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27
Jan20

Nunca esquecer

Hoje é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Passaram 75 anos e, por mais que veja filmes e imagens e descrições, continuo a sentir-me chocada com a maldade e a violência dos nazis. Estas imagens são particularmente chocantes. Por isso mesmo, são tão necesárias. 

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publicado às 12:21

25
Jan20

A Amiga Genial

Estive a ver a série Amiga Genial (HBO), baseada no primeiro livro da tetralogia de Elena Ferrante, e tenho mixed feelings. Por um lado, gosto muito da imagem em tons pastel. Gosto do bairro. Gosto de Nápoles e de Ischia. Gosto dos actores, que correspondem bem àquilo que imaginámos quando lemos os livros. Acho que a adaptação está correcta, é claro que faltam alguns pormenores mas seria impossível pôr tudo na série e o essencial está lá, quem não leu os livros não sentirá falta de nada e penso que consegue captar a complexidade daquela amizade e daquelas cabeças. Mas (e este é um grande mas) apetece-me abanar aquelas duas. Falta-lhes vida. Faltam-lhes risos e palavras e espontaneidade. Sobretudo quando crescem. Parece que estão sempre demasiado pensativas, de braços caídos, de olhar no infinito. Quase sempre inexpressivas. Isso não acontece com as outras personagens, só com Lila e Lenù, por isso penso que seja intencional. Mas tenho alguma dificuldade em vê-las como miúdas normais, que eram, com aquela postura. E é uma pena porque o resto está mesmo tudo tão bem.

Dito isto, se houver mais episódios eu irei vê-los, claro.

publicado às 19:50

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1917, o novo filme de Sam Mendes, ganhou os Globos de Ouro para melhor filme e melhor realizador e está nomeado para dez Óscares. Os prémios, só por si, não são garantia de nada. Pelo menos para mim. O que me faz gostar ou não gostar de um filme são coisas às vezes tão subjectivas (e até emocionais) que é óbvio que nunca poderia ser crítica de cinema. Mas, ainda assim, há coisas que me encanitam. Por exemplo um crítico que dá uma estrela a 1917. Uma singela estrela. Não são as três do suficiente nem sequer as duas do medíocre. É mesmo só uma a dizer que este filme é dos maus. Às vezes acho que os críticos de cinema deviam ir mais vezes ao cinema. A sério. Deviam ver mais filmes maus, mais filmes variados, mais filmes banais, mais filmes comerciais que é para depois poderem relativizar um bocadinho. Um crítico que dá uma estrela a 1917 dá o quê ao Vingadores: Endgame? Ai, espera, os críticos sérios não foram ver o Vingadores. Então e ao Homem Aranha: Longe de Casa? Parece que também "não existem votos dos nossos críticos" para este filme. Pois. E depois admirem-se que a malta queira saber cada vez menos do que dizem os críticos. 

Mas, bom, estou a desviar-me do meu assunto.

Portanto, os críticos foram ver o 1917 e houve quem gostasse muito, pouco ou nada.

Eu também fui ver 1917 e gostei. Não acho que seja uma obra-prima. Mas acho que é um filme bastante bom. Muito bem feito. Muito bonito. Com bons actores (não conhecia este George McKay). Não é aborrecido. Para mim, melhor do que Dunkirk. Para mim, mais surpreendente do que O Herói de Hawksaw Ridge. É uma espécie de O Regaste do Soldado Ryan só que passado na Primeira Guerra Mundial - e isso é uma vantagem porque não há assim tantos filmes bons sobre esta guerra e1917 pode muito bem servir como aula de história para mostrar aos miúdos como eram as trincheiras. Peca, talvez, por ter uma história demasiado óbvia e alguns momentos lamechas e absolutamente dispensáveis (estou a lembrar-me da cena do bebé). É aquele lado hollywoodesco que tanto irrita os críticos. Mas não acho que seja péssimo. E, embora não seja o meu preferido, não me admiraria nada que ganhasse alguns Óscares.

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publicado às 20:52

18
Jan20

"A Despedida"

Há filmes que nos devolvem a esperança na humanidade. Como A Despedida, de Lulu Wang. Apesar de o tema ser um bocadinho triste - os elementos de uma família chinesa decidem não contar à avó que ela está a morrer com cancro nos pulmões e, em vez disso, inventam o casamento de um dos netos para justificar virem dos sítios onde estão (EUA, Japão) e durante alguns dias reunirem-se todos em família, fazendo a avó feliz - este é um filme cheio de amor. No fim de contas (e no fim da vida), é isso que importa, não é?

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publicado às 09:58

image.jpgSão dois pequenos livros de banda-desenhada, intitulados Gravidez e Quotidiano de Luxo, de autoria de Júlia Barata, e que falam de ninharias, ou seja, da vidinha de todas nós, as que fazem contorcionismo entre a vida e o trabalho e os filhos. Porque não podemos perder a capacidade de rirmos disto tudo e de nós mesmos, ainda quando parece improvável que o façamos. Explico tudo AQUI.

publicado às 20:07

Não sou grande consumidora de séries mas estou em crer que desde que Charlotte e Miranda nos mostraram as maravilhas do Rabbitt, na quinta temporada de Sexo e a Cidade, que uma série não falava tão abertamente de masturbação feminina como acontece na primeira temporada de Fleabag. Só por isso esta série já merecia um pouco atenção. Mas a verdade é que Fleabag faz muito mais do que isso pois fala de mulheres e de sexo sem complexos, com inteligência e com humor, o que é uma verdadeira raridade.

A criadora de Fleabag é Phoebe Waller-Bridge, atriz e argumentista britânica que tem agora 34 anos. Tudo começou como um pequeno solo de stand-up comedy que depois deu origem à primeira temporada de uma série sobre uma mulher independente e solteira, em Londres, as suas angústias, os seus desejos, os seus falhanços, as suas paixões, as suas tristezas e a relação com a família - a irmã e o cunhado, o pai e a madrasta. Ela é daquelas pessoas a quem corre sempre tudo mal, mas também é daquelas que consegue (quase) sempre desenrascar-se. Com inúmeros defeitos mas por quem nos apaixonamos ao primeiro sorriso. A primeira temporada estreou em 2016 na BBC e o sucesso foi enorme, pelo que a segunda temporada estreou em 2019. Ambas estão disponíveis em Portugal no serviço da Amazon Prime. Cada temporada tem seis episódios com menos de 30 minutos, o que significa que esta é a série ideal para uma noitada de binge watching. É quase impossível parar, garanto-vos.

Fleabag foi nomeada para vários vários prémios, e ganhou alguns deles, incluindo Emmys e Globos de Ouro, o último dos quais na semana passada para a melhor atriz, Phoebe Waller-Bridge. Apesar disso, ela já garantiu que não vai haver terceira temporada pois não vê como poderá ser mais criativa e levar mais longe as premissas da série (por exemplo, os apartes da personagem, que "conversa" com os espectadores). Apesar de ter imensa pena de não ter mais episódios para ver, espero que mantenha a sua decisão. É que a série, tal como está, é tão boa, com as doses certas de humor e drama, emoção e sexo, reflexão e palhaçada, que era bem provável que ficássemos desiludidos com a continuação. 

Fleabag significa espelunca (se for um lugar) ou de má reputação (se for uma pessoa). Não se deixem enganar pelo título. Para mim, é mesmo do melhor que há por aí.

Podia deixar aqui o trailer, mas prefiro deixar-vos esta pérola sobre a menopausa (e sobre isto de ser mulher) por Kristin Scott-Thomas, num dos episódios da segunda temporada:

publicado às 18:23

06
Jan20

Joker

Andei a adiar. Porque tenho um bocadinho de mau feitio e quando toda a gente anda a dizer muito bem (os críticos, os amigos, a malta do facebook, toda a gente) eu começo a desconfiar. Mas também porque, por aquilo que fui lendo, já previa que eu não fosse delirar.

Não me interpretem mal. Joker é um grande filme. Muito bom mesmo. O Joaquin Phoenix merece todos os prémios que lhe derem e os outros que não lhe derem. E o filme não é só bom por causa dele. Aquela Gotham City que é tal e qual a Nova Iorque dos anos 80 e que é tal e qual uma cidade qualquer do nosso tempo é um retrato perfeito dos males, das injustiças e das incongruências da sociedade. Quase conseguimos sentir o cheiro do lixo que se acumula nas ruas. Depois há o riso. Aquele riso de Arthur, tão despropositado e incontrolável, tão desconfortável ao mesmo tempo. O riso triste dos palhaços. O riso forçado dos espectadores do talkshow. O riso falso do candidato a presidente da câmara. Há a pobreza. A riqueza. A corrupção. A frustração. A degradação. O espectro da doença mental. O bullying.  A solidão. A marginalidade. A loucura. A maldade. O que fazer quando se está completamente sozinho no mundo? Onde está a sociedade que nos devia amparar quando alguém se afunda na sua própria tristeza e loucura? Essas são perguntas que não podemos deixar de fazer. E está tudo muito bem filmado e muito bem feito. Não sendo um filme realista, mesmo quando é claramente exagerado não chega a ser cartoonesco (não, isto não tem nada a ver com o mundo de Batman e isso, para uma espectadora como eu, só pode ser bom).

Ainda assim, eu gostei bastante de Joker mas não achei que fosse um murro no estômago (leiam AQUI um texto interessante do Vítor Belanciano sobre isso). 

Além disso, gostei bastante de Joker mas com um distanciamento. É que, gradualmente, ao longo do filme, vai-se impondo a ideia de que a injustiça social pode servir de justificação para a violência. E essa é uma ideia que me afasta. A injustiça social é justificação para muita coisa - para a falta de educação, para a falta de oportunidades, para a pobreza, para um sentimento de revolta - mas, para mim, não pode servir de justificação para assassínios e para a violência indiscriminada. Mesmo que o seja só na cabeça dele.

E ainda estou a decidir se perdoo ao Todd Phillips por ter usado o tema That's Life, do Frank Sinatra, que assim ganha um sentido completamente diferente daquele que eu lhe dava...

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publicado às 08:25

05
Jan20

De dez em dez

Um exercício narcísico para começar o ano. Não foi fácil encontrar fotos em que estou sozinha, mas lá consegui. Aqui estou eu, de dez em dez anos, sem filtros. 

1980 (just a kid):

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1990 (não devíamos guardar fotos da adolescência, pois não?):

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2000 (os gloriosos 20s, quando ainda acreditávamos que tudo era possível):

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2010 (devem ser as únicas fotos minhas em todo o ano, estava muito em modo mãe e de certeza que nestas fotos estou a olhar para os miúdos):

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2020 (rugas e sinais, mas continuo a olhar para eles):

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publicado às 15:21

Sem surpresas: gostei bastante de Marriage Story, de Noam Baumbach, com Scarlett Joahnsson e Adam Driver. Sem surpresas: emocionei-me em algumas cenas (por exemplo, quando ela lhe corta o cabelo) e chorei em toda a parte final. Era previsível. Não por causa do tema do filme mas porque gosto muito de filmes que mostrem a vida como ela é e a vida como ela é  geralmente é emocionante. Não é preciso ter passado por um divórcio para entender o que ali se passa, até porque este, tal como o nome indica, é tanto um filme sobre um divórcio como é um filme sobre um casamento e sobre relações de uma maneira geral. 

Podia fazer agora aqui uma longa reflexão sobre o tema mas, para já, não me apetece. 

Deixo-vos esta música. Porque sim.

"Someone to hold me too close,
Someone to hurt me too deep,
Someone to sit in my chair
And ruin my sleep
And make me aware
Of being alive,
Being alive.

Somebody need me too much,
Somebody know me too well,
Somebody pull me up short
And put me through hell
And give me support
For being alive,
Make me alive.

Make me confused,
Mock me with praise,
Let me be used,
Vary my days.
But alone is alone, not alive.

Someone you have to let in,
Someone whose feelings you spare,
Someone who, like it or not,
Will want you to share
A little, a lot.

Somebody crowd me with love,
Somebody force me to care,
Somebody make me come through,
I'll always be there,
As frightened as you,
To help us survive
Being alive,
Being alive,
Being alive!

(Being Alive, de Stephen Sondheim)

publicado às 17:43

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publicado às 17:34

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