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31
Out18

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Encontrar todos os dias um motivo para rir.

publicado às 08:33

30
Out18

"Bolsonado"

- Mãe, sabias que o Raul Solnado foi eleito presidente do Brasil?, anunciou o Pedro, de 10 anos, na segunda-feira de manhã.

Do outro lado da mesa da cozinha, o António levantou os olhos da taça de cereais e respondeu: - Quem? Mas esse não é o da guerra?

Ri-me tanto.

Agora, experimentem dizer Raul Solnado em voz alta e depressa e digam lá se não é parecido.

publicado às 22:37

Sexta-feira. Uma amiga com quem partilhar as angústias e as alegrias.

E um gin tónico de pijama.

Sábado. Uma amiga com quem partilhar um filme sobre o amor, A Star is Born.

E esta canção:

Bradley Cooper e Lady Gaga, Shallow

Domingo. Uma amiga que me dá abraços bons.

Um concerto para me aquecer a alma.

E esta canção:

Tribalistas, Sem você 

Há sempre coisas boas a acontecerem. Todos os dias. Só temos que estar atentos. 

E as coisas más a gente esquece.

publicado às 08:55

17
Out18

Circo

Tenho cada vez menos paciência.

Para pessoas que não me interessam. Para conversas que não me interessam. Para trabalhos que não me interessam. Para coisas em geral que não me interessam. Tenho cada vez menos paciência para multidões. Para os restaurantes da moda. Para a moda em geral. Para os eventos a que toda a gente vai. Para o facebook. Para o instagram. Para os blogues. Para os lives em todas as plataformas. Para as polémicas nas redes sociais. Para os likes. Para os grupos no whatsapp. Para o ruído. 

Tenho cada vez menos paciência para todo este circo.

Só me resta perceber se isso é sinal de grande maturidade ou de grande depressão.

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publicado às 19:13

13
Out18

Da beleza

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Sentada na plateia, a deliciar-me com o espetáculo Os seis concertos brandeburgueses, de Anne Teresa de Keersmaeker, pensei na sorte que tenho. Por poder desfrutar de tamanha beleza. Por poder ficar ali, durante duas horas, a ouvir a música de Bach (tocada ao vivo por uma orquestra, o que faz toda a diferença) e a deixar-me levar pelos movimentos dos bailarinos. Maravilhosos. 

Era exactamente aquilo que eu precisava ontem à noite.

A semana foi horrível. Discussões com os putos, trabalho merdoso, angústias várias, aquela sensação de que estou a fazer tudo errado (é oficial: o efeito das férias já passou, estamos de volta ao momento em que estávamos antes de junho). E a culminar: antes de ir para a Culturgest, passei num velório, para dar um beijinho a um amigo que acabou de perder a sua pessoa. 

Só me apetecia fugir.

E depois isto. Deixar-me ir. A tensão a desaparecer do corpo e o sorriso a instalar-se na cara. Sim, sou mesmo uma pessoa com sorte. Mas às vezes esqueço-me.

mais uma sessão esta tarde, às 19.00. Aproveitem.

publicado às 09:48

 Eels, I need some sleep

 

(não é fácil, pois não, mas é mais fácil hoje do que era há uma semana.)

publicado às 11:25

03
Out18

Deixa andar

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(e o difícil que isto é?)

publicado às 09:12

“Vais escrever sobre mim?”, perguntaste pouco depois de nos conhecermos, quando descobriste o blogue. Expliquei-te que nunca escrevo sobre determinados assuntos, pelo menos não abertamente. Os meus aires e desaires amorosos ficam reservados ao grupo de amigos que não sabe da minha vida por aqui.

“Um dia vais escrever sobre mim, vais ver”, disseste, confiante, como tu és. Como quem diz: um dia vou ser tão importante para ti que não vais ter como não o fazer. Ri-me. “Duvido", respondi. E cá dentro pensava: não vai acontecer.

*

O nosso encontro foi como um filme. Soubemos logo que nos íamos apaixonar perdidamente, ao mesmo tempo que soubemos que seria uma paixão sem futuro. Arriscámos vivê-la, ainda assim. Cada dia, uma vitória. 

*

Se eu achasse que todas as coisas acontecem por um motivo diria que nos encontrámos porque precisávamos de voltar a acreditar.

Tu precisavas de voltar a acreditar nas pessoas. Acreditar que nem todos são traidores, prontos a apunhalar-te pelas costas. Que há pessoas que apenas querem viver e sorrir e ser felizes com os outros. Que há pessoas que podem ser portos-de-abrigo. 

Eu precisava de voltar a acreditar que, algures, por aí, ainda há pessoas que me fazem perder o chão. Já começava a duvidar. A última vez que me tinha sentido assim já tinha sido há tanto tempo. (E é tão bom perder o controlo da situação, de vez em quando.)

*

A paixão torna-nos vulneráveis. A primeira vez que me fizeste chorar odiei-me por ter permitido que te tornasses assim tão importante.

Mas será possível ser de outra forma?

É melhor sentir e sofrer do que não sentir nada.

*

Este post foi sobre ti. E este ("eu sou o do beijos, não sou?", adivinhaste). E este também. E ainda este. E mais este. E finalmente este.

E então? Porque há de ser tudo velado? Porque não hei de escrever mesmo sobre ti? Medo do quê? Vergonha de quê? Quero lá saber o que as pessoas vão pensar.

Tinhas razão.

Este post é sobre ti, Pedro.

Para que nunca nos esqueçamos que nos encontrámos. Que foi muito bom. Que foi importante. Aconteça o que acontecer. Isto já ninguém nos tira.

E também para poder pôr aqui esta música, que é tão bonita:

Pulp, Something changed

"Life could have been different but then Something changed"

publicado às 23:59


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