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Pronto. Já vi o tão falado Mad Max. Tenho um problema com os filmes de ficção científica e com os filmes de fantasia: quero encontrar uma lógica naquilo tudo e não é possível. Ponho-me a fazer perguntas: onde é que as pessoas moram? O que é que comem? E não precisam de dormir? E não fazem xixi? Quem são estas pessoas? São pessoas ou são o quê? Como é que chegaram até ali? Como é que voltaram? O que vai acontecer a seguir? Sei lá, minudências. Mas que a mim me impedem de "entrar" nos filmes por completo. Seja um Star Wars (ainda não vi este novo episódio e não faço grande questão) ou um Senhor dos Anéis. Aconteceu-me o mesmo com o Mad Max - Estrada da Fúria. Sou demasiado pés-na-terra. Claro que o facto de estar em casa, deitada no sofá, a ver o filme na minha pequena televisão teve alguma influência. Acredito que aquilo num ecrã gigante no escurinho do cinema seja outra coisa. E acho muito positivas as mensagens feminista e ecologista. E achei alguma graça à Charlize Theron careca e carracunda (mas não tem um braço porquê, alguém me explica?). Pronto. Já vi. Mad Max pode estar na lista dos melhores filmes do ano de vários críticos e até ganhar muitos Óscares. Mas tenho a certeza que daqui a um ano (um ano? um mês!) não irei lembrar-me de muito.

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publicado às 21:14

27
Dez15

Demónios

"- Sabes o que mais ajuda na desgraça, Irina? Falar. Ninguém pode andar pelo mundo sozinho. A dor partilhada é mais suportável. Todos temos demónios nos recantos mais escuros da alma, mas se os trazemos à luz os demónios mirram, enfraquecem, calam-se e por fim deixam-nos em paz."

Há muitos anos que não lia um livro da Isabel Allende. Tirei O Amante Japonês de uma prateleira do meu pai antes do natal e tenho estado a devorá-lo.

Um livro e uma esplanada. Há dias em que isso é tudo que preciso. Há outros em que é preciso algo mais.

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publicado às 16:26

“Vocês foram um público excelente. Digam-me onde é que vão trabalhar amanhã à noite, que eu irei ver-vos!”

É assim que se despede Archie Rice, em O Animador, que o Teatro Experimental do Porto trouxe ao D. Maria II. Consegui ir vê-lo esta tarde, na última sessão em Lisboa. E pude maravilhar-me, mais uma vez, com o João Pedro Vaz, que é um dos meus actores preferidos. A peça foi escrita pelo John Osbourne na Inglaterra dos anos 50 mas tem a capacidade de falar sobre o Portugal de 2015. O espectáculo tem música de Legendary Tiger Man, que a toca ao vivo, e é muito bom (embora a mim me parecesse um bocadinho longo).

Neste meu fim-de-semana sem crianças e sem trabalho (que é uma coisa que me acontece praí umas duas vezes por ano) consegui não só ir ao teatro como também ir aos concerto dos The Gift e ver a Sónia a voar.

gift.jpgE, além disso, ando a recuperar (um bocadinho) do atraso em relação aos filmes deste ano. Já vi O Meu Nome É Alice (com a Julianne Moore), Love & Mercy (sobre o Brian Wilson, dos Beach Boys) e Amy (o documentário sobre a Amy Winehouse). Filmes óptimos, todos, não há dúvida, mas se calhar amanhã tento ver uma coisinha mais animada, com pessoas felizes e de bem com a vida, não?

publicado às 00:41

19
Dez15

Listas

Eu gosto de listas. As listas de melhores do ano que os outros fazem ajudam-me a, por esta altura, fazer a lista daquilo que não li, não vi, não ouvi mas ainda estou a tempo de fazê-lo. Por exemplo, decidi que quero ver o Mad Max, apesar de saber que não é nada o meu género de filme. E também vou ouvir o disco das Pega Monstro que, por puro desleixo, acabei por deixar passar. E fiquei a pensar que talvez tenha de dar mais uma hipótese à Elena Ferrante.

Dou a minha pequena (muito pequena) contribuição para as listas do ano da Máquina de Escrever. E fiz esta lista de livros para crianças, porque é, de todas, a área que consigo acompanhar mais de perto (não por muito tempo, imagino, mas para já ainda é). 

publicado às 14:18

15
Dez15

Fugir

Já o disse várias vezes. O Baby Blues é uma pequena maravilha. São tiras diárias (que depois dão origem a livros e estão publicados em Portugal) que acompanham a vida de uma família. Primeiro um casal, depois nasce a primeira filha, a Wanda decide ficar em casa a tomar conta da criança, o furacão que isto representa nas suas vidas, e a seguir nasce o rapaz e, quando já nada o fazia esperar, vem mais uma menina. Cada criança tem a sua personalidade muito vincada e quem tem filhos irá identificar-se com tantas situações, tantas, que às vezes desconfiamos que o Rick Kirkman e o Jerry Scott (os autores) andam a espreitar a nossa casa sem que nós saibamos. E outra coisa deliciosa é ver os miúdos a crescerem, algo que não costuma acontecer nas bandas desenhadas. Neste momento, a Zoe já é uma menina a caminhar para a adolescência, o Hammie continua a ser um puto imparável (faz-me lembrar tanto os meus) e a Wren está a aprender a falar. O Darryl e a Wanda lá vão sobrevivendo neste turbilhão. Um pouco como nós fazemos, todos os dias. Por exemplo, assim:

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Era isto, exactamente isto que me apetecia agora, enfiar-me debaixo do cobertor e, por favor, não me digam nada. 

Já tinha falado do Baby Blues: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

publicado às 09:19

12
Dez15

Into my arms

Fomos ver o concerto da Gisela João. É tão engraçado ver como ela é, a falar normalmente, na sua atrapalhação e na sua felicidade, e, depois como se transforma quando começa a cantar, seja fado seja outra coisa qualquer. Solta a voz, solta o corpo, perde a timidez e é poderosa. Foi um belo serão, que começou com Nick Cave e deveria ter acabado com Lopes Graça mas ela ainda cantou mais uns fados, extra-programa. É bom sentir que quem está no palco está a dar o seu tudo, com emoção. Também eu me comovi em alguns momentos.

(E, depois, fico feliz por conseguir fazer estes programas com os miúdos - os meus putos estão sempre disponíveis para experimentar coisas novas, conhecer pessoas, visitar sítios e mesmo num concerto que não era exactamente fácil e onde não conheciam nenhuma canção portaram-se bem, estiveram atentos aos músicos e aos pormenores do cenário, comentaram as roupas da Gisela e os seus pés descalços. Nunca sinto que é tempo perdido, pelo contrário.)

publicado às 00:39

Patti Smith no concerto dos U2 em Paris, depois dos atentados. "People have the power". Porque é preciso acreditar na bondade dos homens. Não há outra maneira.

publicado às 11:44

Ficámos o dia todo em casa. Todo. De pijama, os três. Agora que penso nisso, acho que nem sequer lavei os dentes. É um risco isto de se ficar em casa um dia inteiro. Quando corre mal é terrível. Quando corre bem é muito fixe. Hoje temia o pior mas afinal correu bem. Havia muito que estudar - ambos têm teste de inglês na segunda e era preciso adiantar o estudo para o teste seguinte, de história para um e de português para outro, um martírio dos grandes para os dois - foi preciso dosear os tempos de estudo com os tempos de brincadeira, de playstation, de desenhos, de lutas de wrestling. Tive que respirar fundo umas quantas vezes. Fiz um bolo, para relaxar. Tricotei um bocadinho, que também ajuda. E os miúdos colaboraram, há que admitir. Ficámos o dia todo em casa, de pijama, e acabámos o dia, entre gargalhadas, a jogar ao stop e a ver livros de répteis, antes de eles irem para cama. E foi um dia bom. Vá-se lá perceber. 

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publicado às 23:45

Tirámos um dia para nós. Esquecemo-nos, por momentos, que ainda faltam dois testes para cada um. Tirámos um dia para nós. Para um jogo de futebol logo pela manhã. Um almoço de hamburgueres numa esplanada. Voltar a mergulhar na magia do oceanário (gostamos de todos os animais, mas não resistimos às lontras). Sem pressas. Sem stress. Brincar junto ao rio. Deixarmo-nos guiar pelo cheiro das farturas. Andar de carrinhos de choque. Voltar para casa já de noite mas ainda a tempo de eles aproveitarem a playstation. Aterrarmos juntos no sofá. Tirámos um dia para nós.

Só os três.

Não vai haver outro dia assim em dezembro, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

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publicado às 00:04

Beijos inesperados. Terminar o dia de trabalho num estúdio frio às portas de Lisboa, a ouvir a Gisela João cantar o Hallelujah, do Leonard Cohen. Os miúdos felizes a fazerem a árvore de natal enquanto cantamos o Last Christmas. A nossa árvore é pequenina e tem bolas e fitas douradas e chocolates e no presépio temos um anjo sem uma mão, que se partiu há já uns anos. Encomendar uma pizza. Pantufas. Um serão a tricotar. Acreditar que vai correr tudo bem. É sexta-feira, porque não?

publicado às 22:11

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