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2006

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2015

Hoje o António fez 15 anos e caiu nas escadas do prédio. No hospital, onde fomos só por prevenção, para termos a certeza que as dores eram só dores e não havia ossos partidos, disseram-nos que ele já não podia ir para as urgências pediátricas, que aos 15 já se vai ao médico dos crescidos. E foi ali, enquanto pagava 40 euros para esperar uma hora e meia por uma consulta de 10 minutos e sair de lá com uma receita de benuron e emplastro para as costas, que olhei de esguelha para o meu filho, um magricelas da minha altura com a cara cheia de borbulhas e os olhos permanentemente enfiados no telemóvel, e quase me emocionei. Quinze anos, caramba. E eu ainda tão à nora como quando o trouxe para casa da maternidade e mal sabia trocar uma fralda. Quinze anos, caramba. E ele ainda com o mesmo sorriso maroto. Tão lindo o meu filho de quinze anos. É uma peste, claro. Mas é a minha peste. O amor que temos pelos filhos é das coisas mais inexplicáveis e extraordinárias do ser humano.

publicado às 23:44

1. Roma

2. BlacKkKlansman

3. Vice

4. The Favourite

5. Green Book

6. A Star is Born

7. Bohemian Rhapsody

8. Black Panther

Com um sprint final, esta tarde e em modo ilegal (mas foi o único), este ano consegui ver os oito filmes nomeados na categoria principal. Não tenho qualquer dúvida de que Roma é o meu filme preferido e que Black Panther foi, como é óbvio, aquele de que menos gostei (ou não fosse eu uma pessoa pouco dada a fantasias e super-heróis). Ali pelo meio, a ordem não é rígida. O Bohemian Rhapsody não me tocou e olhem que eu até gosto de biopics. Fiquei agradavelmente surpreendida com A Star Is Born, com a realização do Bradley Cooper e com a interpretação da Lady Gaga, mas a historiazinha é tão cheia de clichés e aquele final é tão lamechas que não se aguenta. O Green Book tem duas óptimas interpretações (Viggo Mortensen e Mahershala Ali) e até saí do cinema feliz mas à medida que me fui distanciando da história senti que era apenas um filmezinho agradável. Gostei muito do The Favourite e elas são as três excelentes (Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz) - se o tivesse visto noutro dia e noutras circunstâncias talvez tivesse ficado rendida, hoje tive dificuldade em relacionar-me com as personagens que me pareceram demasiado caricaturais. O Vice foi uma surpresa, não estava nada à espera que fosse tão divertido. E, sim, é muito engajado e temos que dar o desconto. Mas eu gosto muito daquela aliança entre filme-denúncia e paródia de si mesmo - que é algo que o Spike Lee também tem. BlacKkKlansman é um grande filme. Mas não tão grande quanto Roma. Acho mesmo que Roma é um daqueles filmes que vai ficar para a história do cinema. Pelo menos, na minha história do cinema vai.

E agora vamos dormir que já são horas e eu já não tenho (na verdade, nunca tive) idade para ficar acordada até de madrugada só para saber quem leva estatuetas para casa.

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Só para terminar, uma fala de A Favorita que me ficou na cabeça:

"I don't lie. That's love."

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publicado às 23:03

12
Fev19

Com o coração

Saber de cor um texto é sabê-lo "by heart", dizem os ingleses. Com o coração.

No sábado voltei a By Heart, o espetáculo de Tiago Rodrigues. Tinha-o visto há quatro anos e nessa noite saí do teatro com a certeza que queria voltar a vê-lo. Esperei pacientemente. Assim que soube desta apresentação única comprei os bilhetes à maluca. Como se conseguisse prever a minha vida com mais de um mês de antecedência. Calhou num fim de semana de trabalho, o António tinha um jantar de aniversário, o Pedro teve de ficar um bocadinho em casa de um amigo, a minha companhia cortou-se à última hora, eu estava exausta. Podia ter corrido tudo mal. Mas não. Embora já sem o factor surpresa, foi tão bom como da primeira vez. Se houver outra oportunidade, quero lá estar, de novo, para aprender de cor o soneto 30 de Shakespeare. By Heart é um espetáculo sobre a memória e o esquecimento. E sobre aquilo que realmente importa: aquilo que está dentro de nós. Além disso é uma experiência de partilha - partilha de histórias, de risos, de lágrimas, partilha de palco, de coisas para pensar, de afectos.

A vida vai torta por estes lados, de maneiras várias e com grande dificuldade em endireitar-se. Mas. Sair de uma sala de espectáculos feliz continua a ser uma das melhores coisas do mundo. 

publicado às 09:06


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