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O maior desafio da maternidade? Uma pessoa acha que nada pode ser pior do que aqueles primeiros dois meses depois do nascimento do primeiro filho em que a sua vida se virou de pantanas, em que está exausta e com as hormonas aos saltos e só quer dormir uma noite inteira sem ter que dar de mamar nem trocar fraldas. Depois uma pessoa acha que nada pode ser pior do que separar-se e ficar sozinha com dois filhos pequenos e de repente ter que ser mãe e pai e correr de um lado para o outro para apagar todos os fogos e nem sequer ter um colo aonde desabar ao final do dia. E depois chega a adolescência e, juro-vos, nada é pior do que isto, assim ao nível do cansaço mental, do desespero de nos sentirmos umas completas incapazes na tarefa de educar um filho e do consequente sentimento de culpa. Os últimos dois anos têm sido, sem dúvida, o maior desafio da minha carreira como mãe. E o pior é que vai continuar e, provavelmente, ainda vai piorar, porque a adolescência do primeiro está longe de terminar e, entretanto, o segundo já dá sinais de se querer armar em adolescente. 

Não está fácil.

Uma vez que não há teenblogs, como há babyblogs, isto de ser mãe/pai de adolescentes acaba por ser muito solitário. Aqui estamos nós, apavorados com o que nos está a acontecer, mas achando que somos os únicos a passar por isto, que todos os outros pais estão felizes e contentes e só nós é que nos sentimos miseráveis. Visto de fora, a mim parece-me sempre que os filhos dos outros dão muito menos chatices do que os meus. 

É por isso que me sinto mais apaziguada quando encontro alguns artigos que me ajudam a desdramatizar um pouco os meus problemas - que, vendo bem, não são assim tão graves - e me dizem que isto que está a acontecer com o meu filho e comigo é, afinal, algo bastante normal.

Por exemplo, estes artigos:

Be prepared, give them space, let them fail: how to survive the terrible teens (no The Guardian)

Jaume Funes: "Educar um adolescente é dar-lhe autonomia e fazê-lo aprender a gerir riscos" (no DN)

Claro que as dúvidas e as preocupações continuam cá todas. E as respostas tortas dele e as discussões entre nós também. Mas ao menos, ao ler isto, não me sinto a pior mãe do mundo. E até consigo reconhecer que estou a fazer algumas coisas bem feitas e que, a seu tempo, hão de dar os seus frutos (hopefully).

E, assim, continuamos na luta. Nesta montanha-russa.

publicado às 22:13


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