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Quando os miúdos vão para a semana de campo, gosto de lhes pôr na mala uma fotografia nossa e um bilhete com umas palavrinhas mimosas. No primeiro ano, é uma surpresa boa quando eles abrem a mala porque não estão nada à espera daquilo. Depois, continuo a deixar o bilhete às escondidas mas eles já estão mais ou menos à espera. Pelo menos foi sempre assim com o António. Era uma daquelas cumplicidades nossas. Mas com o Pedro é diferente. Hoje de manhã, no elevador, carregando a mala e o saco-cama e uma enorme quantidade de entusiasmo, o Pedro lembrou-se: mãe! esquecemo-nos da fotografia. Fiquei a olhar para aquela carinha triste, indecisa entre manter a surpresa ou dizer-lhe a verdade. Não, filhote, não nos esquecemos, a mãe pôs uma fotografia dentro da mala. O rosto dele iluminou-se. E a foto tem o António? Tem, claro. Abraçou-me a dizer obrigado. E agora só gostava de ser mosca para vê-lo a ler o bilhete cheio de corações que lhe escrevi.

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publicado às 20:27

25
Jun16

Um clássico

Há que tempos que não tínhamos uma manhã de sábado assim, sem futebol nem trabalhos de casa nem nada. Lembrei-me de mostrar ao meu pré-adolescente este filme, para variar um bocadinho do minecraft e dos tontos dos youtubers. Ao princípio, ele não estava muito interessado em ver um filme com 30 anos e 0 super-heróis. Mas acabou por se divertir imenso. E eu também. 

Ferris Bueller's Day Off, de John Hughes. Em português chama-se O Rei dos Gazeteiros. Deu ontem, no canal Hollywood, por isso é só procurá-lo na box.

publicado às 15:33

carlos.JPGNa quinta-feira à tarde fui ver o Carlos do Carmo a ensaiar com a Orquestra Gulbenkian. O concerto é esta noite. Eu vou estar a trabalhar, mas se puderem ir aproveitem. É mesmo bonito. E olhem que eu nem sou uma grande fã de fado.

publicado às 10:07

20
Jun16

Mão verde

Com o mano fora, num torneio de futebol, o Pedro viveu durante três dias como filho único. E pude assim confirmar, mais uma vez, que se só tivesse um filho (1) a minha vida seria muito mais calma e silenciosa e quase sem discussões mas não teria metade da graça e (2) o meu filho único seria hiper-mega-mimado porque é muito difícil dizer que não a uma criança que passa um dia inteiro sem ter mais ninguém com quem brincar e nem sequer nos dá grandes motivos para nos zangarmos. Por isso, sim, a minha vida às vezes é um bocado louca mas eu prefiro mil vezes o barulho e o caos dos meus dois rapazes do que ter só um a arrastar-se pelo sofá e a ver televisão horas a fio. 

Uma das coisas boas que fizemos este fim-de-semana foi ir ver o concerto Mão Verde, da Capicua, no Teatro São Luiz. O Pedro não achou grande graça mas eu posso garantir-vos que foi muito bom. Ela é muito divertida, as músicas também, e o resto das crianças estava bastante contente, a dançar e a cantar. Em setembro, vai haver disco e livro da Mão Verde. Até lá, fiquem com esta:

publicado às 11:12

Michael Moore é um realizador demagógico e às vezes até desonesto, ainda assim encontro sempre algo interessante nos seus filmes-panfletos. Neste Where to invade next, que ainda não vi mas tenho andado a cuscar no youtube, gosto bastante desta cena. Faz-me ter vontade de me mudar para a Finlândia. Faz-me pensar na escola que temos por cá. E no que podemos fazer para melhorar o ensino (e a vida) dos nossos filhos. 

Nós já estamos em modo férias. E é tãããããão bom.

publicado às 15:07

Tem imensas saudades, claro, mesmo sabendo que os miúdos estão felizes da vida. Aproveita para descansar bastante mas sente-se um bocado perdida por ter tanto tempo livre.

E depois tenta lidar com isso.

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publicado às 08:29

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Walking, not running. Uma peça de teatro para esquecer. Deixem o pimba em paz com a Cris no Terreiro do Paço. Um gin com música ao vivo. Um filme chinês: Regresso a Casa. Cerejas. Uma comédia romântica: Trainwreck. Mojitos com vista sobre a cidade. Um cheirinho a santos populares. Andar descalça. Comer pizza, ir à praia e dar gargalhadas com amigos bons. Caminhar um bocadinho mais. Futebol. Requeijão com doce de abóbora e um livro novo.

E ainda: não fazer nada.

publicado às 19:12

09
Jun16

Ronaldo

Parece que agora está na moda não gostar do Cristiano Ronaldo. É uma coisa meio hipster. Se todos gostam eu agora já não gosto e vou arranjar uma nova cena fixe [para perceber melhor do que eu estou a falar, vejam isto]. A mim custa-me perceber que para se gostar do Quaresma ou do Éder ou doutro qualquer seja preciso dizer mal do Cristiano Ronaldo. Quer dizer. O Cristiano Ronaldo não precisa que eu o defenda, obviamente. Mas a mim, que não percebo nada de bola, parece-me que o rapaz tem 31 anos e um percurso único. Será difícil encontrar melhor. Entre títulos, golos marcados e prémios, entre esforço e qualidade, dedicação e eficácia, jogo bonito, fintas estranhas, toques de bola, caramba, pode ter jogos desinspirados, pode falhar uns remates, pode ter fases más (não temos todos?) mas quem é que pode dizer que não é dos melhores? Também ouço às vezes dizer que o rapaz é vaidoso e tem tiques de estrela. Ena. Eu cá se estivesse na selecção mundial de jornalistas e ganhasse milhões e milhões de euros também seria vaidosa e teria tiques de estrela (conheço tantos com tiques de estrela e vai-se a ver não são ninguém, mas adiante), também compraria uma casa de luxo e ia passar férias ao fim do mundo, garanto-vos (e se tivesse 31 anos e uns abdominais daqueles também iria a umas festas em iates e piscinas e não sei quê). E também sei que apesar de todo o circo montado à sua volta, é dos poucos que gosta de manter a sua privacidade. Escrevem-se as maiores barbaridades sobre a sua vida e ele raramente responde, raramente dá entrevistas, raramente o vemos em eventos vip, em inaugurações, em festas da Caras, a beber copos no restaurante do outro em Vilamoura. Faz a sua vida como quer e sem dar satisfações aos tablóides. E isso para mim tem muito valor. Além do mais, parece que está toda a gente sempre muito atenta a todos os possíveis falhanços do Cristiano Ronaldo, seja dentro ou fora de campo. O rapaz pode marcar 58 golos pela selecção mas se falhar um penalti cai-lhe tudo em cima. O rapaz ajuda a família, dá dinheiro para instituições de solidariedade, distribui autógrafos e sorrisos como mais ninguém mas se descobrem que comprou um avião tratam logo de acusá-lo de ser um puto mimado. Please. Ele não chateia ninguém, porque é que não o deixam em paz?
Eu não faço ideia se ele é o melhor jogador do mundo, nem me interessa determinar se ele vai ser o melhor jogador da selecção no campenato que está prestes a começar. Também não acho que seja muito aconselhável estarmos todos à espera que o Ronaldo ganhe os jogos sozinho. Preferia que jogassem todos bem e que o Bruno Alves não desse muito nas canelas dos adversários. Mas isso é apenas mais um daqueles sonhos.

20160608_191442.jpgCristiano Ronaldo, fotografado ontem durante o aquecimento para o jogo Portugal-Estónia. Mesmo ao pé de nós. Para felicidade dos meus dois rapazes.

publicado às 14:36

O livro A Minha Senhora, de Patrícia Müller, foi uma boa surpresa. Porque atravessa todo o século XX, que é a parte da História de que eu mais gosto. Porque mostra como as mulheres viveram subjugadas e foram infelizes durante tanto tempo. Porque fala de nós.

Mustang é uma espécie de As Virgens Suicidas passado na Turquia. Cinco irmãs orfãs vêem o seu mundo encolher à medida que deixam a infância. Fechadas em casa, obrigadas a vestir túnicas, proibidas de falar com rapazes, com a avó arranjar-lhes noivos, uma a seguir à outra. Claustrofóbico. Esteve nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

E já tenho a Coleção da maravilhosa Marisa Monte. No dia 27 de julho, Marisa canta no EDP Cool Jazz. Quem puder que aproveite.

publicado às 16:51

06
Jun16

Umbigos

Tirámos um pequeno Batman da caixa dos brinquedos e levámo-lo para o Frederico, acabado de nascer, lindo, lindo como só os bebés podem ser. Os miúdos adoram ir ver os bebés. Ficam fascinados com o tamanho das mãos e dos dedos, com os barulhinhos que eles fazem, com os cabelos em pé. O Pedro ainda faz muitas perguntas sobre como os bebés saem pelos pipis ou pelas barrigas e definitivamente não ficou convencido com a explicação que lhe dei sobre o umbigo. De vez em quando pergunta se pode ter mais um mano. Por favor, mãe, vá lá. Quando lhe digo que não pergunta se em vez de um mano pode ter um cão. Para termos um cão não precisávamos de um pai, argumenta. Como se fosse esse o principal obstáculo.

publicado às 00:09


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