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16
Abr20

Ode aos amigos

Uma das coisas boas desta quarentena: os amigos.

Os que mandam mensagens, os que telefonam, os que me lêem, os que me ouvem, os que comentam, os que fazem like, os que mandam corações, os que se preocupam, os que perdoam as minhas tantas falhas, os que me aturam, os que me amam, os que eu amo, os que se lembram, os que me conhecem o suficiente para ler nas minhas entrelinhas, os que não dizem nada mas não faz mal porque nos entendemos assim mesmo e porque, algo que não sei explicar, os amigos verdadeiros gostam-se até nos silêncios e nas ausências. Os que vou ter prazer em reencontrar e abraçar. E apertar com muita força para que não voltem a ficar distantes. Aqueles com quem me vou sentar a conversar conversas inacabáveis. Os que irão dançar comigo. Aqueles com quem quero sentar-me a ver o mar.

Nunca poderei agradecer suficientemente aos meus amigos, todos eles, os antigos e os mais recentes, por, cada um à sua maneira, me salvarem, muitas vezes sem sequer saberem. 

E ainda: aproveitar o vírus para descartar da minha vida, sem sentimentos de culpa, as poucas pessoas a que, por engano, chamava amigos, mas que estão longe de o ser. 

All My Friends, LCD Soundsystem

("If I could see all my friends tonight")

publicado às 16:31

Antes de morrer, e sabendo bem o que a esperava, a médica e cientista Maria de Sousa (1939-2020) escreveu um poema em inglês. O também poeta João Luís Barreto Guimarães fez uma tradução, mas eu prefiro a versão original (porque odeio o pronome vós e todas as suas conjugações verbais, é tão mais bonita a simplicidade do you). Um poema sobre a morte e sobre todas as pequenas-grandes coisas que levamos desta vida (e que deixamos nesta vida). Os risos. Os momentos. As nossas pessoas. Caramba. Tão triste e tão belo.

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publicado às 11:16


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