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 Eels, I need some sleep

 

(não é fácil, pois não, mas é mais fácil hoje do que era há uma semana.)

publicado às 11:25

03
Out18

Deixa andar

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(e o difícil que isto é?)

publicado às 09:12

“Vais escrever sobre mim?”, perguntaste pouco depois de nos conhecermos, quando descobriste o blogue. Expliquei-te que nunca escrevo sobre determinados assuntos, pelo menos não abertamente. Os meus aires e desaires amorosos ficam reservados ao grupo de amigos que não sabe da minha vida por aqui.

“Um dia vais escrever sobre mim, vais ver”, disseste, confiante, como tu és. Como quem diz: um dia vou ser tão importante para ti que não vais ter como não o fazer. Ri-me. “Duvido", respondi. E cá dentro pensava: não vai acontecer.

*

O nosso encontro foi como um filme. Soubemos logo que nos íamos apaixonar perdidamente, ao mesmo tempo que soubemos que seria uma paixão sem futuro. Arriscámos vivê-la, ainda assim. Cada dia, uma vitória. 

*

Se eu achasse que todas as coisas acontecem por um motivo diria que nos encontrámos porque precisávamos de voltar a acreditar.

Tu precisavas de voltar a acreditar nas pessoas. Acreditar que nem todos são traidores, prontos a apunhalar-te pelas costas. Que há pessoas que apenas querem viver e sorrir e ser felizes com os outros. Que há pessoas que podem ser portos-de-abrigo. 

Eu precisava de voltar a acreditar que, algures, por aí, ainda há pessoas que me fazem perder o chão. Já começava a duvidar. A última vez que me tinha sentido assim já tinha sido há tanto tempo. (E é tão bom perder o controlo da situação, de vez em quando.)

*

A paixão torna-nos vulneráveis. A primeira vez que me fizeste chorar odiei-me por ter permitido que te tornasses assim tão importante.

Mas será possível ser de outra forma?

É melhor sentir e sofrer do que não sentir nada.

*

Este post foi sobre ti. E este ("eu sou o do beijos, não sou?", adivinhaste). E este também. E ainda este. E mais este. E finalmente este.

E então? Porque há de ser tudo velado? Porque não hei de escrever mesmo sobre ti? Medo do quê? Vergonha de quê? Quero lá saber o que as pessoas vão pensar.

Tinhas razão.

Este post é sobre ti, Pedro.

Para que nunca nos esqueçamos que nos encontrámos. Que foi muito bom. Que foi importante. Aconteça o que acontecer. Isto já ninguém nos tira.

E também para poder pôr aqui esta música, que é tão bonita:

Pulp, Something changed

"Life could have been different but then Something changed"

publicado às 23:59

Quando os meus filhos eram mais pequenos perdi muitos filmes. Não tinha tempo para ir ao cinema todas as vezes que queria e depois não podia compensar isso porque não tinha Tv-cines nem essa invenção maravilhosa que é a box da televisão que nos permite pôr para trás e ver aquilo que perdemos, além de que nem me passava pela cabeça piratear filmes a partir de sites manhosos. Outros tempos. Aprendi a viver com todos os filmes que não via como aprendi a lidar com os concertos a que não fui (e a que não vou) e com todos os convites que ainda recuso para programas que não se compadecem com treinos de futebol até às nove da noite e crianças que têm de estudar e acordar cedo para ir para a escola. De vez em quando encontro filmes perdidos na televisão e surpreendo-me. Como é que eu não vi este?

Aconteceu-me esta semana. Apareceu-me do nada num zapping tardio. Tive que o ver em duas noites porque ando estourada e adormeço no sofá muito antes da hora da Cinderela (mas isso dava outro post), mas lá consegui ver este filme de 2010: Blue Valentine ou, em português, Só Tu e Eu, realizado por Derek Cianfrance (que, depois desse, já fez Como um Trovão e A Luz Entre os Oceanos), com Ryan Gosling e Michelle Williams a fazerem de Dean e Cindy. A história de uma relação a caminho do fim. Ou de como a paixão é tantas vezes triturada pela vidinha. 

"I'm so out of love with you!", diz Cindy a Dean, no meio de uma discussão. "I've got nothing left for you, nothing." 

Se calhar sou eu que ando demasiado sensível e cansada e à procura de desculpas para lacrimejar, mas eu gostei muito e achei ao mesmo tempo tão triste e tão realista e tão doce e tão duro e depois tão triste outra vez. Nos filmes, como na vida, nem todos os finais são felizes.

publicado às 23:16

"If you aren’t able to honestly, openly, constantly communicate with your partner, then nothing else matters. Your actions don’t matter, the sex you have doesn’t matter, the power struggles and the financial strains and the problems with this, that or the other thing don’t matter."

Diz a cantora e activista Amanda Palmer, entre outras coisas fixes, no The Guardian

E já agora fiquem-se com esta dela, The Messy Inside:

publicado às 22:41

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E isto aplica-se a quase todos os aspectos da nossa vida. 

publicado às 23:11

Tudo começou num jantar com duas amigas, alguma sangria e bastante conversa sobre sexo. Tu devias era estar no Tinder, disseram-me, se não fôssemos comprometidas estaríamos lá, desafiaram-me. E, pronto, calhou ter uma semana mais desafogada de trabalho e de compromissos de mãe, com algum tempo livre, e lá decidi perder a vergonha e ir ver o Tinder. É um pouco intimidante, sobretudo se não se é uma pessoa com uma auto-estima muito elevada, devo confessar. Aquela coisa de estar numa montra traz ao de cima todos os meus receios de gaja, aqueles que nos acompanham no nosso dia-a-dia (se não sou boa o suficiente, se não sou bonita o suficiente, se sou gorda, se sou velha, se ele não gosta..), de uma forma bastante primária e, por isso mesmo, mais difícil de combater. É preciso coragem. Siga. 

Primeiro embate. Temos de dizer as idades dos homens que queremos ver. Isto leva-nos logo a pensar muito naquilo que queremos ou naquilo que estamos dispostas a aceitar. Também nos leva a repensar a imagem que temos de nós e dos outros. Uma coisa é uma pessoa andar na rua e sentir-se com 30 anos, outra coisa é estar ali, no meio da selva dos engates (já explico isto melhor mais à frente).

Segundo embate. Confrontada com a fotografia de um homem sobre o qual não sei absolutamente nada, eis que surgem, do mais profundo do subconsciente, todos os meus preconceitos. Este não porque é feio (ah, claro, porque tu só andas com homens bonitos, não é?), este não porque é gordo (no comments), este não porque tem ar de parvo, este não porque tem ar de velho, este não porque tem ar de puto, este não porque não sei quê. E eu a pensar de mim para mim que isto está errado. Que não é assim que a coisa funciona. Que isto da atracção (já nem falo de uma ligação maior) passa por tantas variantes que vão do cheiro à química, à voz a sei lá mais o quê, como é possível olhar para uma foto desfocada num telemóvel e decidir?

Terceiro embate. As fotos, senhores!, as fotos. Havia tanto a dizer sobre isto. Uma coisa é certa: sabe-se muito sobre uma pessoa pelo tipo de foto que põe no seu perfil. Há os que decidem pôr fotos dos seus abdominais ou outras partes torneadas do seu corpo. Há os que põem fotos manhosas tiradas no estádio de futebol ou numa noite de copos. Há os que põem selfies tiradas na cozinha ou deitados na cama. Há os que põem fotos com os filhos ou, o que é ainda mais incrível, com outras mulheres. Todos estes pequenos pormenores dizem muito sobre o tipo de homem que está ali (e, bolas, fiquei com tanta curiosidade de ver as fotos das mulheres, um dia ainda vou criar um perfil falso de homem só para ver o que ali se passa, deve ser mesmo incrível!).

Quarto embate. Está uma pessoa muito descansada na sua vida e aparece uma mensagem: Olá. Começa o jogo. Eu sou pessoa com grande dificuldade em fazer conversa, essa coisa da small talk não é para mim, nem ao vivo quanto mais online. De onde teclas?, perguntam-me, e eu sinto-me de volta ao bom velho Mirc de há vinte anos. As conversas começam quase todas da mesma maneira, dá vontade de gritar aleluia! quando há algum homem mais interessante. Eu não sou de meter conversa, não o faço na vida real, mas não é porque ache mal que as mulheres metam conversa, nada disso, é mesmo aquela coisa da auto-confiança e do medo da rejeição (falamos nisso depois, ok?), mas se alguém meter conversa comigo, mesmo na vida real, gosto de ser simpática. Mas dizer o quê? Perguntar o quê? Por onde levar a conversa? E quando ele dá erros de português? (turn off total, devo confessar. sou capaz de ultrapassar isso se já conhecer a pessoa e simpatizar com ela, mas assim à primeira?, please, no way) E se é um bronco? E se não gosta de cinema? E se gosta de ir caçar? Continuamos a conversa? Dizemos adeus?

Quinto embate. Vamos lá ser honestos. As pessoas estão sozinhas, querem companhia, conversar um pouco, conhecer pessoas novas, fazer amigos. Mas, acima de tudo, toda a gente no Tinder espera encontrar alguém com quem ir para cama. Claro que é preciso conversar um pouco antes, marcar um encontro, tomar um café ou ir jantar, ver como a coisa corre. Mas toda a gente tem essa esperança, lá no fundo, mesmo que não a confesse em voz alta. E isso mina todas as conversas, não há conversas desinteressadas. Portanto, tudo o que ali se passa, aquela converseta toda, é necessária só até ao momento em que alguém propõe o tal encontro, cara a cara. E isso pode acontecer ao fim de meia dúzia de palavras. Ou pode nunca acontecer. Depende muito daquilo que uma pessoa quer ou precisa naquele momento. Também depende da disponibilidade para investir numa conversa significativa, que vá para além das banalidades do costume, até encontrar alguém que faça click.

Ao fim de três dias, desisti. 

Atenção: não tenho nada contra o Tinder. Aparentemente há muita gente que encontra lá parceiros para belas cambalhotas, há muita gente que faz amigos e há até quem inicie a partir dali relações importantes e encontre o verdadeiro amor. Acho óptimo. Mas comigo não resulta. É mesmo um daqueles casos em que "não és tu, sou eu". Penso que precisaria de me entregar mais a cada uma daquelas conversas, mas o meu problema é que eu não tenho tempo para isso. Não tenho tempo para conversas online (tenho filmes para ver e livros para ler e posts para escrever ao serão). Não tenho tempo para marcar jantares com gente que mal conheço (eu mal tenho tempo para estar com os meus amigos). Sobretudo não tenho tempo para perder com pessoas com quem, muito provavelmente, não vou querer passar mais do que uma noite (ou elas comigo).

Então, estava eu a comentar estas conclusões quando uma amiga me falou do Ok Cupid. Que é mais completo porque podes definir melhor o teu perfil e tem mais filtros que permitem descobrir pessoas que têm mais a ver contigo. Fui ver.

Uma das coisas boas do Ok Cupid é realmente a possibilidade de completar o perfil como nós quisermos. E, depois, de vermos os perfis das outras pessoas. E isto põe-nos a pensar em muitas coisas.

A questão da idade, mais uma vez. Eu tenho 43 anos. E se há coisa que sei é que não preciso de um miúdo na minha vida. Um miúdo, quero eu dizer, um homem que ache que a melhor coisa do mundo é sair à noite, beber copos e engatar miúdas. Mas também não preciso de alguém que esteja desesperadamente à procura de constituir família. Assentar sim, ter mais filhos não. E não preciso mesmo nada de alguém que não saiba viver para além dos seus desejos e que não perceba todos os constrangimentos de quem tem filhos. E isto é importante, até mesmo para um único encontro é preciso haver empatia, não é? Portanto, e já com uma dose generosa de boa vontade, estabeleço o meu limite nos 39 anos. Erro enorme. Os homens de 39 anos que estão por ali são todos umas crianças. Depois, ponho o limite nos 50 anos. E, pasme-se, acho todos os homens de 50 anos uns velhos (ponho-me a pensar: eu também sou uma velha?). Pior. Consulto os perfis que aparecem e descubro que, na sua maioria, estes homens quarentões estão disponíveis para conversar com miúdas a partir dos 20 anos e raramente procuram uma mulher mais velha do que eles. Por favor. Bota estereótipo nisso. Que deprimente.

Depois há as perguntas. Um questionário imenso sobre tudo e mais alguma coisa, que podemos ir respondendo à medida que nos apetecer. Há perguntas que não fazem muito sentido, há perguntas parvas, mas de uma maneira geral é divertido. Eu, pelo menos, diverti-me. Porque a cada pergunta confrontas-te com aquilo que és e com aquilo que procuras. Como há a possibilidade de deixar as respostas privadas, podemos ser completamente honestos. Confrontamo-nos com os nossos preconceitos (again) e com os nossos desejos mais íntimos mas isso a mim interessa-me bastante. Por exemplo, perguntamo-nos: é importante conhecer alguém que goste de ler livros/ que goste de futebol mas não seja obcecado/ que não acredite no destino/ que tenha um curso superior ou podemos passar sem estas coisas? E se pararmos para pensar um bocadinho nisto, há tanta coisa que podemos descobrir sobre nós a responder a estas questões.

O questionário serve para estabelecer uma percentagem de compatibilidade, o que obviamente nos leva a explorar melhor os perfis das pessoas mais compatíveis connosco. Vamos tentar perceber exactamente no que é que somos compatíveis e no que é que somos diferentes, há muitas pistas que nos permitem conhecer um bocadinho melhor aquela pessoa para além da foto. E isso pode ser útil. Ou não, mas ao menos é divertido. 

Tirando isso, a coisa desenrola-se mais ou menos como no Tinder. Mas, pelo menos no meu caso, com muito menos opções. O sistema avisou-me para eu não ser tão exigente para ter mais hipóteses de escolha. Lol. Houve 55 homens que fizeram "like" no meu perfil, o que não é mau, mas eu não sei quem eles são. Nenhum deles era um dos oito ou nove a quem eu tinha dado o meu "like" (parece que avisam quando há correspondência). Recebi muitas mensagens de homens tentando estabelecer contacto. Olá, onde moras?, que belo sorriso, etc. A história do costume.

Uma dúvida: o que fazer quando se encontra alguém que nós já conhecemos da vida real? É que pode ser uma pessoa com quem nunca, nem nos nossos sonhos, nos apeteceu estar. E até pode ser uma pessoa que já nos interessava antes mas com quem nunca tivemos coragem para fazer avanços. Será este o sítio certo para o fazer? Em ambos os casos, decidi ignorar. Mas é uma situação estranha, lá isso é.

Ao fim de três dias, desisti.

Apaguei a conta no Tinder, deixei a conta do Ok Cupid em stand by, porque talvez um dia me apeteça ir lá fazer mais umas pesquisas sociológicas.

De qualquer forma, posso dizer, agora com conhecimento de causa, que este tipo de abordagem não é para mim. É preciso uma pessoa querer muito conhecer outra pessoa. É preciso estar disponível, em vários sentidos. E eu, por muito que diga que sim, quando chega a hora da verdade não estou assim tão disponível. Nem tão interessada. Talvez noutra altura, quem sabe. Por agora, o que me dava jeito era mesmo conhecer alguém num sítio qualquer, numa situação de trabalho, em eventos de amigos, no café, na rua, sei lá, num sítio qualquer, conversar com essa pessoa sem sequer pensar no que isso possa significar e, a certa altura, achar que se calhar me apetecia conhecê-la melhor. À moda antiga. Esse, sim, é o meu tipo de plataforma de encontro.

E só para terminar aqui fica este anúncio, porque é novinho em folha, já deste ano, e porque acho a animação muito fixe:

PS - a história continua AQUI

publicado às 01:31

15
Nov16

Lembrete

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Da mesma forma que é importante guardar a memória daqueles que foram (são) importantes para nós, das mais diversas maneiras, também é importante saber esquecer aqueles que nos fizeram (fazem) mal.

(por favor, não tentem estabelecer relações com o post anterior, não tem nada a ver, aconteceu por acaso que hoje me pusesse a pensar na necessidade de desocupar algumas assoalhadas do meu coração e de deixar de dar a minha atenção a quem, manifestamente, não a merece. é um caminho que já está a ser feito há algum tempo mas que tem conhecido bastantes desvios.)

publicado às 16:24

14
Jan14

Ilusionismo

Nunca achei grande graça aos mágicos. Mas fascinam-me os trapezistas e equilibristas. Têm redes para se protegerem. Cordas bem visíveis que os prendem. Apesar disso, fazem-me suster a respiração. E o coração bate mais rápido.

No circo, como na vida, prefiro a coragem dos que brilham sem truques.

publicado às 01:35

sem paixão.

(pensamento tardio depois de ir jantar com algumas pessoas que já não via há algum tempo e perceber, pelas frases e pelo desencanto nos seus rostos, que, com o tempo, muitos de nós vamos perdendo a capacidade de nos apaixonarmos e de nos entregarmos e de nos dedicarmos por inteiro, sem regras, sem medos, sem controlo. seja a uma pessoa ou a um projeto, a uma relação ou a uma tarefa, a um amor ou a uma causa. não quero ficar assim. não quero ficar assim. não quero ficar assim. e este post serve só para isso. para servir de lembrete. para poder voltar aqui sempre que necessário e dizer a mim mesma: não interessa quantas vezes caias, não importa quantas vezes te vais desiludir, nada faz sentido se não acreditares e se não te entregares a cem por cento. mais vale arriscar e sofrer do que nunca sequer tentar. não se pode ser feliz pela metade. é preciso acreditar. que um dia.)

publicado às 01:49


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