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Às vezes faço uns comentários ou escrevo uns posts no facebook a chamar a atenção para títulos ou ângulos de notícias que alimentam os estereotipos de género e a discriminação. Parecem coisas sem importância mas faço questão de as denunciar porque me parece que revelam muito sobre a mentalidade que está instalada em nós, de tal forma que muitas vezes nem nos apercebemos como estamos a ser preconceituosos ou discriminatórios. Por exemplo, quando fazemos artigos em que ouvimos especialistas e são todos homens (vejam aqui uma bela selecção). Ou artigos em que as mulheres são assunto devido ao seu corpo ou ao modo como se vestem (este foi um dos que me irritou recentemente, mas experimentem fazer uma pesquisa no site de um jornal qualquer com a palavra "ousada" e terão uma ideia do que estou a falar). Ou quando tratamos uma mulher com aquele tom condescendente (como por exemplo aqui) ou como se fosse uma aventureira por fazer ou querer fazer as "coisas dos homens" (whatever that means). Ou outras coisas assim.

Pergunto-me sempre se alguém parou para pensar naquilo que escreveu ou naquela foto que escolheu ou naquele título que até está na primeira página. Porque o que falta é só isso. Parar e pensar um pouco. Para que o pré-conceito apareça como evidência (e, em certa medida, muito disto que eu estou a falar deve-se à cada vez maior falta de discussão de ideias e de verdadeira edição nos jornais que fazemos, mas isso é outro assunto, de que talvez fale um dia).

Imagino que alguns achem que estou a dar demasiada importância a estas coisas. Minudências, dizem-me. Que não é por escolhermos uma fotografia da Scarlett Johansson para a primeira página apenas porque ela é gira e tem aquela voz que vem daí grande mal ao mundo. Mas eu acho que faz muito mal. Na verdade sinto que ainda não damos atenção suficiente a estas coisas pequenas mas muito reveladoras. Temos um longo caminho por percorrer. E, o que é pior, para além da discriminação escondida ou inconsciente ainda temos que lidar com a discriminação às claras.

Duas provas disto que estou a dizer:

Ontem, li este artigo, que é sobre a princesa Diana e o príncipe Carlos mas é também sobre aquela estranheza que quase todos já sentimos quando, num casal, um homem é mais baixo do que a mulher, e que não tem qualquer razão de ser a não ser o preconceito. Mesmo. Só temos que tomar consciência disso. Esta tarefa de combatermos os nosso próprios preconceitos é a primeira batalha que temos de travar.

E veja-se o que aconteceu hoje, na capa do Daily Mail. Mais um dia normal num tabloide, afinal, os tabloides (e as revistas sociais) são verdadeiros antros de estereotipização do género, de forma completamente consciente e assumida:

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Só para terminar com uns sinais de esperança. Esta BD reflete muito bem aquilo que penso sobre a educação dos rapazes. Este vídeo, embora com um foco diferente, também é muito inspirador:

Pode parecer que não, que as pernas das inglesas na capa do jornal não têm nada a ver com a cultura machista nas relações amorosas, mas se olharmos com atenção isto está mesmo tudo ligado. 

publicado às 21:48

Em 2012, Anne-Marie Slaughter escreveu um artigo na The Atlantic em que falava de como tinha deixado um trabalho de sonho, pelo qual lutara durante toda a carreira, para poder estar mais tempo em casa, com os filhos adolescentes, e em como isto a tinha deixado a pensar nas opções que as mulheres tinham e se seria ou não possível conciliar a vida familiar com uma aposta séria numa carreira profissional. O artigo chamava-se "Women can't have it all" e só o título dizia tudo. Depois, ela recebeu imensas mensagens de outras mulheres e também de homens a contar a sua experiência, deu inúmeras palestras e continuou a reflectir sobre este tema. Como resultado disso, no ano passado, publicou um livro, que agora ganhou uma edição portuguesa: "Uma Questão em Aberto: Mulheres, Homens, Trabalho, Família" (Temas e Debates). Mais uma vez, o título diz tudo. E, mais uma vez, ela levanta questões muito pertinentes. Aconselho-vos a lerem o livro, mas deixo aqui algumas ideias que me parecem relevantes:

 

Anne-Marie Slaughter refere-se a uma realidade um pouco diferente da nossa: nos EUA não há licenças de maternidade pagas com a dimensão das nossas (muito menos como as dos países nórdicos), não há a opção de tirar dias para "apoio à família" e os trabalhadores têm muito menos férias do que nós. Além disso, a protecção laboral é quase inexistente - para os trabalhadores em geral, para pais e mães em particular. Haverá patrões mais compreensivos e há profissões onde as coisas são mais fáceis de conciliar mas, de uma maneira geral, é o salve-se quem puder. E também não há muitas ajudas sociais (creches, escolas, apoios à família). Assim se explica que muitas mulheres optem (quando o podem fazer) por, depois de serem mães, ficar em casa com os filhos, fazendo uma pausa (quando não mesmo colocando um ponto final) na sua carreira. E depois voltando ao trabalho num modo light, sem esperar chegar ao topo da carreira. 

 

Esta é uma realidade que está a mudar. E é precisamente pelo facto de muitas mulheres quererem manter a sua carreira, mesmo depois de serem mães, que estas questões se tornam mais urgentes. Por cá, as coisas não são bem assim mas no fundo também são, por isso tudo o que ela diz acaba por fazer sentido para nós.

 

Uma das grandes diferenças do livro em relação ao artigo de há quatro anos: aqui o papel do pai é muito mais valorizado. No artigo, Anne-Marie deixava implícito que havia uma ligação umbilical entre mães e filhos que fazia com que as mães, mesmo quando tinham oportunidade para voar, preferiam não o fazer, não por qualquer imposição social, mas porque sentiam-se melhor assim. Este terá sido um dos pontos mais discutido no artigo. Aqui ela vai mais longe. Olha para outras famílias (por exemplo, para casais LGBT). E tenta pôr-se no lugar dos pais - os que são pressionados para trabalhar e sustentar a família e também não têm a liberdade de sair mais cedo do trabalho para ir à festa do filho com medo de serem mal-vistos no escritório; e os que tomam a opção de ficar em casa com os filhos, enquanto a mãe está a trabalhar no duro, e são olhados como pessoas extraordinárias, quase como animais do zoo, quando, na verdade, estão apenas a ser pais tal como as mães são mães. (é aquela velha ideia: uma mãe que não deixa de ter vida própria é criticada e apelidada de egoísta, a um pai basta-lhe trocar uma fralda para já ser elogiado como um pai fabuloso). Há, portanto, muito a mudar, também para os homens. E se estamos a falar de igualdade, isto é importante. Sobre este assunto, o marido de Anne-Marie Slaughter também já tinha escrito um belo artigo.

 

Outra ideia em que ela insiste bastante: a importância do cuidar (dos filhos, dos mais velhos, dos doentes). A tarefa de cuidar, que é tradicionalmente feminina, tem sido muito pouco valorizada ao longo da história. Uma coisa anda de mão dada com a outra. Mas Anne-Marie vai muito mais além, propondo uma alteração de mentalidades profunda: se precisamos de ter mais crianças, se temos cada vez mais idosos na nossa sociedade, se cuidar é assim tão importante porque não é uma profissão valorizada e paga de acordo com essa importância? Este é um longo caminho que temos pela frente. 

Mais uma vez, não sei se concordo com tudo o que ela escreve, até porque há coisas em que nunca tinha pensado, mas há, decididamente, uma série de ideias neste livro que vale a pena deesenvolver. Ela faz-nos pensar muito na ideia de carreira e nos ritmos dessa carreira. Faz-nos pensar no tipo de trabalhadores que somos ou que queremos ser (e que trabalhadores é que os patrões querem ter nas suas empresas?). Faz-nos questionar os critérios que usamos habitualmente para dizer o que é um bom empregado/a. E - e isto também é muito importante - retira a carga de culpa que habitualmente as mulheres carregam sobre si, dizendo-lhes: se vocês não conseguiram aquele emprego ou aquela promoção pelo facto de não estarem disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, a culpa não é vossa, não são vocês que têm de mudar, é o vosso patrão que está errado! (ou, em linguagem comum, não temos que nos comportar "como homens" para chegarmos ao topo da carreira, ser competente num trabalho não pode significar o fim da nossa vida privada, com filhos ou sem eles).

 

E, embora saibamos que estas são mudanças que acontecem lentamente e que em certos sectores da sociedade é pouco provável que aconteçam nos próximos tempos, ela propõe-nos um plano de acção - o que podemos fazer para que as coisas mudem realmente em vez de nos estarmos só a queixar? A mim parece-me que Anne-Marie Slaughter é demasiado optimista (e apetece dizer que é fácil falar quando temos determinadas condições privilegiadas - leia-se dinheiro, nisto, como em tudo, ter ou não dinheiro faz toda a diferença) - mas ainda assim é bom ler, virar as ideias do avesso e perceber que esta é uma luta que só será ganha quando todos (homens e mulheres, patrões e empregados, novos e velhos) estiverem empenhados nela. Isto, claro, se quisermos ter uma sociedade mais igualitária. Uma sociedade melhor.

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publicado às 13:11

Ainda a propósito dos argumentos parvos que se têm usado para defender a existência de brinquedos de menina e brinquedos de menino, dei por mim a pensar na roupa de homem e roupa de mulher. Há assim tanta diferença?

Pus-me à procura de uma peça de roupa ou acessório que seja exclusivamente masculino e não me lembrei de nenhum: calças as mulheres já usam há muito tempo, gravatas também, camisas, jardineiras, macacões, blusões (os tais bomber da moda), bonés... até boxers as mulheres usam. De facto, tantos anos de luta feminista têm dado os seus frutos. As mulheres conseguiram mudar a sociedade e tornar natural o que há séculos era impensável. (a Lina também já falou disto, vão lá ler).

O que existe, e não podia ser de outro modo, são modelos diferentes para se adaptarem aos diferentes corpos. As boxers das mulheres não podem ser iguais às dos homens. As blusas das mulheres precisam de espaço para as maminhas. As calças das mulheres têm de se adaptar às formas do corpo da mulher. Da mesma forma que existem modelos para corpos mais gordos e outros para corpos mais magros, para pessoas maiores e mais pequenas. As pessoas não são todas iguais.

O que não existe é essa abertura para os homens que ainda são muito criticados quando querem usar uma peça de roupa tradicionalmente associada às mulheres, como uma saia ou um vestido (um homem que usa saia é feminino? e uma mulher que usa calças é masculina?). O preconceito está entranhado muito fundo, mas estou em crer que lá chegaremos. Não será ainda na minha geração que isto de mudar mentalidades leva o seu tempo mas o caminho faz-se caminhando e o caminho já está a ser feito.

smith.jpgEste é Jaden Smith, de 17 anos, filho de Will Smith e Jada Pinkett Smith.  

publicado às 12:13

A discussão em torno dos brinquedos do McDonalds atingiu níveis de ridículo que julgava impensáveis. Adoro sobretudo os que dizem ah, não há brinquedos de menino e de menina? então, qualquer dia também não há roupa de homem e de mulher, ou então deixa de haver casas-de-banho para homens e para mulheres, querem ver? Não queria entrar por aí. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não estou a ver como é que a divisão dos sanitários públicos poderá contribuir para a perpetuação dos estereotipos de género, que é o que estava em causa nesta discussão. A comparação pareceu-me tão ridícula que tinha decidido não ceder à tentação de discutir aqui este assunto.

Mas, depois, pensando melhor, agora que falam nisso... por que raio há de haver casas-de-banho para homens e outras para mulheres?

Se houver casas-de-banho com compartimentos individuais fechados, por que motivo é que homens e mulheres não hão de ir às mesmas casas-de-banho indiferenciadamente? Pensem lá bem. Quantas vezes não nos encontrámos, apertadinhas, à espera, à porta da casa-de-banho de um restaurante, enquanto ao lado está uma casa-de-banho disponível, igualzinha à nossa, apenas com um símbolo diferente na porta? Será mesmo necessário haver essa separação? E não me venham cá dizer que as meninas e os meninos precisam de estar separados enquanto lavam as mãos. Não só não precisam como, de facto, isso já não acontece na maior parte dos sítios, em que há só um lavatório e depois uma porta para o sanitário dos meninos e outra para o das meninas. Faz algum sentido esta divisão?

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publicado às 10:10

Os homens e as mulheres não são iguais, tenho ouvido dizer. E eu, que não consigo fazer xixi de pé, não tenho como negar esta evidência. Mas quer-me parecer que homens e mulheres são muito mais parecidos do que nos querem fazer crer. Mesmo. Um dia, com mais tempo, vou tentar escrever alguma coisa mais consistente sobre isto. Para já deixo-vos esta imagem deliciosa:

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O futuro presidente americano Franklin D. Roosevelt em 1884, uma imagem que acompanha um artigo já antigo mas bem interessante sobre o azul-de-menino e o rosa-de-menina. Só para nos lembrarmos que as coisas nem sempre foram como são agora.

E ainda:

Para acompanhar uma das polémicas do momento convém ler o artigo sobre os brinquedos do Happy Meal.

Para terem uma ideia daquilo que eu penso vão ler os posts da Lina, que resume bem tudo numa única frase: "os brinquedos não têm género, quem tem género são as pessoas".

Para saberem tudo aquilo com que eu NÃO concordo basta ir ler a crónica do João Miguel Tavares. 

publicado às 10:35

Nunca gostei de revistas femininas. Essas revistas muito activas e maximas e assim existem desde que me lembro e já existiam antes de eu me lembrar, mesmo que com outros nomes, e todas elas se dirigem às mulheres modernas. Ah, as mulheres modernas! Nos anos 60 eram as que usavam aspirador e tinham máquina de lavar roupa. Hoje em dia usam telemóveis com a kitty e cozinham com a bimby. Seja como for, as revistas são sempre para as mulheres modernas, as mulheres do futuro, essas que vão mandar no mundo (essa eterna promessa por concretizar), que não se acomodam, que são tudo e mais alguma coisa. E também são sempre revistas sobre moda e cremes para a pele, que têm fofocas e sapatos, que falam da família e da casa, esses assuntos de mulheres. Já se sabe. Mesmo quando, como agora, as revistas já não querem ser femininas, querem ser feministas. Mas são exactamente iguais às outras só que em vez de guisados têm receitas com aveia e em vez de aeróbica falam de corridas mas na verdade continuam a falar de "assuntos de mulheres". E depois, porque a mulher moderna já não se contenta em ser só mãe e dona-de-casa (há quanto tempo ouvimos isto?), a mulher moderna também se interessa por economia e política e outros temas ditos sérios, essas revistas fazem uma selecção de notícias da actualidade para as mulheres, para que elas não tenham muito trabalho a ler os jornais que os homens lêem, que são uma maçada, ou para que olhem para o mundo como só as mulheres sabem fazer, com aquele olhar sensível, enquanto sonham com os filhos que vão ter e fazem depilação definitiva.

Não gosto de revistas femininas mas não tenho nada nada contra quem gosta. Se querem ler revistas femininas, leiam. Por mim, pode haver revistas femininas e outras de bricolage e outras só sobre musculação e outras só sobre peixes, não me interessam mas não me chateiam nada. Só não lhes chamem feministas. Nem digam que são publicações que defendem as mulheres ou que contribuem para o fim das discriminações.

Não gosto de revistas femininas - tal como não gosto de exposições só com mulheres nem de outras coisas do género -  e acredito que a única maneira de acabar com a discriminação é não discriminar. É integrar. É não fazer coisas de mulheres. É não fazer cantinhos para as mulheres. É pôr as mulheres em pé de igualdade com os homens. É tratar as mulheres exactamente da mesma maneira que se tratam os homens, com o mesmo grau de exigência, sem paternalismo, sem dizer isto são coisas delas (ah, que engraçadinhas que elas são). É que tirando o período, a gravidez, o parto e a amamentação não me estou a lembrar assim de mais nenhum assunto que seja só de mulheres (e mesmo esses já não o são, ou pelo menos seria desejável que não o fossem).

É assim como dizer que as pessoas votaram na Marisa Matias só por ela ser mulher. Mas, pronto, esse debate fica para outro dia.

publicado às 10:43

25
Nov15

Paridade

Sou contra as quotas. De mulheres ou do que for. Sou a favor de promover a igualdade de oportunidades e a igualdade no tratamento de homens e mulheres - em casa, no trabalho, na sociedade. Comprar bonecas para todas as crianças, independentemente de serem rapazes ou rapazes. Ensiná-las a lavar a loiça e a pendurar quadros na parede, qualquer que seja o seu sexo. Mas sou contras as quotas. Não exijo para mim nenhum tratamento especial por ser mulher. Não vou votar numa mulher (na maria de belém, por exemplo) só por ser mulher. Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a dar um passo para, daqui a nada, estar a dizer coisas como que as mulheres são mais sensíveis do que os homens ou as mulheres preocupam-se mais com os outros (o que não é verdade, depende das mulheres e depende dos homens com que as estamos a comparar) ou que as mulheres têm uma relação privilegiada com os filhos (o que também não é sempre assim, como se sabe). Quando introduzimos o factor "naturalista" numa discussão destas estamos a abrir caminho para mais desigualdades e para justificar comportamentos racistas, homofóbicos, etc., como tão bem nos ensina a história.

É óbvio que eu gostava que houvesse mais mulheres no governo, porque isso significaria que vivemos numa sociedade mais igualitária, onde homens e mulheres têm igual acesso aos centros de poder. Mas, para falar a verdade, o que eu gostava mesmo era de ter um governo mais competente. Se são homens ou mulheres que lá estão, pouco me interessa. Se são negros ou brancos, de origem brasileira ou goesa, se usam óculos ou próteses nas pernas, se são hetero ou gay, se são gordos ou magros, se gostam de punk rock ou música clássica, se usam minissaias ou calças à boca de sino. Interessa-me que sejam honestos e competentes, que cumpram as suas promessas, que não sejam preguiçosos e que não se deixem corromper, que pensem no que é melhor para o seu país, que governem como deve ser. E sobre isso, deixem-me que vos diga, tenho muitas dúvidas.

publicado às 11:07

Lembram-se da Anne-Marie Slaughter?

 

Agora, é a vez do marido dela contar como é isto de tentar "ter tudo" do ponto de vista do pai. O texto é, mais uma vez, muito bom. E levanta outro tipo de questões, sobre os estereotipos associados aos homens, de que geralmente não se fala.

 

A mim (por razões que eu cá sei) tocaram-me especialmente estas partes:

 

"(...) Lead parenting is being on the front lines of everyday life. In my years as lead parent, I have gotten the kids out of the house in the morning; enforced bedtimes at night; monitored computer and TV use; attempted to ensure that homework got done right; encouraged involvement in sports and music; attended the baseball games, piano lessons, plays, and concerts that resulted; and kept tabs on social lives. To this day, I am listed first on emergency forms; I am the parent who drops everything in the event of a crisis. These tasks aren’t intrinsically difficult, and my to-do list is far shorter than that of parents who cannot afford household help. Yet the role has unavoidably taken a toll on my professional productivity. (...) At the end of life, we know that a top regret of most men is that they did not lead the caring and connected life they wanted, but rather the career-oriented life that was expected of them. I will not have that regret."

publicado às 11:18

No outro dia, encontrei ESTA entrevista a Elisabeth Badinter. Esta senhora, que é uma milionária francesa e feminista, mãe de três filhos que não acredita nisso do instinto maternal, tem a coragem de contrariar (e explicar o porquê de) essa nova (?) tendência que se tornou politicamente correcta de achar que ser mãe é não só o destino natural das mulheres como também é o melhor que uma mulher pode ser; ou que para se ser uma mãe como deve ser tem de se parir com dor, amamentar até aos três anos e deixar o trabalho para ficar em casa a brincar com as crianças até elas irem para a primária (isto tudo enquanto os homens andam lá na vida deles, a fazer coisas de homens). É sempre muito arriscado dizer estas coisas porque há logo gente que aparece a tresler tudo e de repente é como se estivessemos a dizer que não gostamos de ser mães. E não é nada disso. Ouçam-na com atenção e pensem um bocadinho nisto.

Além disso, uma pessoa que é contra as quotas de mulheres é sempre uma pessoa que tem a minha simpatia.

Também vale a pena ler este resumo do que diz Badinter no The Guardian

publicado às 20:45

'Maioria Oprimida' é um filme de Eléonore Pourriat onde os homens agem como mulheres e as mulheres agem como homens para mostrar a todos do que falamos quando falamos de piropos, de assédio, de violação e de uma sociedade machista. Ela queria que fosse assustador. E é.

publicado às 14:38


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