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09
Jun16

Ronaldo

Parece que agora está na moda não gostar do Cristiano Ronaldo. É uma coisa meio hipster. Se todos gostam eu agora já não gosto e vou arranjar uma nova cena fixe [para perceber melhor do que eu estou a falar, vejam isto]. A mim custa-me perceber que para se gostar do Quaresma ou do Éder ou doutro qualquer seja preciso dizer mal do Cristiano Ronaldo. Quer dizer. O Cristiano Ronaldo não precisa que eu o defenda, obviamente. Mas a mim, que não percebo nada de bola, parece-me que o rapaz tem 31 anos e um percurso único. Será difícil encontrar melhor. Entre títulos, golos marcados e prémios, entre esforço e qualidade, dedicação e eficácia, jogo bonito, fintas estranhas, toques de bola, caramba, pode ter jogos desinspirados, pode falhar uns remates, pode ter fases más (não temos todos?) mas quem é que pode dizer que não é dos melhores? Também ouço às vezes dizer que o rapaz é vaidoso e tem tiques de estrela. Ena. Eu cá se estivesse na selecção mundial de jornalistas e ganhasse milhões e milhões de euros também seria vaidosa e teria tiques de estrela (conheço tantos com tiques de estrela e vai-se a ver não são ninguém, mas adiante), também compraria uma casa de luxo e ia passar férias ao fim do mundo, garanto-vos (e se tivesse 31 anos e uns abdominais daqueles também iria a umas festas em iates e piscinas e não sei quê). E também sei que apesar de todo o circo montado à sua volta, é dos poucos que gosta de manter a sua privacidade. Escrevem-se as maiores barbaridades sobre a sua vida e ele raramente responde, raramente dá entrevistas, raramente o vemos em eventos vip, em inaugurações, em festas da Caras, a beber copos no restaurante do outro em Vilamoura. Faz a sua vida como quer e sem dar satisfações aos tablóides. E isso para mim tem muito valor. Além do mais, parece que está toda a gente sempre muito atenta a todos os possíveis falhanços do Cristiano Ronaldo, seja dentro ou fora de campo. O rapaz pode marcar 58 golos pela selecção mas se falhar um penalti cai-lhe tudo em cima. O rapaz ajuda a família, dá dinheiro para instituições de solidariedade, distribui autógrafos e sorrisos como mais ninguém mas se descobrem que comprou um avião tratam logo de acusá-lo de ser um puto mimado. Please. Ele não chateia ninguém, porque é que não o deixam em paz?
Eu não faço ideia se ele é o melhor jogador do mundo, nem me interessa determinar se ele vai ser o melhor jogador da selecção no campenato que está prestes a começar. Também não acho que seja muito aconselhável estarmos todos à espera que o Ronaldo ganhe os jogos sozinho. Preferia que jogassem todos bem e que o Bruno Alves não desse muito nas canelas dos adversários. Mas isso é apenas mais um daqueles sonhos.

20160608_191442.jpgCristiano Ronaldo, fotografado ontem durante o aquecimento para o jogo Portugal-Estónia. Mesmo ao pé de nós. Para felicidade dos meus dois rapazes.

publicado às 14:36

Naquele dia acordei muito cedo. Tinha um avião para apanhar. Liguei a televisão para ver como estava o ténis - naquela altura, em 2003, eu acompanhava com grande atenção tudo o que se passava no ténis - e vi o princípio do jogo da Kim Clijsters com a Serena Williams. Ia ser renhido. Saí de casa. Fui para o aeroporto. Apanhei o avião. Cheguei a Nantes. Fiz check in no hotel. Deviam ser umas nove da manhã ou pouco mais, lembro-me que era ainda muito cedo. Liguei a televisão. No terceiro set a Clijsters ganhava por 5-1- A Serena defendeu dois match points e acabou por ganhar. Nem queria acreditar. É claro que não dormi nada, fiquei presa à televisão (e bem que precisava de dormir, nesse dia o trabalho prolongou-se pela noite fora...)

Entretanto, a Clijsters mudou de vida e abandonou o ténis profissional em 2012 (mas antes teve o seu momento super-mãe) e a Serena aí está, prestes a disputar mais um open da Austrália e a provar que é uma das melhores tenistas de sempre.

Eu gosto de ténis. Gosto desde o tempo do Agassi e da maluca da Jennifer Capriati, do Pete Sampras e da Steffi Graf. Agora já não tenho tanto tempo, já não consigo ficar acordada até às tantas a ver os jogos e quando estamos em casa os putos nem sempre querem ver ténis, mas ainda vou acompanhando e tenho os meus jogadores favoritos. A nova temporada está a começar. A ver se o Nadal ou o Djokovic me vão dar alguma alegria.

publicado às 12:07

26
Abr15

Relatos

Lembro-me das tardes de domingo na barragem da Rocha. Primavera. Eu e a minha irmã a apanhar flores amarelas e brancas e a brincar às casinhas nos bancos de pedra. Nós e a vovó Ana a brincar à apanhada, às voltas num pilar que lá havia, a relva a crescer por entre as placas de cimento que faziam um caracol no chão. Lembro-me dos cães que ladravam no barracão que era um café. De ter medo. De fazer xixi agachada, atrás das árvores. Lembro-me do Dinho, no carro branco, a ouvir os relatos da bola. Talvez também lesse o jornal. Ou não. Não sei se me lembro disto tudo ou se inventei algumas memórias.

Lembrei-me disto porque estou a ouvir o benfica-porto na rádio (e, tirando os anúncios constantes, parece que os relatos continuam mais ou menos na mesma).

publicado às 17:29

Primeiro torneio a sério. Descobri que me emociono quando os nossos miúdos ganham, que é bom vê-los felizes, abraçados, a festejar, fico a sorrir feita parva e a bater palmas como os outros pais todos (mas não grito a dar indicações para dentro do campo). Imagino que também vou ficar triste quando perdermos. 

E, agora, até já falo assim, na primeira pessoa do plural, e faz todo o sentido.

publicado às 15:16

17
Jan15

Soccer Mom *

DSCF1330.JPG

 

 Acordar às 7.15 num sábado. E ainda é só o começo.

* nada a ver, na verdade

publicado às 13:50

Um mês depois, o António foi convidado a ir aos treinos "mais avançados" para o mister poder depois convocá-lo para "os jogos a sério".

publicado às 22:41

5º ano, escola nova (e, pela primeira vez, pública), turma nova, horários, regulamentos, caderneta, senhas para almoço, conhecer o ATL, o ginásio, a biblioteca, novos professores, novos colegas, tudo diferente, forrar livros, preparar a mochila, organizar os lanches e as novas rotinas. Mas se perguntarmos ao António o que é que aconteceu hoje de importante, ele dirá: o seu primeiro treino de futebol. Ah! Isso sim. Isso é que são novidades.

Desde pequeno que o António adora jogar futebol (ele adora tudo o que seja desporto, ainda para mais se meter corridas e bolas) e desde pequeno que ouço as pessoas a dizerem-me que o rapaz tem jeito e que devia levar isto mais a sério. Mas nunca tinha havido oportunidade e, a bem dizer, nunca tinha havido vontade para o pôr numa escolinha. Pagar para jogar futebol? Perder o meu tempo com bola? Nããão. E, acima de tudo, queria evitar aquela pressão que existe na escolas de futebol para que os miúdos sejam logo craques - pressão dos "misteres" e dos pais, que estão ali à espera de encontrar o próximo Cristiano Ronaldo, que levam os treinos muito a sério, em vez de encararem aquilo como um divertimento, que incentivam as rasteiras e insultam os árbitros. Então fomos experimentando outros desportos, que havia mais à mão, a natação, o karaté, o ténis, e o puto fazia tudo bem, recebia elogios dos professores, mas nada o fascinava e insistia que o futebol é que era e ainda hoje, ao preencher um questionário da escola, escreveu que quando fôr grande quer ser futebolista. Eu não acho que ele vá ser futebolista mas se é para tirar teimas, pois que se tirem. E foi por isto tudo que, este ano, finalmente, aceitei experimentarmos o futebol. Foi uma coisa negociada com ele - que terá de se aplicar na escola se quiser continuar a ir aos treinos - até porque me vai exigir uma grande ginástica na nossa logística familiar (raios partam o miúdo que tem o estádio do benfica aqui ao lado mas saiu-me um sportinguista ferrenho).

De maneiras que hoje foi o primeiro treino. À experiência. Sem compromissos, nem pagamentos. Uma excitação como nunca tinha visto. Há uma semana que não falava de mais nada. De manhã foi a apresentação na escola, à tarde fomos ao campo de relva sintética onde ele esteve uma hora a dar toques na bola, no meio de uma data de putos de verde e branco, encantado da vida e já a pedir para voltar. Tenho muito medo que ele se desencante com o facto de aquilo ser uma escola a sério, não é chegar ali e jogar à bola, há muitos exercícios repetitivos e chatinhos. E tentei prepará-lo para o facto de haver meninos que jogam muito melhor (uma coisa é ele ser muito bom entre a meia dúzia de amigos, outra é um clube onde há miúdos que treinam quase desde o berço), de nem sempre conseguir fazer as coisas bem e de ter de aceitar as derrotas. Ele diz que percebe, que não se importa. Garante-me que adorou. Pelo sim, pelo não, amanhã vai voltar para mais um treino ainda antes da inscrição.

Tinha uma secreta esperança que ele não gostasse. O mano também lá esteve hoje, noutro canto do relvado, fez tudo certinho como devia e até parecia divertido mas, no final, anunciou que não queria voltar. Podia acontecer tambem ao António, não era? Dava-me tanto jeito... Por outro lado, vê-lo assim entusiamado com alguma coisa também é muito bom. E, quem sabe, talvez eu descubra que afinal até tenho vocação para dona Dolores.

publicado às 22:38

Enroscamo-nos os três no sofá para ver os jogos importantes. Raramente torcemos pela mesma equipa (e na final também vai ser assim) mas isso não nos atrapalha. Enroscamo-nos os três no sofá e assim ficamos um serão inteiro, com o António a explicar quem são os jogadores e a ensinar-me outras coisas interessantíssimas, como o facto de o Messi ter um filho chamado Tiago (não sabias, mãe?), e o Pedro a alinhar na conversa como se percebesse alguma coisa de bola até cair para o lado de cansaço. Enroscamo-nos os três no sofá, com pernas entrelaçadas e mãos apertadas e cabeças encostadas, todos misturados até já não se perceber quem é quem. E eu queria guardar estes momentos para sempre (sobretudo para me lembrar deles naqueles outros momentos em que há miúdos que se portam mal e uma mãe que também não se porta lá muito bem).

publicado às 00:17

Esta campanha publicitária da Visa a propósito do Mundial de Futebol tem alguma piada: 32 realizadores dos 32 países finalistas da Copa dirigiram 32 filmes com menos de 2 minutos. A base musical é sempre a mesma, um samba, mas depois cada país introduz um instrumento e dá o seu arranjo à coisa. Tem graça ver como cada país se representa, há uns filmes que vão buscar as tradições de cada região, outros que são quase postais turísticos, outros mais conceptuais. O dos Estados Unidos, por exemplo, não mostra nada da América. Gostei muito do filme holandês, até por ter uma miúda como protagonista (no da Nigéria não se vislumbra uma única mulher). Há outros que são muito simples mas que funcionam, com a sua alegria, como o da Costa do Marfim. O inglês é provavelmente o meu preferido.

Não gostei lá muito do filme português, que parece ter sido atacado pelo síndrome gaiola dourada, cheio de sardinhas e escadinhas de alfama e fado, com uma senhora que usa uma bata, tem uma verruga na cara e é toda destemida e grita e zanga-se, porque como se sabe as mulheres do sul são assim, de pêlo na venta (e ela não ter bigode já é uma coisa boa). No meio de tanta coisa very, very typical, aparece uma lambreta que, claro, é um meio de transporte que abunda por aí. Para manter a coerência, ao menos que fosse uma Famel.

publicado às 15:33

24
Mai14

A invasão

Às 9.30 da manhã, o metro estava cheio. Cheio como em hora de ponta. Espanhóis aos pulos dentro da carruagem. A cantarem. Espanhóis com pulseiras de elásticos nos pulsos, a consultarem os mapas da cidade e a perguntarem pelas estações de metro e pelo Rossio e pelos pastéis de belém.

Que ganhe o melhor, mas se puder ser este a malta fica um bocadinho mais contente.

E, já agora, uma música para começarmos a aquecer para o Mundial (esta, que é antiga, porque não achei gracinha nenhuma à da Shakira nem à do Pitbull).

'Uma Partida de Futebol', Skank

publicado às 12:28


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