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06
Out09

Nós por cá

Estamos de parabéns. Sem euforias que os tempos não têm sido fáceis e isto do amor tem muito que se lhe diga e outras coisas que, às vezes, mais vale não dizer. Estamos de parabéns porque, apesar de no último ano termos sido triturados pelo trabalho, pelo stresse, pelos malditos horários (onde estás tu agora, meu querido, em vez de estares aqui a dar-me os parabéns?), pelos gritos dos miúdos, pelas birras, pelas noites em branco, pela lida da casa, pela roupa por estender, pelas sopas, pelos fins-de-semana a trabalhar, pelas noites a trabalhar, pelos feriados a trabalhar, pelo cansaço e pela falta de paciência, conseguimos (quase sempre) chegar ao fim do dia e dizer: amanhã vai ser melhor. Eu acredito mesmo que amanhã vai ser melhor. E só por isso já estamos de parabéns.

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O melhor presente veio da minha irmã. Pela primeira vez em dezassete meses, eu e o meu homem tivemos 24 horas só para nós. Ficámos sentados. E deitados. Dormimos. Namorámos. Comemos. Lemos os jornais. Lemos livros. Vimos televisão. Ficamos a olhar para o mar. E tudo isto sem sermos interrompidos, sem termos que nos levantar para ir atrás dos putos, sem gritarias nem discussões, sem dizer não faças, não mexas, não tires, sem dizer faz, tira, come, veste, arruma, sem nos preocuparmos com as horas, sem nos preocuparmos com nada. Pela primeira vez em dezassete meses.

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Tive cinco dias de folga. Nestes cinco dias, gastei uma manhã a fazer uma reportagem, gastei uma noite a escrever um texto que me tinha comprometido a enviar pro jornal para ser publicado no fim-de-semana, tirei umas horas ao meu feriado para ir à redacção preparar e fazer uma entrevista ao telefone para o outro lado do atlântico, li um livro e preparei a entrevista ao seu autor, ouvi um disco e preparei a entrevista à dita cantora. Não me estou a queixar. Eu não me importo de trabalhar desde que sinta que estou a fazer alguma coisa de jeito. O que me custa não é trabalhar. O que verdadeiramente me custa é ter que ir todos os dias para aquele sítio e passar oito horas seguidas a aturar a incompetência, a má-vontade e até a maldade de tanta gente ao mesmo tempo que me enervo por ter que fazer porcarias atrás de porcarias e escrever sobre coisas que não me interesam minimamente nem sei se interessarão a alguém.

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Alguém me explica esta idolatria dos homens pelas suas mães? Não se pode criticar, discordar ou discutir. É a minha mãe, diz-me ele, como se isso fosse o argumento último, como se dissesse é a minha mãe, não te atrevas sequer a insinuar que ela possa estar errada. (graças a deus que só tenho rapazes...)

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- Sabes, mãe, eu consigo falar sem abrir a boca, queres ver? E fica a olhar para mim, todo esticado, de olhos muito abertos e boca cerrada. - Sabes o que eu estou a dizer? Não, pois não? É que eu estou a falar mas só eu é que ouço na minha cabeça, com o meu pensamento. Aos cinco anos, o meu filho aprendeu uma importante lição para a vida: que não dizemos tudo aquilo que pensamos.

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Os meus filhos são lindos, lindos, lindos, lindos. Os filhos dos outros também são mas isso a mim não me interessa nada. Os meus filhos são lindos e são meus.

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publicado às 21:49


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