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04
Jul08

A mae da Sonia

A Sónia (*) escreveu sobre a mãe e eu pus-me a pensar nas várias mães solteiras que conheço. Eu não quero generalizar, vamos lá ver, os homens não são todos uns trastes (graças a deus), mas a estas, que eu conheço, as coisas aconteceram mais ou menos assim: um dia eles acordaram e lembraram-se de dizer olha, afinal, isto do casamento não é exactamente como eu estava à espera, ou, afinal, acho que ainda não estou preparado para os filhos e para a rotina que é uma canseira, ou, afinal, acho que me apaixonei por outra que não tem filhos e podemos namorar e sair à noite e, por isso, tchau, vou-me embora. E vão. E elas ficam a braços com a vida e com as crianças. Não é fácil. E nem estou a pensar naqueles que se marimbam mesmo na famílias e nunca mais aparecem nem sequer naqueles casais que ficam a odiar-se e quase não se falam. Mesmo quando os pais telefonam e se preocupam e querem saber, mesmo quando os pais ficam com os miúdos ao fim-de-semana de quinze em quinze dias, isso não é propriamente uma grande ajuda, não é? Nem é propriamente ser pai, pois não?
Os pais vão buscar os filhos ao sábado de manhã e levam-nos ao jardim zooloógico e ao parque, à praia e à piscina, vão ver a avó e comer gelados. Uma galhofa. Esses auto-intitulados pais não sabem o que é chegar do trabalho todos (mas mesmo todos) os dias e, mesmo cansados ou enervados, ter de jogar à bola, dar banho aos filhos, ajudá-los a fazer os trabalhos de casa, arranjar maneira de eles comerem os bróculos, aturar-lhes as birras e ler-lhes uma história antes de dormir. Nem têm que acordar todos (mas mesmo todos) os dias às sete ou às sete e meia ou lá às horas que as crianças se lembram de acordar e fazer um sorriso e vestir-lhes a roupa e levá-los à escola. Esses pais não têm que se preocupar se o miúdo cresceu e agora é preciso comprar uns sapatos, nem se a roupa da ginástica ainda está suja, nem se as fraldas estão a acabar. Não têm que se lembrar se há sopa no frigorífico ou comida para o jantar. Não são eles que acordam três vezes por noite para os pôr a fazer chi-chi ou porque tiveram um pesadelo ou só para os ir tapar. Isto para já não falar da educação propriamente dita, essa coisa que exige tempo, rotinas, conversas e discussões (e quando se está com um filho de quinze em quinze dias a gente tem mais que fazer do que se chatear, obviamente). São, pois, uma espécie de pais de faz-de-conta.
E eu percebo que as pessoas se separem (lagarto, cruzes, canhoto, onde é que está madeira para eu bater?), que ninguém deve ficar em casa só por causa dos filhos, eu percebo que às vezes os casamentos são lixados e todos devemos procurar ser felizes. Mas não me venham cá dizer que isto é justo. Ou que se resolve com uma lei qualquer que estabelece os deveres da parentalidade.

(*) passei meia-hora a lutar com o computador a tentar perceber como é que se faz um link, mas a minha crónica nabice informática é insuperável. Por isso, quem quiser ler a sónia faça o favor de procurar o cocó na fralda.

publicado às 11:05


6 comentários

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jpn 22.07.2008

olha joão, preferia não ter lido este post.

este post também é muito injusto. enquanto pai faz de conta, enquanto pai de quinze em quainze dias, doeu-me muito. não tens nada a ver com isso, tens todo o direito de escrever o que te vai na alma e se estou com alma de penedo sensível a sonhar já com os quinze dias em que vou ser pai em pleno tu não tens nada a ver com isso. só que para além das sensibilidades à flor da pele, há mais questões e essas sim, do plano do conversável:
- trocava a minha felicidade de tipo que pode estar livre pela prisão de ficar com o meu filho. eu e muitos pais.

e agora não me apetece escrever mais nada. talvez um dia lá no respirar escreva sobre essa dor que é ver crescer longe. das estratégias mentais que tens de fazer para mesmo assim pdoeres ser feliz.

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