Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ora vejam só esta maravilha: Please Don't Talk About Me When I'm Gone, tema de 1930 que talvez conheçam nas vozes de Ella Fitzgerald ou Dean Martin, aqui interpretado pela 24 Robbers Swing Band e dançado por vários lindy hopers em confinamento por esse Portugal fora. Pura alegria. Não há depressão que resista a isto, pois não?

A Ana Isabel, que eu não conheço mas que costuma ler a Gata, mandou-me este vídeo porque sabe que eu gosto de dançar. O que ela não sabe é que eu acho isto mesmo fixe e ando há uns três anos a ganhar coragem para me inscrever nas aulas de lindy hop mas a falta de tempo e a falta de jeito para cumprir coreografias e dançar em pares tem sido mais forte. Não posso prometer que quando isto tudo terminar vou aprender lindy hop porque não gosto de prometer coisas que provavelmente não vou cumprir, mas vou pedir à Rute, minha amiga lindy hoper, para não me deixar dizer que não da próxima vez que me desafiar para um bailarico.

Boa Páscoa.

publicado às 09:37

Dia 25, segunda-feira, 6 de abril
Um dia sem pressas.
Já temos um método para limpar a casa: o António aspira, o Pedro limpa o pó e eu faço o resto. Não é muito justo mas já é qualquer coisa.
Fui ao Continente. Tenho feito as compras todas aqui perto de casa mas estava a precisar de um reabastacimento como deve ser. Quase me engasguei quando vi o total da conta - é impressão minha ou os supermercados estão a carregar nos preços?
Comprei um bocadinho de tecido 100% algodão por oito euros para experimentar fazer duas máscaras. A primeira não ficou perfeita mas já percebi como se faz. Mais difícil vai ser aprender a respirar sem embaciar os óculos.
O filme de hoje foi Collide - Em Alta Velocidade. Era tão mau que nem sequer os miúdos gostaram.
Ainda bem que amanhã é domingo.

Dia 26, terça-feira, 7 de abril
O António divertiu-se a escortinhar o cabelo e a seguir encomendámos uma máquina da Worten. Isto promete.
Um passeio no "campo" com o mais novo. Foi tão bom que quase nos esquecemos do vírus.
Crepes com Nutella para celebrar o domingo.
O Pedro começou a fazer os trabalhos de ciências (e são imensos).
Tenho mais uma máscara quase pronta mas não tenho vontade nenhuma de a usar.

Dia 27, quarta-feira, 8 de abril
As segundas-feiras são sempre complicadas.
A coisa mais interessante que fiz hoje foi um empadão com os restos das carnes dos últimos dias.
E também paguei o imposto automóvel, o que me custou mais do que habitualmente uma vez que no último mês devo ter feito apenas umas três mini-viagens de carro e não me parece que o panorama vá melhorar nos próximos tempos...
Sobre o filme que vimos hoje: não sabia que tinham feito tantas "academias de polícia". É absolutamente incompreensível.
E, no entanto, como dizê-lo?, não foi um dia mau de todo.
A sério.

Dia 28, quinta-feira, 9 de abril
Hoje um dos nossos vizinhos das traseiras caiu da varanda e morreu. Estava à procura das palavras certas para dizer isto, mas não encontro melhores do que estas. Um homem, já não muito novo, caiu. Ou atirou-se, não sei. Não sei de que prédio nem de que andar. Estava morto, estendido num dos terraços. Não tinha sapatos. Nem uma gota de sangue. Não percebo como terá caído. Custa-me imaginar que se tenha atirado. Estaria sozinho? Que desespero o atormentava? Eu e os outros vizinhos às janelas, todos a ligar para o INEM sabendo que de nada adiantaria. E, depois de confirmada a morte, o corpo tapado com uma manta dourada, brilhante, ali ficou durante três horas, guardado por um polícia. Até que finalmente tudo desapareceu. Alguém limpou o terraço. E, no entanto, quando vou à janela, não consigo parar de olhar para aquele lugar.
Porra de dia.
Porra de quarentena.

[soube, entretanto, pelos vizinhos, que se tratou efectivamente de um queda voluntária]

Dia 29, sexta-feira, 10 de abril
Tinha trabalho para acabar.
Depois limpei o forno. Fiz bolachas com chocolate. Estudei a fotossíntese com o Pedro. Fui caminhar e o Pedro levou a bicicleta. Já nos habituámos a deixar os sapatos do lado de fora da porta. Tirei o bigode. Comecei a ver a série The Unorthodox na Netflix enquanto os putos jogavam à bola lá em baixo. "Não era suposto não comermos carne?", perguntou o António quando viu os hambúrgueres. Estive 30 minutos ao telefone com a minha irmã. Adormeci a ver o Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.
Há dias maus e depois há dias assim.
Seguimos.

Dia 30, sábado, 11 de abril
Aquela sensação boa de parecer domingo mas ainda só ser sabado.
Acabei de ver a série. Passei a ferro. Estudei matemática com o Pedro (adivinham-se dias difíceis à nossa frente). Depois fomos os dois passear. Estive meia hora na fila para entrar no Pingo Doce. Os putos foram jogar à bola. Tirei os pelos das pernas (já faltou mais para me pôr a cortar o cabelo). Fiz folar. Estive agora mesmo a lambuzar-me com fatias fumegantes de folar com manteiga enquanto finjo que vejo O Planeta dos Macacos - a revolta (odeio estes filmes dos macacos, acho que vou ter pesadelos).
Mas o melhor do dia de hoje: entre telefonemas, mensagens, videochamadas e gente que encontrei na rua, conversei com tantas pessoas boas. Obrigado.

publicado às 09:14


Mais sobre mim

foto do autor