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20161116_113907_resized.jpgEsta é uma página de Paula Rego por Paula Rego, um livro com entrevistas de Anabela Mota Ribeiro à artista. Explico tudo na Máquina de Escrever

publicado às 23:01

09
Fev16

Aranhas

Lembro-me das aranhas. Foi em 1998, era eu caloira da secção de artes, com uma cultura geral fraquita e sem acesso à internet (ainda se lembram como era preparar entrevistas antes de haver internet?), e dei por mim em frente das aranhas de Louise Bourgeois. Lembro-me de ficar fascinada. De como tinha vontade de conhecer melhor aquela mulher. De perceber o que se passava naquela cabeça, o que costuravam aquelas mãos.

aranhas.JPGSe eu pudesse, era aqui que eu ia nas próximas férias de verão. Ao atelier dela. Folhear os seus livros. Sentar-me na sua cadeira. Ficar ali.

More than five years after her death, the house still feels inhabited by the woman who called it home. Dresses and coats hang in the closet. Magazines and diaries fill the bookshelves, which display the breadth of Bourgeois’s interests, including the “Joy of Cooking,” the Bhagavad Gita and J.D. Salinger’s “Nine Stories.” (...) “Louise never threw anything out,” Mr. Gorovoy said. At the time of her death, she retained gas receipts from her first apartment in Paris. (Aside from the personal hoarding, she kept an artist’s proof of every piece she made, from the 1940s on.) Mr. Gorovoy argues that the same spirit is visibly present in the art and the home. “The more you know the work, you can see that the way she lived is very close to what she created,” he said. It is not that behind the scenes you will discover an unknown woman, but rather, you will see your impressions corroborated.

publicado às 21:18

Isto de se tentar fazer programas culturais com os miúdos no tempo que sobra das aulas, dos trabalhos de casa, do estudo, dos treinos, dos jogos e das festas de aniversário (já para não falar dos fins-de-semana em que eu trabalho) não é nada fácil. Ainda assim, lá vamos tentando.

Em outubro, aproveitando o facto de o António estar a estudar o terramoto, fomos ao Lisbon Story Centre. Um dia de chuva, o sporting a jogar no estádio da luz, e nós vestimos os impermeáveis e enfiámo-nos no metro até ao terreiro do paço. A exposição está muito bem feita e acho que as crianças aprenderam algumas coisas (embora aquela parte final com a publicidade ao novo terreiro do paço e à grande movida lisboeta seja um bocadinho despropositada). Subimos ao arco da rua augusta e até comemos gelados e crepes. Não fosse o benfica ter perdido e teria sido uma tarde perfeita.

IMG_1570.JPG IMG_1576.JPG 

Este fim-de-semana, aproveitando o facto do António estar a estudar o corpo humano, fomos ver a exposição Real Bodies, na Cordoaria Nacional. É de facto muito impressionante. Saber que o que ali está são corpos verdadeiros e não bonecos faz-nos olhar de maneira muito diferente para tudo aquilo. Claro que as primeiras perguntas dos rapazes foram sobre isso mesmo: como é que eles fizeram isto? quem eram estas pessoas? como é que os corpos estão tão bem conservados? como é que arranjaram estes bebés que ainda não tinham nascido? Passado esse impacto inicial, lá conseguimos ver os corpos por dentro, espantarmo-nos com o tamanho do fígado e deslumbrarmo-nos com a profusão de vasos sanguíneos. Apesar dos avisos, nenhum ficou demasiado impressionado com o que viu - são rapazes e já viram muitos daqueles desenhos animados nojentos no nickelodeon, acho que deve ser isso. Penso que a exposição só vai ficar até ao fim do mês, por isso se quiserem ir, apressem-se.

(agora eu punha aqui uma foto dos pimpolhos na cordoaria mas não sei se já sabem que ganhei uma máquina fotográfica nova no natal e é tudo muito recente e ainda não experimentei passar as fotografias para o computador. lá chegaremos.)

publicado às 23:15

Por estes dias estou em S. Miguel. Há muito tempo que não vinha aos Açores e nunca tinha vindo a esta ilha. É trabalho, é muito trabalho, acreditem, mas pelo meio já provei uma maravilhosa bifana de atum e o melhor bolo de ananás do mundo, chicharros com feijão, queijo que pica na língua e queijadas de leite. A comida, a paisagem verde e as pessoas que tenho o privilégio de ir conhecendo fazem com que o trabalho não custe tanto.

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walk 036.jpgTirando a primeira, que são só uns miúdos descalços em Rabo de Peixe, estas são imagens de algumas das peças de arte pública produzidas no âmbito do festival Walk & Talk. A última, o 'Abraço à Ruína', é uma pequena maravilha de Vhils, num torreão no alto de um monte, rodeada de vegetação e silêncio. A arte pode ser (nem sempre, mas pode ser) a melhor iguaria.

publicado às 18:26

Último dia destas pequenas férias.

Para arrancá-los da playstation, decidi levá-los à exposição Génesis, de Sebastião Salgado. É uma exposição boa para os miúdos porque tem muitos animais e paisagens do mundo inteiro, mesmo que eles não saibam ainda apreciar a beleza das fotografias dá para ter imensas conversas sobre o fotógrafo, de que já tinham ouvido falar, como é que ele fez para captar aquelas imagens, umas vezes deitando-se no chão, outras voando num balão, os sítios por onde andou, as florestas e os icebergs, os homens que andam quase nus e as pinturas que fazem no corpo. A meio da visita, um dos monitores, simpático, veio propor-lhes um jogo e passámos o resto do tempo a tentar encontrar as imagens escondidas (e com a ajuda do monitor até encontrámos o próprio Sebastião Salgado). Os meus filhos são irrequietos, já se sabe, e é preciso estar sempre a chamar-lhes a atenção para não desatarem a correr e a saltar por todo o lado (não, não estou a exagerar, é mesmo assim), mas de uma maneira geral até estiveram atentos. No final, comeram um gelado e ficámos por ali, ao pé do rio, a aproveitar o sol do fim do dia.

A exposição vale muito a pena e está na Cordoaria Nacional até 2 de agosto. 

publicado às 22:21

12
Jun15

É sexta-feira

Lá porque eu não tenho vindo aqui não quer dizer que não têm acontecido coisas importantes, quer apenas dizer que não tenho vindo aqui falar delas. Adoro esta altura do ano, quando já não há testes nem trabalhos de casa e o tempo livre passa a ser verdadeiramente livre, e podemos brincar, em casa e na rua. Nos dias bons, os meus filhos são lindos e doces. Nos dias bons, fico a olhar para eles embevecida, a ver como estão crescidos e autónomos. Os dias bons são os que vale a pena guardar. A festa da escola (com lágrimas, sempre). Uma tarde de conversa boa a falar sobre discos com amigos que já não via há algum tempo. Comer bifanas e beber sangria com mais amigos enquanto os miúdos brincam às escondidas, uma noite inteira, no arraial do nosso bairro. Dar abraços. Dar abraços, mesmo que seja ao longe, quando não podemos estar junto das nossas pessoas.

E ainda:

Passei uma tarde na conversa com uma senhora com uma memória fabulosa e que conta histórias deliciosas sobre o seu tio, Fernando Pessoa.

O Vhils recebeu uma condecoração e em vez de dizer as baboseiras de ocasião escreveu um texto que vale muito a pena ler, onde fala da sua geração: "A geração desprezada. A geração das famílias fragmentadas. A geração do talento desperdiçado, cuja educação, suportada pelo país, se vê agora investida noutros cantos do mundo."

Uma reportagem muito boa da Rita, com a participação da super-mãe Sónia, sobre o modo como nascemos e o excesso de cesarianas. Eu não sou de fundamentalismos mas acho que bastaria mudar apenas algumas pequenas coisas no modo como se fazem os partos nos hospitais para que tudo fosse melhor, sobretudo para as mães mas também para os bebés.

Ainda vão a tempo de ir ver, este fim-de-semana, um grande espetáculo, O Inimigo do Povo, texto de Ibsen, encenação de Tónan Quinto, no Teatro São Luiz. Divertido e acutilante, como se quer. E com uma mão cheia de excelentes actores.

Não fui à feira do livro e não tenho pena. Mas comecei a ler o livro de que toda a gente fala. Por uma vez na vida estou em sintonia com o meu tempo (qualquer dia ainda me vêem a correr. lol).

E é isto. Hoje é sexta-feira. Aproveitem o fim-de-semana que eu hei-de estar a trabalhar. E ouçam esta pequena maravilha: Sufjan Stevens.

publicado às 12:29

É uma pessoa, assim tão magra? Vêem-se os ossos... Mas são pessoas mortas? Não pode ser. Quem as matou? Porque é que as mataram? Onde é que eles estão? É longe? Para onde é que eles vão? Não têm casa? Porquê? Foram muitas as perguntas, no sábado à noite, enquanto víamos O Sal da Terra, o documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Mas os miúdos lá se aguentaram.

sebastião.jpg

Agora só nos falta ir ver a exposição, na Cordoaria Nacional. Para vermos também o lado belo do mundo.teaser_fo_salgado_genesis_top_1212171540_id_645724(a primeira imagem é da série Migrações, a segunda é de Génesis)

publicado às 16:49

Um filme feito de milhares de clipes retirados de outros filmes, mais ou menos conhecidos. Um filme onde a única coisa que acontece é o tempo a passar. E onde o tempo passa exactamente à mesma velocidade a que passa na vida real. Durante 24 horas. Christian Marclay, o artista que criou The Clock, conta que em Nova Iorque ou em Londres, onde a peça foi apresentada em galerias no centro das cidades, as pessoas apareciam para ver um bocadinho do filme antes de ir trabalhar ou à hora do almoço. Em Lisboa, The Clock está no Museu Berardo, o que fica um pouco fora de mão. Ainda assim, se puderem, passem por lá. A instalação pode ser vista até 19 de abril e a entrada é livre. Além disso, há uns dias em que o museu fica aberto durante toda a noite para quem quiser ver o que acontece em The Clock às duas ou às três da manhã. Atenção que a sala só leva 80 pessoas (48 lugares sentados). Mas vale muito a pena. O trabalho de montagem é absolutamente fabuloso. O tic-tac permanente faz-nos pensar um bocadinho nesta correria que é a nossa vida. E, além disso, há o divertimento acrescido de estarmos sempre a tentar descobrir a que filmes foram roubados aqueles relógios. É muito bom. O artista diz, e eu confirmo, que quem vai espreitar The Clock acaba sempre por ficar mais tempo do que planeava.

publicado às 09:10

Uma exposição de fotografia. Na Gulbenkian, até 19 de abril. Ideal para quem, como eu, tem um pézinho brasileiro.

PF2015_Modernidades_010BAXA17252_Gautherot.jpgesta é uma imagem de Marcel Gautherot (1910-1996)

PF2015_Modernidades_028JMOR055_medeiros.jpge esta é de José Medeiros (1921-1990), de quem já tinha falado aqui.

publicado às 01:28

22
Jan15

Aquela máquina

Máquina de Escrever é um novo site dedicado à cultura criado pelo Nuno Galopim. Tem notícias, críticas a filmes, discos e livros, alguns ensaios, artigos de opinião. E tem muita e boa gente amiga a escrever. A ideia não é substituir os jornais mas antes dar espaço a tudo o que não cabe na rigidez dos jornais.

De vez em quando, também eu andarei por lá, para falar de algumas das coisas que me interessam. Ora espreitem.

publicado às 10:56


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