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Aquecer a cama quando chega o inverno.

publicado às 23:45

1. Está em cena até 18 de dezembro, no Teatro Nacional Dona Maria II, o espetáculo As Criadas. Texto de Genet, encenação de Marco Martins, interpretação das maravilhosas Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz. Teatro de vísceras, de corpos ali tão perto de nós, de palavras cuspidas, de vidas sufocadas. Não é fácil mas nem tudo o que é bom é fácil.  

2. O Jorge Palma está a preparar uma série de concertos especiais a propósito dos 25 anos do álbum. O já era um disco fabuloso há 25 anos e, agora, quando o ouvimos, parece ainda melhor. Eu estive à conversa com o músico e até lhe pedi um autógrafo, que é uma coisa que não faço muitas vezes. 

palma.jpg3. Estou a ler O Túnel dos Pombos, que é o livro de memórias de John Le Carré. Uma preciosidade. Eu já sabia que ia gostar antes mesmo de começar e, na verdade, não devia sequer pronunciar-me sobre ele porque ainda vou a meio. Mas é tão bom. Para além do lado mais pessoal, tem muitos mas mesmo muitos pormenores engraçados sobre a Guerra Fria, mas também outras histórias mais ou menos recentes, desde o Vietname à Palestina, dos bastidores da política internacional. É como se as histórias de espiões que lemos na ficção de repente ganhassem vida. 

E mais uma: Reserva Pra Dois, uma música que junta (a linda) Mayra Andrade e Branko e que nos põe a dançar com um sorriso na cara. Eu danço com eles. 

publicado às 22:18

elza.jpgElza Soares esteve entre nós nestes últimos dias. Eu não fui vê-la. Mas li a história dela, uma história fantástica. Conhecia-a vagamente, muito pouco, afinal, mas depois de ouvir o último disco, que é extraordinário, fui à procura do que estava para traz. É fascinante ouvi-la, é fascinante vê-la, ainda hoje, com a sua peruca exuberante, a encher o palco apesar de estar confinada a uma cadeira de rodas. E os relatos de quem a viu em algum dos concertos que deu em Portugal deixam-me cheia de inveja, tenho que admitir. Ouço-a outra vez. Muitas vezes. Ouçam-na também.

Esta é Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo

publicado às 18:08

25
Nov16

Whatever

"I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want."

Whatever, Oasis.

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publicado às 23:15

22
Nov16

I don't care

 "They say I'm crazy
Got no sense
But I don't care"

Canta Judy Garland 

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publicado às 15:21

18
Nov16

Do voyeurismo

Sempre que há um post mais partilhado e que há pessoas novas a virem ler este blogue é certo e sabido que a busca mais popular por aqui é com a tag "divórcio". Ninguém se interessa pelo que tenho a dizer sobre política nem quer saber das minhas considerações sobre teatro, nem sequer o facto de falar dos meus filhos é assim tão apelativo. Não há nada mais interessante do que o sofrimento dos outros. Tal e qual como quando abrandam na estrada para ver um acidente, as pessoas chegam aqui e vão à procura de sangue. Ou de pormenores sórdidos. Ou de lamúrias. Ou de ódio.

Imagino que fiquem bastante desiludidas.

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publicado às 10:52

20161116_113907_resized.jpgEsta é uma página de Paula Rego por Paula Rego, um livro com entrevistas de Anabela Mota Ribeiro à artista. Explico tudo na Máquina de Escrever

publicado às 23:01

Por isso eu corro demais, Roberto Carlos, 1967

Por isso eu corro demais, Adriana Calcanhotto, 1998

publicado às 12:05

15
Nov16

Lembrete

cutting.jpg

Da mesma forma que é importante guardar a memória daqueles que foram (são) importantes para nós, das mais diversas maneiras, também é importante saber esquecer aqueles que nos fizeram (fazem) mal.

(por favor, não tentem estabelecer relações com o post anterior, não tem nada a ver, aconteceu por acaso que hoje me pusesse a pensar na necessidade de desocupar algumas assoalhadas do meu coração e de deixar de dar a minha atenção a quem, manifestamente, não a merece. é um caminho que já está a ser feito há algum tempo mas que tem conhecido bastantes desvios.)

publicado às 16:24

Vai ser uma semana difícil. Até para mim, que tenho a mania que as coisas são só coisas e que o que interessa são as pessoas. Até para mim, que treino o desapego para evitar sofrimentos desnecessários. Que deito fora papéis e restos de vida sem olhar para trás porque acredito, acredito mesmo, que as coisas que interessam ficam guardadas em nós. Vai ser uma semana difícil. E não é só porque aquele é um edifício histórico e porque tem as palavras Diário de Notícias escritas na fachada, não é pela arquitetura de Pardal Monteiro ou pelos murais do Almada. Nada disso. É mesmo porque aquele edifício faz parte de mim.

 

Foi ali que há vinte anos, em julho de 1996, comecei o meu percurso profissional. Entrei por aquela porta rotativa da avenida da liberdade cheia de nervos e de sonhos, com a intenção de fazer o estágio e ir à minha vida. E depois fui ficando (estive fora durante um mês, que foi o suficiente para saber que queria voltar). Ao fim de uns meses naquela redacção cheia de pó e de fumo, com tantas horas passadas ao computador, fiz úlceras nos olhos e tive de deixar de usar lentes de contacto. Paciência. Fui-me afeiçoando àquelas escadas de pedra, ao log-in no atex - mjoao, à máquina de café ranhoso, à extensão telefónica que me atribuíram - 7680,  aos vários lugares onde me sentei na redacção no 2º andar (e durante uns meses, por causa das obras, no 5º andar, com uma vista fantástica para o marquês), ao terraço aonde subíamos para ver as manifestações no 25 de abril e os festejos do benfica campeão. Foi ali, naquele edifício, que passei grande parte da minha vida nestes últimos 20 anos. Horas muito boas, horas menos boas. Foi ali que aprendi a ser jornalista. Foi ali que conheci pessoas que me ajudaram a ser melhor jornalista. E que fiz amigos - alguns deles para a vida.

 

Naquele edifício que é na Avenida da Liberdade, 266, mas que para nós é na Rodrigues Sampaio, 111, rimos e chorámos, gritámos e insultámo-nos, fizemos plenários, tomámos decisões, trabalhámos que nem malucos em dias terríveis e em dias muito bons, descobrimos essa coisa fantástica que é a internet, vimos as torres gémeas a desabarem, comemos sandes em longas noites eleitorais, ganhámos um nobel da literatura, despedimo-nos de pessoas, demos as boas vindas a quem veio por bem, desesperámos, perdemos a fé no jornalismo, acreditámos que íamos mudar o mundo, assistimos ao nascimento de muitas paixões (ui, se aquelas paredes falassem), foi ali que as barrigas cresceram e que envelhecemos, quase sem dar por isso.

 

E, sim, é verdade, as memórias não vão desaparecer só porque vamos sair daquele edifício, mas ainda assim sinto que estamos a perder algo. Porque há memórias que são dali e de mais sítio nenhum. Há pessoas que, para mim, ficarão para sempre ligadas a este lugar. O Mário Bettencourt Resendes, que me parecia enorme, a sair do seu gabinete com aquele sorriso e aquela voz que ele tinha. O João Pedro Fonseca e seu coração bondoso, sempre pronto a ajudar quem mais precisava. O João Fernandes, que foi o meu primeiro editor, na política (e eu tão pequenina). A Milú, a primeira pessoa que acreditou em mim e que me abriu portas. O Eurico de Barros, o chefinho que aceitava sempre as maluqueiras que nós queríamos fazer. O Nuno Galopim, que tem a mania que é ditador mas não é nada e além disso mostrou-me o Beck, os Massive Attack, a Lhasa, os Divine Comedy e tantos outros. O Miguel Gaspar que conversava comigo como se eu fosse crescida. O Manuel Dias com a sua fé infindável na juventude. A Rita Rocha que me levou ao Porto para ver o Nick Cave e os Pulp. O Miguel Madeira que me acompanhou na minha primeira reportagem e depois em muitas outras aventuras (e não foi só trabalho). O Luís Osório que a primeira vez que pegou num texto meu riscou tudo de tal maneira que eu fiquei com vontade de desistir da profissão e, no entanto, foi ele que me fez participar nessa aventura que foi o DNA. A Sónia Morais Santos que é uma das melhores jornalistas que eu conheço e além disso é minha amiga do coração. O João Miguel Tavares sempre a puxar por mim, até mesmo quando discutíamos (o que eu dava para tê-lo agora aqui ao meu lado a dizer-me que está tudo mal e que é melhor escrever tudo de novo). O João Pedro Oliveira que é daqueles amigos que vale mesmo a pena ter (embora nunca tenha tempo para almoçar). A Maria Augusta Silva com uma dedicação ao trabalho que hoje já não existe. A Feliciana Ferreira, sempre com um cigarro entre os dedos, a defender cada jornalista e cada trabalho nosso com unhas e dentes. A Sónia Correia com as suas mãos a tremer mas que mesmo assim dá abraços mesmo bons. A Ângela Marques com aquele humor negro e a sua tranquilidade, aconteça o que acontecer. A Sofia Jesus que parecia tão frágil e afinal teve a coragem que mais ninguém teve. A Isabel Lucas que nos maravilhava (ainda maravilha) com os seus textos escritos por entre insónias angustiadas. A Lumena Raposo a adoçar-nos a vida com sacos de gomas. O Humberto Vasconcelos, avô de nós todos, a Zé que perdemos demasiado cedo, o Armando que era igual ao Mr. Big, o silencioso Pedro Sousa Dias, o Daniel que foi meu parceiro no snooker mesmo sabendo que eu não sabia jogar snooker. O José Carlos Carvalho e o Rodrigo Cabrita que são os melhores fotojornalistas e os melhores companheiros de trabalho que se pode ter. O Luís Filipe Rodrigues que por trás daquele cabelo era um cavalheiro. O João Moço que ainda me atura e me leva a dançar quando eu estou deprimida. Tantos outros, a Rita Carvalho sempre tão ponderada, a imparável Cristina Margato, o João Cepeda, a Rute Araújo, a Gisela Pissarra, a Paula Lobo, o Mário Lopes, o Tiago Pereira, a Natacha Cardoso, tantos, tantos, os motoristas que eram os nosso anjos da guarda, o Celso da secretaria que movia mundos para que tudo corresse nos eixos, o Abel que nos guiava no labirinto do arquivo sem se perder, muitos outros, estou a esquecer-me de alguém, com certeza, mas são vinte anos e muitas pessoas, não levem a mal, por favor. E já nem estou a falar daqueles que vão comigo para as torres e com quem vou continuar a construir memórias (por quanto tempo?).

 

Vai ser uma semana difícil, daqui até domingo. É só um edifício, são só paredes. E no entanto. Mesmo que o sorriso se mantenha, há uma tristeza grande por aqui.

dn.jpg(a foto é do Leonardo Negrão, que deve ser a pessoa que mais tem fotografado a redacção do DN, em todas as suas fases)  

publicado às 12:41

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