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12
Set08

O negocio

Uma creche. Na minha próxima encarnação a ver se me lembro de não dar ouvidos às ilusões patetas da adolescência. Qual ser jornalista, qual quê. O que está a dar é ter uma creche. Vejamos. No berçário do mai'novo vou pagar uma mensalidade de 399 euros. A directora, toda simpatias, explicou-me que este valor tem TUDO incluído. "SÓ tem de trazer as fraldas, toalhitas e creme do rabinho. E o leite em pó." Pois. E então o que é que falta? Se quiser também trago a caminha e os brinquedos do miúdo, veja lá, não seja por isso. Já na escola do mai'velho nem se dão ao trabalho de fingir que são simpáticos. Pago 240 euros por mês mais 4 euros por cada dia de refeições, tive que levar lençóis e babetes e todas as actividades são pagas à parte, seja uma ida ao teatro ou ao jardim zoológico, as aulas de música ou a praia. Mas para ele ir a estes sítios sou eu que tenho que levar o banquinho para a camioneta, estão a ver? A escola pode até ser muito boa, a gente sente-se segura, o miúdo anda feliz, o ambiente é bom, o ensino é de qualidade. O melhor do mundo são as crianças mas no fundo, no fundo, isto é tudo é um grande negócio.

publicado às 10:19


1 comentário

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Bem, estou a gostar de toda esta prosa. é claro que as creches dão lucro. Vejamos: o meu filho paga 250 euros por mês, sem alimentação, que isso seriam mais 110. Portanto multipliquem por 20 (que é o número de meninos da sala dele) e depois descontem o ordenado da educadora e da auxiliar.... acham que mesmo assim não dá lucro? Olhem que dá...
creches públicas, aí está outro tema interessante... praticamente não existem. > Espiral, do alto dos seus 23 anos (aposto que não tem filhos), lançou-se logo na crítica feroz. Minha querida Espiral, quase todas nós somos mães e trabalhadoras. Nenhuma de nós é milionária mas, felizmente, também não ganhamos o ordenado mínimo, o que nos permite alguns luxos como por os nossos filhos numa creche e não numa ama sem o mínimo de condições... mas sabe mais, mesmo que existisse a tal creche pública perto de nossa casa, elas fecham, por norma, às 16h30 e nós, mães trabalhadoras, não nos podemos dar ao luxo de sair às 16h para ir à creche apanhar o rebento.
Daqui a uns anos, quando você estiver no feroz mercado de trabalho e perceber a "exorbitância" que um jornalista ganha, e vir quanto custa uma lata de leite, um pacote de fraldas, um kg de bifes e uma renda de uma casa, a gente volta a conversar.

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