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11
Abr16

Resistência

Julián Fuks é um escritor brasileiro de 35 anos que me chamou a atenção por ter uma barba grande, hipster, e um olhar intrigante. Vi a fotografia dele em vários jornais mas por uma razão ou por outra acabei por não ler nenhuma das entrevistas que deu. Por isso comecei a ler Resistência, o seu livro agora editado em Portugal, sem saber nada sobre a história. Fui então descobrindo que este é um livro sobre a ditadura militar na Argentina e sobre as crianças que foram tiradas às suas famílias. Sobre as Avós da Praça de Maio e sobre essas crianças que entretanto cresceram noutras famílias sem saberem (ou sabendo ou pelo menos suspeitando) a sua origem. É um livro sobre a resistência à ditadura e sobre o exílio. Sobre uma criança que foi adoptada. Também é um livro sobre o modo como uma família se constrói, sobre o que é isto de ser uma família. Sobre pais e filhos, e irmãos e laços. Sobre aquilo que não dizemos. Sobre os silêncios à mesa do jantar. É um livro pequeno, que às vezes me irritou por ter tantas repetições e porque eu queria que a história avançasse e queria saber mais coisas sobre aquelas pessoas e a sua situação e em vez disso o autor decidia mudar de assunto e voltar atrás e olhar para o lado e olhar dentro. Mas também é um pequeno livro encantador precisamente por isso, por não ser óbvio, por ser uma auto-ficção em vez de uma autobiografia, por não dar todas as respostas e deixar tanto por dizer. 

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publicado às 00:33


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