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Luís Severo

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publicado às 14:23

 As Pega Monstro. E este videclipe que é de hoje.

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publicado às 23:57

À tarde, enquanto os miúdos jogavam à bola no terraço, pus os phones nos ouvidos e vi, no computador, The Meyerowitz Stories, filme de Noam Baumbach que entrou diretamente para a lista dos melhores (poucos) filmes que vi este ano. Com Dustin Hoffman no papel do patriarca-artista-maluco-e-intratável da família Meyerowitz, Adam Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel interpretando os filhos e Emma Thompson como a madrasta bêbeda.

À noite, sentámo-nos no sofá e vimos, enrolados nas mantas, um clássico do canal Hollywood: Miss Detective, filme realizado em 2000 por Donald Petrie, com Sandra Bullock como protagonista. Os putos estavam mortos de sono (tinham convidado um amigo para dormir cá em casa na noite anterior e ficaram a conversar e a galhofar até quase de madrugada) mas aguentaram-se bem. Mesmo sem tiros nem pancadaria.

O bom das férias é isto: há tempo para eles, para mim, para nós.

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publicado às 23:19

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1. Guardar uns dias de férias para esta altura do ano.

2. Aproveitar esse tempo precioso para estar com a família. Por exemplo, convidar os primos para virem passar uns dias connosco.

3. Viver por uns dias sem olhar para o relógio e sem estar sempre preocupada com as regras. Temos tão poucas oportunidades para estarmos assim juntos que o melhor é desfrutar, não é?

Claro que é preciso entrar no espírito da coisa. Ter um apartamento cheio de crianças significa que vou partilhar a cama com a minha sobrinha, que vai haver um colchão no quarto dos rapazes, que vai haver roupas e sapatos espalhados pelos quartos e não há maneira de ter tudo sempre arrumado. Também significa que não vou conseguir estar sozinha por mais de dois minutos, nem ver filmes e se calhar nem mesmo ter algum tempo no computador. Significa ir ao supermercado muitas vezes porque é preciso garantir pequenos-almoços, almoços, lanches, jantares e mais petiscos para todos e eles já são crescidos e comem muito e além disso ainda é capaz de aparecer o vizinho e nós gostamos de o ter por cá. Significa cozinhar para esta malta toda ou então levá-los a comer fora e termos de chegar a um consenso sobre o sítio onde vamos (dificílimo) e depois pagar a conta (ui). Significa aceitar que este tempo é para eles. Não é para marcar jantares com amigos nem para comprar presentes. É para eles. Para eles brincarem no terraço mesmo quando está um frio de morte. Para eles jogarem playstation mais horas do que seria aconselhável. Para os deixar ter alguma autonomia, porque é fixe quando estão todos juntos e tomam conta uns dos outros. Para eles conversarem e dizerem as suas parvoíces e aprofundarem cumplicidades que, acredito, ficarão para a vida. Significa também ter de gerir alguns conflitos, dar um grito quando é necessário (yeap, não sou assim tão boazinha) e impor a ordem (por exemplo, mandando desligar os aparelhos quando já é hora de desligar).

Mas acima de tudo significa sermos (e estarmos em) família. E isso é o natal.

E ainda: tivemos uma sorte danada. Quase todas as semanas a minha empresa sorteia bilhetes para o sporting, quase todas as semanas concorro e nestes anos todos nunca ganhei. Mas ganhei esta semana. E, assim, os mais velhos foram ao futebol sozinhos, com direito a camarote e a festival de golos. "Brutal", disseram eles. No final destes cinco dias, o meu sobrinho lindo dizia-me que tinha gostado tanto que esta estadia poderia ser a minha prenda de natal para ele (é verdade, nem todos os miúdos têm uma relação obsessiva com as prendas e não dão valor ao que recebem).

 

* o título deste post é obviamente irónico. eu não dou dicas a ninguém, limito-me a partilhar cenas de que me apetece falar. além disso, não tenho qualquer empatia com essa ideia de que é preciso aprender a "sobreviver" ao natal, como se esta fosse uma época horrível. eu gosto do natal (tenho uma tag natal neste blogue). não stressem e aproveitem a felicidade nas coisas pequenas e tudo correrá bem - essa é a minha única dica.

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publicado às 19:27

No último episódio da segunda temporada de Master of None (desculpem estar a falar outra vez desta série, mas é que é simplesmente espectacular), Jeff, um big boss da televisão, é acusado de assédio sexual por várias colegas de trabalho. O episódio foi lançado em maio deste ano, muito antes do escândalo de Harvey Weinstein, e é impressionante encontrar as semelhanças entre a realidade e a ficção.

Esta é só mais uma prova de que este problema não é recente nem é restrito a uns quantos tipos malucos - não, não é. É uma questão cultural. É o resultado de séculos e séculos de dominação de uma cultura machista. Os homens crescem a achar que é normal comentar o corpo das mulheres que passam na rua, que é normal mandar bocas, apalpar mulheres nos transportes públicos, ou esfregarem-se nelas, é normal olhar os decotes das colegas de trabalho, é normal fazer comentários javardos com colegas de trabalho ignorando a presença de mulheres na sala, é normal oferecer boleias às colegas e aproveitar para fazer avanços, é normal insinuar a uma subordinada que se ela se portar bem até pode ter um aumento, é normal impor a sua presença a uma mulher que já disse que não queria nada com ele, é normal não saber quando parar porque lhe parecia que ela estava mesmo a pedi-las.

Uma coisa verdadeiramente assustadora é ver como, quando as mulheres se queixam de assédio, a maioria dos homens não percebe: não percebe como foi inconveniente, não percebe porque é que não pode fazer aquilo, acha que é tudo normal. "Que mal é que tem?" E isso mostra-nos que ainda temos muito por andar.

O caso de Weinstein é impressionante pela sua dimensão - pela quantidade de mulheres envolvidas; por percebermos que era algo que ele fazia sistematicamente; porque exigia a cumplicidade e até a ajuda de várias pessoas que, aparentemente, achavam tudo normal; pela maneira como ele usava o seu poder no meio audiovisual para pressionar as mulheres (miúdas, na sua maioria), ameaçando a sua carreira. O caso de Louis CK é muito diferente mas é igualmente revelador de como alguns homens só pensam em si e no seu prazer e olham para as mulheres apenas como meio para conseguir alguma satisfação.

Não acompanhei assim com tanta atenção todos os outros casos que foram sendo denunciados e ouvi vários comentários sobre o facto de haver aqui histórias muito diferentes e também diferentes níveis de assédio e de abuso sexual e até poder haver casos em que uma pessoa fique a pensar que se calhar já estamos a exagerar nisto e que juntar no mesmo saco do assédio tanta coisa só vai contribuir para desvalorizar as denúncias realmente graves. Mas a verdade é que estamos sempre a falar do mesmo: de abuso de poder. 

When men use sex to push women into inferior, undervalued, and invisible roles, that isn’t sex; that’s punishment. We must reject the idea that harassment is measured by how sexually violated the victim feels (or how she is told she is supposed to feel). Our conflict is not over sex, or with men in particular or in general, but over power.

Sinceramente, devo dizer que acho maravilhoso que finalmente tenhamos chegado a esta fase de evolução em que as mulheres não têm medo de falar e recusam-se a continuar caladas.

Durante muito tempo, as mulheres sentiam vergonha de dizerem que tinham passado por experiências destas. Como se fosse culpa sua. Eu era miúda quando vi Os Acusados, com a Jodie Foster (1988), e lembro-me perfeitamente de pensar: como assim, dizem que a culpa é dela?, e sentir profundamente a injustiça da situação. Mas é assim que as mulheres crescem. Aprendem a não andar sozinhas na rua à noite porque sentem medo, e só isso já seria um mau sintoma, mas se acontecer alguma coisa a culpa é delas, claro, porque se puseram a jeito. Aprendem a fingir que não é nada quando o marido lhes bate ou as maltrata, porque ele é o marido e elas têm que aceitá-lo como ele é. E acima de tudo aprendem a ficar caladas, para que ninguém saiba, porque, primeiro, ninguém acreditaria nelas, e, segundo, é uma vergonha.

Portanto, sim, é óptimo que finalmente as mulheres deixem de ter vergonha. E acusem. E digam às outras mulheres que não há motivo para ter vergonha. Que têm a razão do seu lado.  

Sim, é importante que as mulheres tenham educação, porque quantas mais ferramentas tiverem melhor se defenderão de todas as formas de pressão e porque saberão exactamente qual é o seu valor, quais são os seus direitos, como devem agir nestas situações.

Sim, é importante que as mulheres tenham autonomia financeira, porque ser independente é o primeiro passo para não se deixar espezinhar. Porque terão opções.

Sim, é importante acusar os homens que abusam do seu poder e da sua posição. Mas é preciso que se perceba que não se trata de uns quantos prevertidos e que nem tudo se resolve mandando-os fazer terapia durante dois meses numa clínica. Esta é uma questão de educação e de cultura (aqui ficam umas dicas, só para começar a mudar algumas atitudes). Que diz respeito a todos nós. E que está muito longe de estar solucionada. 

Para já: "Women are speaking up and they're being believed." E isso faz toda a diferença 

Nestes últimos meses li alguns artigos excelentes sobre este assunto. Alguns que relacionavam esta onda de denúncias com a crise económica e nos media e com a situação política dos EUA e a presidência de Trump. Outros que nos punham a pensar sobre os castigos a aplicar nestes casos. Ou mostravam como toda a gente pactuou com situações destas, talvez até nós mesmos. Ou perguntavam como devemos lidar com a obra dos artistas que são acusados de assédio (um tema fascinante, hei de escrever sobre isto um destes dias). Gostava de pôr aqui os links para alguns desses artigos mas, entretanto, como demorei a escrever este post, fui-lhes perdendo o rasto.

Fica este, que explica porque a revista Time elegeu como personalidade do ano as mulheres que quebraram o silêncio. Com a certeza, porém, de que a procissão ainda vai no adro. O ano está a terminar mas há muito ainda por dizer sobre o assunto.

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publicado às 22:36

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Não fizemos a árvore de natal logo no dia 1, porque eu estava a trabalhar e os miúdos estiveram em casa dos avós, mas, no domingo à noite, tivemos o nosso momento "entrar no espírito de natal" com direito a gorros vermelhos na cabeça e cantorias ao som da Mariah Carey e tudo e tudo. Que venha dezembro, rapidamente e em força, para nos fazer esquecer este novembro horrível que vivemos. Ainda há testes esta semana e trabalhos para terminar no fim-de-semana, ainda não comprei uma única prenda nem tenho grandes ideias sobre o que vou comprar, tenho um orçamento muito muito muito limitado, ah, e ainda tenho de trabalhar, claro, mas, sinceramente, na minha cabeça já estou no Alentejo, a aquecer-me na lareira e a comer pastéis de grão.

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publicado às 09:55

No meio de tanta tristeza, tem sido muito bonito ler e ouvir todos os testemunhos sobre o Zé Pedro. A sua alegria, a generosidade, a disponibilidade para os outros, o entusiamo com músicos e projectos novos, a falta de peneiras, a amizade. Não há muitos músicos (não haverá muita gente) de quem se possa dizer o mesmo. Os que os conheceram  menos bem (como eu) guardarão a música. E aquele sorriso de puto reguila.

Volto aqui. Contentores é a primeira canção que me lembro de ouvir dos Xutos. Passaram-se os anos e se ouvir os Contentores agora é certo e sabido que não consigo não cantar. Eu estive neste concerto no estádio do Restelo, em 2009, e por esta altura estava certamente a gritar e a pular no meio de uma multidão em êxtase. "A carga pronta e metida nos contentores, adeus, ò meus amores que me vou, para outro mundo." 

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publicado às 09:54


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