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29
Abr18

Tenente

Foram quase quatro meses de contactos. Ele tem tanto trabalho que mal consegue ter tempo para uma conversa. Mas eu sabia que queria fazer esta entrevista. E sabia que ainda ninguém tinha contado esta história - de como um dos grandes estilistas nacionais decide abandonar a moda (as lojas, os desfiles, as colecções, as tendências do mercado) e dedicar-se exclusivamente aos figurinos de espectáculos. Foram quase quatro meses a encontrá-lo em ensaios, então?, esta semana?, na próxima?, quando?. Lá conseguimos. A entrevista a José António Tenente foi publicada ontem e eu fiquei contente e até um pouco orgulhosa. Porque ele é uma pessoa muito fixe (já tinha ficado com essa impressão da primeira vez que o entrevistei, há mais de dez anos). Porque se dedica de corpo e alma àquilo que faz. E porque está feliz, e isso nota-se.

Devíamos todos poder trabalhar naquilo que nos faz feliz (mas nem sempre é possível. deal with it. again).

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Fotografia de Gonçalo Villaverde/Global Imagens

publicado às 19:33

A frase é de David Byrne e foi retirada da entrevista que o músico deu ao jornal Público. É uma grande frase. Lembra-nos que devemos aproveitar o bom da vida enquanto por cá andamos.

Foi também a ler esse artigo que descobri o projeto Reasons to Be Cheerful, que é uma espécie de "a felicidade nas coisas pequenas" mas em grande, com uma colecção de coisas que correm bem no mundo e pequenos motivos para estarmos felizes mesmo quando olhamos à volta e parece que o mundo endoideceu e que isto não tem solução. Podem ser notícias relacionadas com a cultura mas também com educação, ambiente, ciência, saúde, energia, cidadania, urbanismo. E há por lá coisas muito inspiradoras. Que nos fazem pensar como também nós podemos fazer deste um mundo melhor, mesmo que seja só aqui no nosso bairro. Lá porque não podemos intervir nas coisas grandes, não devemos desistir de fazer o melhor possível naquilo que está ao nosso alcance.

Aqui está ele a explicar tudo:

 

Dei uma passagem por alto pelas músicas novas de David Byrne, do disco American Utopia, e ainda não fiquei convencida. Mas talvez precise de mais tempo:

 

 

(Já agora, uma curiosidade: foi completamente uma coincidência o facto de ontem estar em casa de manhã a ouvir Talking Heads. Ainda nem sequer tinha lido a entrevista. E não deixa de ser engraçado.)

publicado às 09:30

Talking Heads, Once in a Lifetime

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publicado às 10:54

Foi uma semana cheia de imprevistos, desilusões, coisas más, desmotivação geral, chuva e hormonas aos saltos. Mas também foi uma semana com:

A Marta Gautier a explicar a diferença entre "alfas" e "betas" no espetáculo Pessoas Estranhas.

Almoçar sozinha (entretida com as conversas das outras mesas) a comida bem boa de A Luz Ideal.

As vidas banais da série Easy, no Netflix.

Fazer biscoitos. Molhá-los no leite morno.

Jantar em casa de amigos. Beber vinho. Trocar confidências. Gargalhar.

Cometer loucuras, porque é bom.

O jogo que importa foi ganho pelos nossos miúdos.

Os abraços deles (mesmo quando são umas pestes). 

Um fim-de-semana inteiro quase offline. Neste momento, desligar é a palavra de ordem cá em casa.

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Quando te sentires a perder o pé, flutua. Recupera o fôlego. E continua.

publicado às 22:38

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E isto aplica-se a quase todos os aspectos da nossa vida. 

publicado às 23:11

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Wild Wild Country é um documentário em seis partes (no total são mais de seis horas), realizado por Chapman e Maclain Way, que estreou na Netflix em março. E que eu vi - todo - em menos de 24 horas. Fiquei completamente agarrada. Wild Wild Country conta como, em 1981, um guru indiano, Bhagwan Shree Rajneesh, e o seu grupo de seguidores se instalaram num rancho enorme no meio do nada, em Oregon, EUA, e como aquilo que deveria ser uma comunidade ligada à meditação e à procura da felicidade se transformou no culto das "pessoas cor-de-laranja", gente de armas à cintura e disposta a fazer o que fosse preciso para garantir a permanência no rancho e o poder dos seus líderes. O tema é absolutamente fascinante e o que é estranho é como é que eu, que adoro estes assuntos (e já vi tantas coisas sobre Jonestown, por exemplo), nunca tinha ouvido falar desta desta Rajneeshpuram. 

Há, por um lado, um fascínio, admito, por estes modos de vida alternativos. Tenho tantas dúvidas sobre o nosso modo de vida contemporâneo (ocidental, capitalista, materialista, consumista) que me interessam todas as experiências de pessoas que procuram outros caminhos. É impossível não simpatizar com esta ideia de uma comunidade de pessoas que trabalha e medita em conjunto, longe dos moralismos cristãos (ou de qualquer outra religião) e sem os contrangimentos do sistema. Mas, depois, fico impressionada com a forma como as pessoas abdicam da sua vontade e se entregam totalmente nas mãos dos outros. Como se sujeitam. Todos vestidos da mesma cor, entregando o seu dinheiro ao guru, cumprindo as regras dos líderes sem questionar. O poder do grupo é enorme. A cegueira. Que impede esta multidão de ver como os seus líderes, que ao início até podiam ter a melhor das intenções, não resistem à luxúria do poder e da riqueza pessoal. Ou como a sua comunidade se está a transformar numa réplica daquilo que eles próprios criticavam.

Ao mesmo tempo, e esse é um dos motivos porque este documentário é tão bom, também é muito interessante ver como as pessoas de fora (no caso, a comunidade conservadora, cristã, americana, branca de Antelope, no Oregon) reage perante o desconhecido. Todos os preconceitos. E o medo do sexo, claro, é sempre o sexo: ouvem dizer que "as pessoas cor-de-laranja" não casam, que podem ter relações com quem quiserem, que andam nus. E essas pessoas muito respeitadoras de deus não podem tolerar tamanha degradação dos costumes. O habitual, portanto.

Usando muitas (e preciosas) imagens de arquivo e entrevistas actuais a pessoas que viveram dentro e fora do rancho (com destaque para a misteriosa Ma Anand Sheela, a secretária do guru), Wild Wild Country é, mais do que um documentário sobre o culto de Bhagwani, uma reflexão sobre a utopia e o confronto com a realidade. A luta entre duas comunidades, a escalada de violência e o que é que se está disposto a fazer para ganhar. Sobre a ganância e a perda de limites. E aquela ténue linha que separa o certo e o errado. 

publicado às 09:21

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Obra de Dave The Chimp que está no Urban Nation (Berlim).

Dois bons conselhos. Para a vida em geral e para os jornais em particular.

publicado às 09:51

E, só para terminar, mais coisas fixes em Berlim:

1. Depois da viagem de avião, do autocarro e do eléctrico, estava eu a puxar o meu troley em direcção ao hotel onde iria ficar instalada quando vi uma placa que anunciava "books & bagels". Irresistível, não é? Shakespeare and Sons é uma livraria mas é também um sítio óptimo para comer. Bom ambiente, empregados simpáticos, janelas grandes, montes de livros que podemos folhear enquanto almoçamos. Fiquei fã.

2. O Urban Nation abriu em setembro passado e é um dos poucos museus do mundo dedicado à arte urbana. Não é muito grande mas tem peças de alguns dos artistas mais conhecidos, incluindo duas obras de Vhils. Eu gostei bastante. A entrada é livre. E esta foto foi tirada na casa-de-banho, onde todos nos podemos tornar artistas.

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3. Se há coisa boa em Berlim é a quantidade de sítios onde se pode comer comida do Médio Oriente e, acima de tudo, da Turquia. Consegui experimentar o Knofi que é um dos melhores restaurantes do género (na verdade são dois, um de cada lado da Bergmanstrasse) e apesar de os preços serem um bocadinho acima da média, aconselho-vos a irem e a levarem muita fome para poderem provar de tudo um pouco.

4. Na verdade, provar comidas diferentes e encontrar sítios simpáticos para me sentar a tomar um café é um dos meus grandes prazeres quando viajo. Nestes dias, tive ainda oportunidade de me sentar a fazer uma entrevista num café bem agradável, o Happy Baristas; e não resisti a uma baked potato à moda turca no Heimweh (foi uma pena não poder ficar lá a jantar mas tinha um trabalho marcado por isso levei a batata comigo). Também comi uns quantos pretzels e só não me aventurei nas currywurst porque não sou grande fã de salsichas.

5. Queria muito ter visitado o Museu da RDA mas a fila para entrar era enorme e, espreitando, percebi que lá dentro a confusão era grande, mal havendo espaço para circular. Terá de ficar para uma próxima viagem a Berlim, portanto.

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publicado às 09:47

Dois sítios de que gostei muito em Berlim: o Memorial do Holocausto e o Museu Judaico.

Visto de fora, o Memorial do Holocausto parece um enorme cemitério com pedras de diferentes tamanhos. Quando começamos a penetrar por entre aquelas ruelas é impossível não nos sentirmos cada vez mais pequenos, quase a sufocar por entre as 2 711 pedras, muitas delas gigantes. A certa altura, dei por mim sozinha lá no meio e senti-me um pouco insegura. A experiência daquele lugar depende muito do tempo que se tem e daquilo que se quer fazer. Se vamos lá só para tirar uma fotografia e pronto (o Google Maps avisa-nos logo que temos ali grande oportunidade fotográfica). Ou se queremos mesmo pensar no que foi o Holocausto e olhar para aquelas pedras como urnas que representam os muitos judeus mortos na Europa. Não visitei o centro de informação porque nesse dia tinha um compromisso (ah, pois, eu fui lá trabalhar, não nos podemos esquecer), mas só a parte exterior é uma experência e tanto.

Acontece o mesmo com o Museu Judaico. O edifício concebido pelo arquitecto Daniel Libeskind é um convite à reflexão. Anguloso, inclinado. Sempre a colocar o visitante num lugar de desconforto. De auto-consciência. Ao longo da exposição "Cinzas do Holocausto" vão sendo contadas pequenas histórias de judeus perseguidos, através de objectos (cartas, fotofgrafias, etc.) que sobreviveram aos seus donos. Esse caminho em rampa leva-nos até à "Torre do Holocausto": uma torre enorme, praticamente sem luz, gelada, negra, um espaço de silêncio ocasionalmente interrompido por ruídos vindos da rua, uma experiência tanto mais avassaladora se nos acontecer ficarmos lá sozinhos. Há ainda o "Jardim do Exílio", que evoca a experiência dos que conseguiram fugir. E, noutro andar, a instalação "Shaleket", de Menashe Kadishman: o chão coberto de rostos assustados, que os visitantes podem mexer e pisar, provocando um ruído ensurdecedor. O último piso do museu estava encerrado porque a exposição permanente estava a ser mudada. A entrada custa 8 euros. Eu não paguei, mas pagaria. Sinceramente, vale muito a visita.  

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publicado às 10:24


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