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Os Trovante foram o primeiro grupo que vi ao vivo, um concerto ao ar livre numas férias em família, em Lagos, era eu uma miúda. Com os anos fomos todos ficando fartos daquele "tu tu ru ru ru" mas esta versão de 125 Azul é, na verdade, bastante audível - eu tirava ali uns gritos da Lúcia Moniz e aquele olhar profundo do João Gil também era perfeitamente dispensável, mas pronto. O Carlão é o maior e tem uma voz do caraças. E, além disso, está a envelhecer como todos nós, está a engordar e até já tem duplo queixo. 

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publicado às 14:54

Estive a ler este texto publicitário sobre uma escola fantástica na zona de Lisboa (Cascais e Restelo) onde os miúdos são incentivados a ajudar a comunidade. Este ano, por exemplo, foram ensinar os velhotes de um lar vizinho a mexer no ipad e também foram ensinar "os miúdos de uma escola próxima a usar os smart boards" que lhes ofereceram. Deu-me vontade de rir. Na escola do meu mais novo, um dos projetos comunitários deste ano foi uma campanha de sensibilização no bairro para que as pessoas não deixem os cocós dos seus cães nos passeios. Os miúdos colocaram cartazes nas montras das lojas, andaram a falar com as pessas na rua e a distribuir saquinhos. Temos de escolher melhor as nossas vizinhanças, suponho.

Também me fez lembrar o Lobo Antunes. Mas isso é capaz de ser do meu mau feitio.

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publicado às 09:27

18
Mai17

Black Hole Sun

Eu não sou do grunge. No tempo em que toda a gente ouvia a música de Seattle eu ouvia os Beatles e o Elvis Preley e os Beach Boys e mesmo quando comecei a ouvir outras músicas, mais do meu tempo, do Chico Buarque aos Pixies, do Tom Waits aos The Cure, do Nick Cave aos Depeche Mode, do Prince ao Caetano Veloso, nunca parei muito naquele rock mais pesado. Eu do grunge gostava das coisas mais calminhas, das baladas, dos unplugged, dos cabelos compridos (ah, dos cabelos compridos eu até gostava, e o Cornell e o Eddie Veder eram uns belos rapazes, pois eram) e das camisas de xadrez. Até posso admitir que gostava de umas quantas músicas dos Nirvana ou dos Soundgarden ou dos Pearl Jam, mas de uma maneira geral não, eu não sou do grunge, tal como não sou do metal nem do punk nem do rock. Dito isto, queria ter tantas notas de 20 euros quantas as vezes que ouvi e cantei nestes mais de vinte anos este Black Hole Sun.

Não faço ideia do que se passou na vida e na cabeça do Chris Cornell para, aos 52 anos, se enforcar na casa de banho de um hotel em Detroit, a meio de uma digressão, mas tenho imensa pena que alguém termine a sua vida assim e não consiga encontrar forças para continuar. Imagino que seja necessário uma pessoa estar mesmo a sentir-se num poço sem fundo.

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publicado às 23:34

Para eu poder ir a Fátima em trabalho foi preciso organizar uma mega-operação familiar. Os meus pais vieram do Alentejo na quinta-feira para ficar com os miúdos e, no sábado à tarde, passaram o testemunho aos outros avós que ficaram com os putos até domingo. Pelo meio, pedi aos pais de um amigo do António que o trouxessem a casa de uma festa de aniversário, na sexta-feira à noite, e a outros pais de outro amigo que o levassem a um jogo de futebol em Sacavém, no sábado.

 

Muitas vezes, no trabalho, ouço bocas dos chefes porque quase nunca estou disponível para viagens ou para trabalhos fora de horas. Às vezes até ouço insinuações de que se calhar estou na profissão errada (o clássico: quando quiseste ser jornalista já sabias como era). Não sei como é que as outras pessoas fazem. Mas por aqui não é fácil. Eu não tenho ninguém com quem partilhar semanas, fins-de-semana, férias, o que seja. O pai das crianças está do outro lado do Atlântico. Os meus pais moram no Alentejo, têm os seus compromissos por lá (inclusivé com outros netos) e já não são propriamente uns jovens. Saírem de casa por duas noites e tomarem conta dos meus filhos irrequietos é, de facto, um esforço enorme para eles. E eles fazem-no sempre que lhes peço. Os meus sogros, que moram em Lisboa e me ajudam sempre que lhes é possível, passam algumas temporadas fora do país e, além disso, também já não são novos e também têm outros filhos e netos a quem dar atenção. Conto com todos eles nos fins-de-semana em que trabalho (de três em três semanas), nos dias em que tenho piquete à noite (duas vezes por mês), quando tenho piquetes de manhã (duas semanas por ano), nos feriados em que tenho de trabalhar. Sei que posso contar com a minha irmã, que está no Alentejo e também tem a sua vida complicada. E quando é mesmo necessário peço a dois ou três amigos especiais que me salvem. Agradeço a todos, do fundo do coração, o que fazem por mim, mas sei que não lhes posso pedir muito mais do que isto. Por exemplo, apenas excepcionalmente peço para que fiquem com os meus filhos por outro motivo que não seja ter de trabalhar. Habituei-me a falhar algumas festas de aniversário, a não ir ao cinema nem a concertos nem beber copos, e também me habituei a levar os meus filhos para jantares, encontros de amigos, para trabalhar e o que mais que for preciso. Isto já para não falar da gestão do dia-a-dia, das actividades extra-curriculares, as festas de anos, as consultas médicas, as reuniões nas escolas, os trabalhos de casa que é preciso acompanhar.

 

Não me queixo. Mesmo. Tenho um trabalho de que gosto e, até ver, não me tenho arrependido das negas que dou aos chefes nem das vezes em que ficaram a mal-dizer-me por não poder ficar na redacção até às nove da noite, da mesma forma que explico tranquilamente aos miúdos que às vezes não é possível assistir a um jogo de futebol ou estar presente numa actividade da escola porque tenho de trabalhar. Mas gostava que as outras pessoas percebessem que isto de não descurar o trabalho e não descurar a casa é uma arte que não é só para quem quer, é sobretudo para quem pode. Para quem tem apoios familiares e para quem tem dinheiro para pagar outros apoios. Lamentavelmente, nem todas somos Assunções Cristas. Na maior parte das vezes, é mesmo necessário fazer escolhas

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Este foi o recado que deixei aos meus pais para que se orientassem nestes dias. Uma pessoa descura, mas não muito.

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publicado às 21:19

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Quando me deitei na minha cama com lençóis lavados na noite de quinta-feira e ouvi a chuva a cair torrencialmente lá fora, pensei nas pessoas que estavam acampadas em Fátima, nas suas tendas frágeis, nos baldes onde tinham que fazer xixi, no banho quente que não iam tomar na manhã seguinte. Quando, terminada a missa de sexta-feira, já a entrar na madrugada de sábado, atravessei o recinto do santuário para ir dormir num quarto de hotel, surpreendi-me com a quantidade de pessoas embrulhadas em sacos-cama, deitadas no chão de pedra, umas encostadas às outras, desafiando o frio e as dores nas costas, preparadas para passar ali a noite.

Porque o fazem?, pergunto-me.

Não sou católica. Não sei bem o que sou mas a acreditar em algo nunca seria em aparições e muito menos em milagres. Faz-me alguma confusão acreditar que um deus ou uma santa se dá ao trabalho de curar as maleitas e os pequenos problemas de algumas pessoas só porque elas acendem umas velas, andam uns metros de joelhos, rezam uns pais-nosso ou umas avés-maria, como quem mete uma cunha (e eu odeio cunhas), e depois esse mesmo deus ignora olimpicamente todos os problemas do mundo e das outras pessoas, incluindo muitas que também rezam, que também são boas pessoas, que também mereciam um milagre. E já nem falo dos negócios em volta das aparições, da exploração da fé de quem ali vai, dos terços, dos santinhos, da água benta. Tudo isso me causa urticária.

Não, Fátima não me toca. A mim o que me toca são as pessoas. Nos últimos dias, falando com os peregrinos que estavam em Fátima, ouvi histórias de quem caminhou centenas de quilómetros durante uma semana e de quem veio de parte longínquas do mundo, vi pés descalços em muito mau estado, encontrei gente que passou dois dias inteiros num banco trôpego num canto do santuário só para rezar com o Papa Francisco. Novos e velhos, homens e mulheres, sozinhos ou em grupo, com bebés, com doenças, com deficiências. Nenhum se queixou. Disseram-me que não era assim tão mau. Ofereceram-me bolinhos de bacalhau e copos de vinho, tem a certeza que não quer, menina? Cantavam, sorriam, aplaudiam, ajudavam-se uns aos outros, davam as mãos. Vi os grupos de peregrinos a chegarem cantando à Capelinha das Aparições, o silêncio que faziam na primeira oração, os abraços emocionados e as lágrimas que poucos continham naquele momento. E depois a alegria nos seus rostos.

Às vezes, não temos que compreender tudo. Não foi Fátima, foram as pessoas que fui encontrando que me deram uma lição de resiliência e de esperança. Que me disseram: somos apenas um grão de areia. E me lembraram que, apesar de sermos assim pequeninos, somos capazes de muito. Basta querer (ou talvez baste apenas crer).

Este texto foi publicado no DN na segunda-feira, depois de ter passado três dias em Fátima a acompanhar a viagem do Papa Francisco. A fotografia foi tirada às 7 da manhã do dia 13 de maio (mas não é por isso que estou com aquela cara de poucos amigos, é mesmo porque me sinto sempre muito ridícula a tirar selfies).

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publicado às 21:03

10
Mai17

Cinco

Penso sempre no Bernardo Sassetti neste dia.

(Sassetti toca Alice)

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publicado às 15:54

No próximo domingo, duas das minhas grandes amigas vão fazer o triatlo.

Eu acho que elas são malucas, obviamente. Só mesmo uma grande dose de loucura faz com que uma pessoa se ponha a treinar durante quatro ou cinco meses para uma prova duríssima como é esta em que se tem de nadar 1,5Km e depois pedalar 45km de bicicleta e depois ainda correr mais 10,5km.

Mas, enfim, são as minhas malucas e eu tenho um orgulho imenso nelas. Porque são ambiciosas e determinadas. Elas impuseram-se um objectivo difícil e têm se esforçado imenso para o alcançar. O treino é intenso e doloroso e obrigou-as a deixar de lado muitas coisas boas e importantes para se dedicarem a isto. Não é um sacrifício, porque elas fazem-no por gosto, mas é um esforço enorme. 

Sobre isto eu tenho uma opinião nem sempre bem entendida: acho que as pessoas que correm maratonas ou que fazem triatlos não são necessariamente melhores do que as outras, o esforço delas é tão valioso quanto o esforço de outras pessoas para fazerem outras coisas que são mais importantes para si. Costumo dizer que cada pessoa corre a sua própria maratona. Cada um tem os seus desafios. Eu, por exemplo, tenho dias em que só de conseguir cumprir todas as minhas tarefas como trabalhadora e mãe e dona de casa acho que merecia uma medalha. Haverá outras pessoas que têm outros objectivos, tão ou mais difíceis do que correr maratonas, noutras áreas bem diferentes. Na verdade, não se trata de uma competição para ver quem é que é melhor. A competição que é verdadeiramente importante é connosco próprios: será que eu consigo superar-me? Será que eu consigo ir mais além? Seja no que for. 

A Sónia e a Lina, as minhas amigas malucas, decidiram fazer este triatlo e eu tenho um orgulho imenso nelas porque sei que estão a dar o seu máximo e estão a superar-se todos os dias. E sei que vão conseguir terminar a prova. Só espero conseguir lá estar, na meta, para ver o vosso sorriso.

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publicado às 17:16

Alguém que me conduza. 

(estou mesmo fartinha de conduzir)

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publicado às 22:21


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