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29
Mai16

Eu fui

rir.jpgestava tudo tranquilo e até subi ao palco. mas concertos só vimos na televisão. talvez daqui a dois anos, com os miúdos mais crescidos, a gente dê lá um saltinho.

publicado às 23:55

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20160529_174007.jpgSaíram de casa contrariados. Tem mesmo que ser, mãe? E quando o guia avisou que a visita ia durar duas horas começaram a fazer beicinho implorando para ir para casa. Nem pensar. Estava à espera há meses por esta visita - que só acontece um domingo por mês e às vezes calha nos domingos em que eu trabalho e outras vezes quando tentei marcar já não havia vagas - não era agora, com os bilhetes na mão, já pagos, que ia desistir, né? Lá fomos, então, numa viagem à corte do século XVIII pelo Palácio de Queluz. E foi muito bom. Para além de vermos o palácio, que é lindo, tínhamos a parte da reconstituição histórica. O mestre de cerimónias era engraçadíssimo, sempre a meter-se com as crianças e a contar pequenos pormenores sobre a vida dos nobres e dos reis. Houve música e canto e dança. E ficámos a saber imensas coisas sobre perucas e os banhos que não havia e os piolhos que havia em grande quantidade e leques e sinais que as senhoras punham na cara e espartilhos e as festas que aconteciam nos jardins de Queluz, os jardins por onde eles correram como loucos no final das mais de duas horas de visita. Afinal até não foi assim tão mau, mãe. 

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publicado às 22:17

28
Mai16

Hospital

Num piso demos as boas vindas à Alice, nem três quilos de gente, acabada de chegar a este mundo para felicidade de todos. No piso de baixo dei (demos, embora os miúdos não tivessem entrado no quarto) um beijo apertado a uma amiga que estava muito doente e teve que ser operada. 

De todas as coisas do mundo, abraçar os amigos de vez em quando é uma das melhores que podemos fazer. 

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publicado às 23:39

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

publicado às 11:55

pessoa.jpgIMG_8463.JPG13236045_627397424103779_713660010_n.jpg20160519_124506.jpg20160519_153520.jpg

Como se tivesse sido atropelada por um camião. É como me sinto agora, à beira de mais uma segunda-feira. A semana começou com trabalho e mais trabalho e terminou com uma ida à Casa Fernando Pessoa para moderar uma conversa com os sobrinhos do poeta. Eu não gosto de falar em público, fico uma pilha de nervos e atrapalho-me imenso. Escrever é muito mais confortável. Mas há um ano tinha falado com a Manuela Nogueira e tinha gostado bastante dela. Ainda por cima, este convite veio da Clara, que além de ser minha amiga tem feito um óptimo trabalho à frente da Casa. Por isso, pus os nervos para trás das costas, passei uma tarde a ler coisas sobre o Pessoa para tentar não fazer muito má figura, e lá fui. Conheci o outro sobrinho, Luís Miguel, e ficámos um bocadinho à conversa sobre o tio Fernando e sobre os livros e os objectos que a partir de agora estão expostos ali: uma madeixa de cabelo de quando o pequeno Fernando Pessoa cortou o cabelo pela primeira vez, ainda bebé, e o papel onde ele escreveu a sua última frase, um dia antes de morrer: "I know not what tomorrow will bring". Uma grande frase.

Depois, o fim-de-semana foi a loucura total. O António teve um jogo de futebol. O Pedro teve a sua festa de anos (com quase 30 crianças, uma barafunda enorme e uma alegria enorme também). Além disso, cada um deles ainda tinha de ir a festas de amigos. Sem esquecer os trabalhos de casa e os testes que são muitos na próxima semana. Pelo meio disto tudo, entre brigadeiros e salames, consegui terminar a mantinha em tricot que prometi fazer para o bebé de uma amiga que está quase, quase a nascer. E comecei a ler o novo livro do Francisco José Viegas, que bem pode ser o escritor que vai a mais festivais literários, não quero saber, desde que continue a ter tempo para escrever policiais com o Jaime Ramos e companhia.

E agora estou aqui sentada a comer um potinho de baba de camelo que sobrou da festa e a pensar que ainda devia ir preparar as duas entrevistas que tenho amanhã e, sim, é como se tivesse sido atropelada por um camião, mas, ao mesmo tempo, é tudo tão bom. Queixar-me do quê?

publicado às 22:15

19
Mai16

Boss

Era o único concerto que me interessava no Rock in Rio. Paciência. Haverá mais dias de sol.

Bruce Springsteen. Waiting for a Sunny Day.

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publicado às 14:02

DSC_0118.JPG- Lembras-te quando eu nasci?

- Claro. 

- Que horas eram?

- Passava um bocadinho da meia-noite.

- E depois?

- Depois ficaste a dormir comigo a noite toda.

(foi há oito anos)

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publicado às 10:27

15
Mai16

Show de bola

20160515_110736.jpgA Maria vem cá a casa há dois anos e ainda me consegue surpreender. Esta semana, provavelmente farta de encontrar chuteiras atiradas para um canto qualquer, achou que elas ficavam bem era arrumadas na estante do escritório, ali juntinho aos livros brasileiros. Vinicius de Moraes passa para Ruy Castro que dá para Chico Buarque que remata e marca golo.

publicado às 10:52

"Mesmo que o espectáculo não seja muito bom, já valeu a pena por ter conhecido todas estas pessoas e ter aprendido tanto com elas." Estávamos sentados no chão, nos tapetes do salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II, a conversar depois de um ensaio. Engolimos todos em seco. Era a Madalena que dizia isto, sobre a Estação Terminal, o espectáculo que se estreia ali amanhã e no qual colaboram pessoas tão especiais quanto um jovem bailarino transexual, um travesti, um ex-recluso, actores e bailarinos, alunos de dança, cegos, sem-abrigo, um casal de artistas homossexuais que veio da Tasmania. A Madalena também é uma pessoa especial. É uma daquelas pessoas com quem vale sempre a pena conversar, que nos toca e nos faz ir mais além, mesmo quando (o que é raro) os espectáculos não são muito bons.

(nos dias em que ando mais triste com o jornalismo que andamos a fazer ou nos dias em que ando mais triste com a minha vida, penso nisto, nestas oportunidades maravilhosas que vou tendo, de conhecer pessoas assim, de ser menos ignorante e mais feliz, de viver momentos mesmo especiais.)

estaçao.JPGAs fotos (tão bonitas também) são do Reinaldo Rodrigues/Global Imagens. 

publicado às 22:12

10
Mai16

Quatro anos

Dizem os manuais que não devemos falar quando estamos muito zangados. Que devemos deixar passar a fúria. Que com o tempo acabamos por compreender (e até perdoar). 

Parece que ainda não é o tempo, portanto.

publicado às 09:43

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