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16
Dez08

Outros palcos

A minha amiga Princesa das Estrelas puxou o assunto e agora fiquei assim, com as memórias à solta, a lembrar-me das noites que passámos juntas na Cornucópia. Espectáculos de três horas e a seguir as entrevistas. Nós já ensonadas a tentar fazer perguntas inteligentes ao Luís Miguel. Pior do que isso só os ensaios da Lúcia Sigalho. Começavam com horas de atraso e acabavam lá para as três da manhã, no armazém os pés ficavam gelados mas os espectáculos, belíssimos, aqueciam-nos a alma. Foram belos os tempos, apesar de tudo. Os palcos fervilhavam. Em cada edifício em ruínas se fazia teatro, uma performance, um happening, um concerto. E nós sempre lá caídas, fosse o que fosse, espectáculos alternativos, bailarinos em pelota, performers armados ao pingarelho, sessões de poesia, os artistas n'a capital, as secas no teatro nacional. Ninguém falhava. Ninguém ousaria (e agora quantos lá vão?). Era no tempo em que os subsídios às artes davam direito a manifestações e cartas de protesto (e agora quem sabe o que são, como funcionam e quem recebe os subsídios?). No tempo em que esperávamos ansiosas por novembro para saber o que seria a programação do ccb do ano seguinte (mas o ccb ainda tem programação sua ou já é tudo sala alugada?). Mudou a cultura, mudaram os jornais, mudámos nós. Se a mim não me apetece ir a um ensaio de um teatro qualquer o meu chefe até agradece pois que na verdade é coisa que não lhe interessa nada e entre a família da Jennifer Hudson e a doença da Fernanda já fica o jornal com cultura que baste. E os artistas onde andam? Taparam-lhes a boca ou foram todos para as novelas?

publicado às 22:48


1 comentário

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xi... do que te foste lembrar... era tão bom. Mesmo quando era mau era tão bom... sim, nós ainda somos do tempo em que, em plena sala de espectáculos, minutos antes de apagarem as luzes, se pedia a cabeça do ministro. e somos do tempo em que o Miguel Borges saltava de parede em parede na sua interpretação de Beckett,somos do tempo em que A Capital fervilava na rua do Norte e em que o CCB recebia as melhores companhias de dança da Europa. Somos do tempo em que o D. Maria existia e tinha companhia residente. E somos do tempo em que em Cascais se fazia bom teatro. E em Almada... somos de um bom tempo, portanto:)
E pensando em tudo isto até tenho saudades, sabes gata, tenho saudades. Mas quando penso mais um bocadinho percebo que tenho saudades de um tempo que não volta, porque agora, mesmo que eu voltasse, estava tudo diferente e pouco interessante...
E ficaram as amizades (mesmo à distância, mesmo sem os prometidos almoços, mesmo com todos os "ses" ficaram as amizades. E essas valem ouro.
Beijos grandes

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