sem nunca ter pegado num serrote ou lixado um taco (e eu a lembrar-me das aulas de trabalhos manuais do meu tempo) e enquanto o meu filho mais novo, sete anos apenas, ainda a aprender os cinco sentidos e a ver a horas, se debatia com o conceito de recta e semi-recta e recta de suporte com As e Bs a confundirem-se na sua cabeça (e quem o pode criticar?), ainda esta semana pensava nisto, em como estragámos a escola e, pelo caminho, andamos a estragar a relação das crianças com a escola.

Acabaram os exames do 4º ano mas ainda há muito por fazer.

Sobre os exames já escrevi aqui, aqui, aqui e aqui

publicado às 10:13

27
Nov15

O meu céu

alentejo 003.jpg

O meu alentejo. Fui lá num instantinho, a trabalhar, e fiquei com vontade de mais.

publicado às 17:48

25
Nov15

Paridade

Sou contra as quotas. De mulheres ou do que for. Sou a favor de promover a igualdade de oportunidades e a igualdade no tratamento de homens e mulheres - em casa, no trabalho, na sociedade. Comprar bonecas para todas as crianças, independentemente de serem rapazes ou rapazes. Ensiná-las a lavar a loiça e a pendurar quadros na parede, qualquer que seja o seu sexo. Mas sou contras as quotas. Não exijo para mim nenhum tratamento especial por ser mulher. Não vou votar numa mulher (na maria de belém, por exemplo) só por ser mulher. Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a dar um passo para, daqui a nada, estar a dizer coisas como que as mulheres são mais sensíveis do que os homens ou as mulheres preocupam-se mais com os outros (o que não é verdade, depende das mulheres e depende dos homens com que as estamos a comparar) ou que as mulheres têm uma relação privilegiada com os filhos (o que também não é sempre assim, como se sabe). Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a abrir caminho para mais desigualdades e para justificar comportamentos racistas, homofóbicos, etc., como tão bem nos ensina a história.

É óbvio que eu gostava que houvesse mais mulheres no governo, porque isso significaria que vivemos numa sociedade mais igualitária, onde homens e mulheres têm igual acesso aos centros de poder. Mas, para falar a verdade, o que eu gostava mesmo era de ter um governo mais competente. Se são homens ou mulheres que lá estão, pouco me interessa. Se são negros ou brancos, de origem brasileira ou goesa, se usam óculos ou próteses nas pernas, se são hetero ou gay, se são gordos ou magros, se gostam de punk rock ou música clássica, se usam minissaias ou calças à boca de sino. Interessa-me que sejam honestos e competentes, que cumpram as suas promessas, que não sejam preguiçosos e que não se deixem corromper, que pensem no que é melhor para o seu país, que governem como deve ser. E sobre isso, deixem-me que vos diga, tenho muitas dúvidas.

publicado às 11:07

Os meus amigos, cozinhar, dançar, dar abraços, o sol, mesmo que em doses pequenas e mesmo com frio. A terapia do costume. É preciso tão pouco para ser feliz (apesar de pelo meio haver quilos de trabalhos de casa).

IMG_1597.JPGParabéns, João Pedro.

publicado às 19:51

Muitas vezes, gostar de uma música tem muito pouco a ver com a qualidade dessa música mas mais com o contexto em que a ouvimos, com o momento, as pessoas, os sentimentos que guardamos naquele refrão. Para mim, os Gift são aqueles anos, entre 1997 e 2000, mais ou menos, os primeiros tempos na secção de artes do DN, ao lado do Nuno Galopim, a entrar e sair do gabinete onde se sentava a Sónia e a malta do DNA, as aventuras no apartamento de Benfica que partilhava com a Paula, as noites de verão na Expo, descobrir músicas e músicos do mundo inteiro, tantos concertos, do Porto ao Sudoeste, com passagem por Alcobaça. Esses foram os tempos do Gift. Por isso - e já agora também pela música - quis festejar com eles estes 20 anos. E, se tudo correr bem, hei de ir ao Meo Arena cantar até ficar rouca.

IMG_1591.JPG

publicado às 11:15

Fiz marmelada. O António marcou um golo. Fiz um bolo. Fomos a uma festa de aniversário. Recebi uma prenda de anos atrasada (e tão boa). As crianças fizeram os trabalhos de casa. Assei castanhas. Passámos uma tarde no parque, com calor e amigos. Foi um fim-de-semana de sol. Apesar de tudo. Com Paris nos nossos pensamentos (e nas conversas e na televisão). E se fôssemos nós?, ouço dizer. Somos nós, respondo. É claro que somos nós. E é por isso que é tão assustador. 

DSCF1075.JPG

Tags:

publicado às 19:37

 Carinhoso, de Pixinguinha (1917), aqui por Paulinho da Viola e Marisa Monte

publicado às 10:24

08
Nov15

Keeping up

Tenho andado um bocadinho longe daqui, é verdade, este ano não tem sido fácil organizarmo-nos com o muito trabalho e os horários das crianças e as habituais correrias. Mas vamos tentar pôr a conversa em dia. Porque para mim hoje é sexta-feira, vou imitar a Joanna, que tem um blogue lindo e que todas as sextas-feiras deixa sugestões aos seus leitores. Eu só tenho meia dúzia de leitores e as minhas sugestões não são tão fashion como as dela, mas vêm do coração. Ora vejam:

Mais um blogue que entrou directamente para a minha lista de favoritos: Nheco.

Sei como é sentirmo-nos assim.

Outro texto daqueles bons da Ana de Amesterdam.

A Clara Ferreira Alves escreveu uma crónica que me pôs a pensar. Apesar do que possam dizer, não é fácil ser de esquerda nos dias que correm. Tenho tantas dúvidas sobre isto tudo.

Fui a Cascais e gostei muito desta exposição: fotografias a que ninguém pode ficar indiferente.

Quero muito ler o livro A Máquina de Triturar Políticos que o Filipe Santos Costa e a Liliana Valente escreveram sobre o jornal O Independente. Já estava na minha lista, mas depois do elogio do MEC tornou-se obrigatório. 

A Sónia Morais Santos está na televisão e está muito bem, a fazer um programa sobre pais e filhos que passa aos sábados na TVI 24. Este fim-de-semana estive a trabalhar e não consegui ver (já sei, a box dá para andar para trás, irei fazer isso assim que possível, também ainda tenho o Dowton Abbey para ver, não me digam nada). Mas só o trailer vale a pena:

Vem aí um novo espectáculo da Companhia Maior. Chama-se Força e vai estar no CCB no próximo fim-de-semana. Não é dos melhores deles, mas mexe sempre em qualquer coisa dentro de mim (nem consigo fazer links para todas as muitas vezes em que já falei da companhia). Vê-los a envelhecer no palco, de ano para ano, e ao mesmo tempo a superarem-se é uma das experiências mais comoventes que já tive enquanto espectadora de teatro.

E a terminar. Esta foi uma descoberta recente. John Grant. Enjoy.

publicado às 22:57

Esta semana, fui duas vezes a Cascais, em trabalho. Da primeira vez, eram quase seis horas, anoitecia e chovia muito. Hoje, era meio-dia e estava um sol de verão. Das duas vezes fui ouvindo um disco dos Blur que era o que estava ali à mão e das duas vezes lembrei-me do concerto deles a que assisti no festival Super Bock Super Rock. Estive quase para não ir. Estava a atravessar uma daquelas fases em que tudo parece correr mal, estava a trabalhar nesse fim-de-semana e sentia-me muito cansada e ainda por cima parecia que não ia arranjar companhia. Decidi ir, contrariando a minha letargia. E foi um concerto espectacular. Diverti-me mesmo, apesar de tudo o resto.

Isto de conseguir suspender os problemas, esquecer momentaneamente que eles existem, sejam eles quais forem, e aproveitar o que temos de bom é uma arte que não está ao alcance de todos, pelo que vou percebendo. As pessoas parece que gostam de ficar enredadas nos seus azares, a matutar nas desgraças, a sofrer antecipadamente por tudo o que ainda está para vir. Eu cá sou pragmática. Não sei se isso é bom ou se é mau, mas é assim que sou e, até ver, tem funcionado. Há quem me ache fria. Mas foi essa frieza que me permitiu continuar com o trabalho, as crianças e a vidinha, mesmo quando perdi o chão. É essa frieza que me permite (bom, nem sempre, mas quase sempre) trabalhar sem pensar nos problemas da vida, estar com as crianças sem pensar no resto, encontrar momentos de alegria até nos dias piores. Não se trata de ser inconsciente. Trata-se de ir resolvendo o que há para resolver, ao mesmo tempo que aproveito o que há para aproveitar. Desvalorizar o que não merece ser valorizado. Relativar, sempre. Seguir em frente

Experimentem. Vão ver que vão ser muito mais felizes.

E já agora ouçam o Chico, citado no título, que vale sempre a pena:

(outra coisa que pensei nestas viagens foi que já estive em vários concertos que foram mesmo especiais, um dia destes tenho que fazer uma lista. isto de fazer umas viagens sozinha, sem as crianças, é óptimo para arrumar ideias)

publicado às 22:14

IMG_1580.JPG

Esta manhã, enquanto os miúdos ainda dormiam, pus-me a arrumar jornais antigos e reencontrei a entrevista que a Ana Sousa Dias fez ao Jorge Silva Melo. Há um momento em que ele diz:

"Do que eu gosto mesmo a sério [nos filmes de cowboys] é isto: quando uma pessoa está em perigo, o melhor amigo aparece e mata o inimigo. Nem a gente sabe porquê, mas nos filmes do Howard Hawks é isso que acontece. Nós estamos em perigo, não sabemos o que fazer e nem é preciso palavras, a acção é nítida."

Acho que tenho a sorte de ter algumas pessoas assim, que me salvam sempre que eu preciso, às vezes com pequenas coisas, como a amiga que ontem, ao telefone, me dizia "adoro-te, xuxu", outras vezes com gestos grandes, como a amiga que uma noite destas apareceu cá em casa, munida de sushi e rosé, só porque sim, e já nem estou a falar da minha maninha que é a melhor mana do mundo e arredores e tem um papel especial nesta "cobóiada" que é a minha vida. 

Como se costuma dizer (parece que a frase é originalmente do Oscar Wilde mas também pode não ser): "Everything is going to be fine in the end. If it's not fine it's not the end." Se é assim nos filmes, porque não há de ser também na vida?

publicado às 12:08


Mais sobre mim

foto do autor