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27
Set18

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Recebo avisos no mail: as (poucas) pessoas que seguem esta página já não sabem de mim há demasiado tempo. Não dá para não sorrir. Eu própria já não sei de mim há algum tempo, engolida todos os dias por preocupações e afazeres vários. Se não fosse assim nem seria um setembro digno desse nome. 

Há cinco anos publiquei aqui esta imagem. É impressionante como, entretanto, tudo mudou e nada mudou.

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publicado às 22:18

"Dança o teu azar
enterra-o por aí
Vem passar por dentro
da tempestade
Lança-te a voar
nada como abrir
as asas ao vento
e aprender a cair"

Tempestade, a nova canção de Márcia

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publicado às 15:37

Recomeçámos. Despertador. Aulas, explicações, treinos, festas de anos, jogos de futebol, trabalhos de casa, trabalhos de grupo, testes. Estou a tentar levar isto com calma. Mesmo. E a primeira semana correu com tranquilidade. Apesar dos nervos do Pedro que agora está na escola dos grandes, onde tudo é novo. Apesar dos avisos ao António para ver se aquela cabeça atina. Apesar das queixas dos miúdos que acham uma injustiça tremenda não poderem jogar Fortnite durante a semana. Cá vamos. Sem grandes dramas, para já.

Na semana passada tive oportunidade de conhecer duas famílias que optaram pelo ensino doméstico e confesso que tive um pouco de inveja. Claro que eu nunca seria capaz de fazer uma opção dessas - porque de facto eu não seria feliz a ensinar os meus filhos em casa e porque gosto muito do meu trabalho (já nem falo da parte financeira da coisa) - mas senti uma certa inveja da falta de pressão, do modo como aqueles miúdos estudam sozinhos, da curiosidade que têm pelo mundo, de não terem de ficar sentados a ouvir um professor durante tantas horas por dia.

O ideal para mim não seria o ensino doméstico mas seria ter uma escola melhor. Cada vez mais me convenço que esta escola que temos não presta. Está ultrapassada. Não é boa para os miúdos. Não lhes ensina as coisas que realmente importam. E, sim, os meus filhos podem não ser grande exemplo, mas eu digo que esta escola não é boa até mesmo para os bons alunos, aqueles que se portam bem e se esforçam e tiram boas notas - e ainda assim penso que é um desperdício que passem tanto tempo em explicações e a decorar coisas com nomes complicadíssimos quando poderiam estar a aprender a pensar e a perceber o mundo. Se a maioria dos alunos precisa de explicações extra para conseguir tirar boa nota a matemática, e mesmo assim com que dificuldade, é porque algo está mesmo muito errado na escola que temos. Isto acontece não tanto na primária, onde há escolas públicas e privadas realmente boas, mas sobretudo do 5º ao 9º ano (ainda não tenho conhecimento suficiente sobre o secundário para me poder pronunciar), onde as metas, os currículos, as matérias, a organização da escola, tudo é demasiado rígido e demasiado formatado e demasiado burocrático. Demasiado antiquado e chato. Demasiado castrador das qualidades e potencialidades dos alunos. E até demasiado inútil.

A propósito, leiam este texto que levanta muitas questões pertinentes.

Mas, bom, aqui estamos. No início de mais um ano lectivo e sem grande opções à vista.

Respiremos fundo. 

Darei o meu melhor, como sempre, para fazer com que isto resulte.

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Baby Blues, claro.

publicado às 19:44

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A editora Minotauro está a reeditar a obra de Maria Judite de Carvalho (1921-1998) e eu, que sabia muito pouco sobre esta autora, fiquei curiosa e decidi levar o Tanta gente, Mariana para ler na praia. Não me arrependi. Ali estão as mulheres de um outro tempo - confinadas à casa, subjugadas a uma moral machista e a um poder masculino, tantas vezes imersas numa solidão que não ousavam confessar, frustradas nos seus desejos. De um outro tempo, disse eu? Felizmente, sim. Mas, ao mesmo tempo, reconhecemo-nos (a nós, às nossas mães, às nossas avós) ainda tanto nelas. Congratulei-me por todas as conquistas que entretanto fizemos mas não pude deixar de me entristecer ao perceber que ainda somos tantas vezes mulheres caladas, escondidas, envergonhadas. 

Por estes dias li também Florinhas de Soror Nada, de Luísa Costa Gomes, que de uma maneira completamente diferente acaba por nos falar do mesmo - do modo como a religião e a educação se têm ocupado a incutir na mulher uma vergonha do corpo e do prazer.

É por isso que todos deveriam ler Querida Ijeawele - Como educar para o feminismo, de Chimamanda Ngozi Adichie. Trata-se de uma carta escrita pela autora nigeriana para uma amiga grávida com conselhos para a educação da rapariga que aí vem. Não traz nenhuma novidade para quem já anda a pensar nestes assuntos, mas tem a vantagem de sistematizar aquilo que andamos a dizer e de servir como um reforço do que já eram as minhas convicções.

Não foi de propósito que escolhi estes livros para ler nas férias mas não deixa de ser sintomático que se tenham juntado todos na minha mala de viagem. 

publicado às 13:22

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Estamos cá todos. Os putos crescem. Há sorrisos e partilhas e desafios e abraços e colos (e algumas birras também) e tudo o que faz uma família ser a nossa casa. 

Ontem o pai fez 72 anos. Hoje voltamos à nossa rotina. A felicidade também é isto.

publicado às 13:00

08
Set18

Sapatos novos

Voltámos das férias para comprar sapatos. Literalmente. No primeiro dia, o António foi ao treino de futebol e, a meio, teve de tirar as meias porque lhe começaram a doer os dedos dos pés. Isto numas chuteiras compradas em fevereiro e que na altura até eram mais para o grande. Mas não são só os pés que estão maiores. Também a roupa deixou de servir e obrigou-nos a arrumações profundas das gavetas e armários. Eles estão mais altos, mais esguios, mais crescidos de muitas maneiras. Este verão deliciei-me a vê-los de longe a brincar e a conversar com os amigos, a saltar ondas grandes e a deslizarem por escorregas gigantes, saindo de casa sozinhos para ir às compras ou para comer um gelado, ficando em casa sozinhos sem quaisquer problemas. As férias são também momentos de grande liberdade. Em que, todos juntos, em bando, os miúdos exploram o mundo à sua volta, seja a jogar às cartas num quarto no último andar da casa ou num passeio até ao fundo da praia - sempre cada vez mais longe dos pais. Mais independentes - para o bem e também para o mal, pois claro. Adoro vê-los crescer na mesma medida em que me assusta pensar em tudo o que pode correr menos bem. Além disso, como acabei de descobrir, os sapatos tamanho 40 são muito mais caros do que os 38.

publicado às 19:18

04
Set18

Amor de verão

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O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

publicado às 23:36


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