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02
Ago15

Contrabando

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 Dos Açores, trouxe chá Gorreana, comprado na fábrica, e vários pacotes de bolachas Mulata. Claro que podia ter comprado isto tudo no "continente" mas não era a mesma coisa, pois não?

publicado às 18:00

02
Ago15

Ilhada

walk 053.jpgwalk 059.jpgIMG_1124.jpgA beleza da Lagoa das Furnas. Piscina natural de água quente no Parque Terra Nostra. Praia de areia preta (e de água maravilhosa) em São Roque.

S. Miguel, Açores

publicado às 00:24

Por estes dias estou em S. Miguel. Há muito tempo que não vinha aos Açores e nunca tinha vindo a esta ilha. É trabalho, é muito trabalho, acreditem, mas pelo meio já provei uma maravilhosa bifana de atum e o melhor bolo de ananás do mundo, chicharros com feijão, queijo que pica na língua e queijadas de leite. A comida, a paisagem verde e as pessoas que tenho o privilégio de ir conhecendo fazem com que o trabalho não custe tanto.

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walk 036.jpgTirando a primeira, que são só uns miúdos descalços em Rabo de Peixe, estas são imagens de algumas das peças de arte pública produzidas no âmbito do festival Walk & Talk. A última, o 'Abraço à Ruína', é uma pequena maravilha de Vhils, num torreão no alto de um monte, rodeada de vegetação e silêncio. A arte pode ser (nem sempre, mas pode ser) a melhor iguaria.

publicado às 18:26

12
Fev15

Rio

Tantos locais que gostava de conhecer. Praticamente um mundo inteiro por descobrir. Já estou mais ou menos conformada que, pelo menos nesta vida, não vou conseguir viajar tanto quanto gostaria. Mas o Rio de Janeiro... como é possível nunca ter ido ao Rio de Janeiro?

(o vídeo é de Joe Capra)

publicado às 10:26

Sábado, depois das baquetes ao pequeno-almoço, fomos passear. Era o nosso dia em Paris. E mesmo com o tempo um pouco instável nada nos impediria de ver tudo o que queríamos ver. A pé, passando pelo Pompidou e pela Câmara Municipal, até ao rio. A pé, junto ao rio, espreitando as "praias", até à Ponte das Artes. Os miúdos ficaram encantados e passaram ali algum tempo a tentar abrir os cadeados. Quase todas as pontes de Paris têm cadeados mas aquela é realmente impressionante, brilhando ao sol. E não deixa de ser irónico que tanto "amor" esteja a ameaçar a ponte.

   

Atravessámos a rua para ir ver o Louvre - por fora, só por fora, tínhamos esgotado a nossa paciência para filas com a Disney. Fomos de metro até aos Champs-Élyseés e sentimos a imponência do Arco do Triunfo. Depois, outra vez de metro até ao Trocadero e abancámos na relva, a piquenicar com vista para a Torre Eiffel. Sem pressas. Porque isto de brincar a apanhada e às escondidas num jardim em Paris é outra coisa.

   
Finalmente, chegámos à Torre Eiffel. Uma multidão, uma birra, muitas fotografias. Descemos pelos jardins. Com tempo. Com brincadeiras. Que as crianças já começavam a ficar um bocadinho cansadas. Fomos a pé até aos Invalides, onde encontrámos uma manifestação e aproveitámos para lhes falar de Israel e da Palestina. Mas os miúdos, claro, estavam pouco interessados em política internacional. Só tinham olhos para o aparato da polícia de choque, as armas, os cães, os carros, os capacetes, centenas de polícias que fecharam completamente a praça e nos impediram de atravessar a linda ponte Alexandre III. Apanhámos o metro de volta para casa.
   
No dia seguinte, domingo, ainda tivemos tempo para passear mais um bocadinho. De pé até Notre Dame para ver a catedral onde se escondia o Corcunda, de autocarro Castor (porque havia umas estações de metro em obras) até aos Bateaux Mouches e, por fim, um passeio pelo Sena, para terminar em beleza a nossa viagem e nos despedirmos da Torre Eiffel.
Voltámos a casa, fizemos as malas, apanhámos o comboio para Orly e depois o avião Airbus A320 Agostinho da Silva, da TAP, para Lisboa. Chegámos a casa às 23.00, direitinhos para a cama. Mas com muitas histórias para contar e memórias para guardar. A viagem, vendo bem, ainda não terminou.

publicado às 10:10

"Our entire European vacation has been like this — a grand apology tour. Although no heirloom vases have been shattered at any of our stops, sandboxes have been emptied, paint has been splattered, soccer balls have been kicked over fences and buckets of water have been dumped. My two sons are exuberant fellows: They have rarely met a hallway they didn’t want to careen down, a coffee table they didn’t want to race around or a cushion they didn’t want to jump on.

They are children.

Only they’re not just children; they’re boy children."

Estava a ler isto e a lembrar-me dos nossos dias em Paris e da minha amiga a perguntar-me "mas como é que tu não tens uma doença do coração?". Não sei como, na verdade. Quando era mais pequeno, o meu filho Pedro era conhecido numa parte da família como "Pedro Pára" porque passávamos o dia inteiro a repetir Pedro, pára, Pedro, pára, de tal forma que parecia que uma palavra não podia vir sem a outra. Os meus filhos sempre foram assim enérgicos, mexidos, sempre andaram a correr por todo o lado, sempre aos saltos, sempre preferiram as brincadeiras físicas às brincadeiras calminhas. Mesmo agora que o António já está numa idade diferente e já se entretém bastante com as várias tecnologias, quando está com o irmão ou com outras crianças e, sobretudo, se estiver na rua/no jardim/ no parque, fica completamente imparável. Ficam os dois imparáveis. Palpita-me que os meus filhos subiram a todos os muros de Paris, escalaram a todos postes, pularam em todas as escadas, empoleiraram-se em todas as varandas e pontes e o Pedro ainda se espojou em todo o lado, mesmo no chão mais sujo. É muito cansativo para quem tem de tomar conta. É preciso estar sempre de olho, é preciso repetir muitas vezes não, párem, voltem, não, não, não, cada vez mais alto, até eles obedecerem. E às vezes é preciso simplesmente deixá-los ir, correr, explorar, brincar. Vivemos neste equlíbrio precário. Que sejam enérgicos mas que saibam comportar-se quando é preciso que se portem bem - esse é o objectivo a alcançar. Há dias em que sim, há dias em que não. Estamos a trabalhar nisso. Havemos de chegar lá.

Como escreve Lynn Messina:

"Sure, we all want our children to be polite and courteous and the perfect house guests, but we also want them to one day scale walls."

publicado às 12:16

Vamos lá ver, eu gosto dos carrosséis e das montanhas russas e dessas brincadeiras, gosto mesmo. E a maioria das diversões que experimentámos eram muito fixes. Mas não gosto de multidões e não gosto de filas - sobretudo não gosto de filas que duram quase ou mais do que uma hora. E não gosto de gente mal-encarada. Eu imagino que não seja fácil trabalhar ali todos os dias, a ouvir aquela musiquinha e a aturar turistas barulhentos e putos birrentos, mas pedia-se um pouco mais de sorrisos e de simpatia e de "magia", a tão falada magia da Disney, afinal, aquilo é suposto ser um mundo de encantar. Pedia-se um pouco mais de mickeys e de patos donalds a percorrerem o recinto para animar a criançada. Umas surpresas aqui e ali. Pedia-se um pouco mais de ilusão e de felicidade, imagino que seria isso que o senhor Walt Disney gostaria.

E quanto à parada, aquela para a qual as pessoas esperam mais de meia hora sentadas no chão e depois acotovelam-se para chegar à frente e filmar tudo como se fosse uma maravilha... antes de ir, uma amiga avisou-me que a parada da Disney parecia o carnaval de Torres Vedras. Eu achei que era piada mas não era. Nunca fui ao carnaval de Torres Vedras mas acredito mesmo que seja melhor do que aquilo. Uma pessoa vê aqueles carros alegóricos a passar e não acredita. A sério? É isto a grande parada da Eurodisney?

Dito isto, os miúdos adoraram. Adoraram tudo. Gostaram do palácio da Bela Adormecida e das chávenas da Alice, das grutas dos piratas, dos tiros do Buzz Lightyear e da viagem do Star Wars, dos hamburgueres manhosos e dos bonecos que desfilaram à sua frente com um sorriso postiço, das pipocas, do algodão doce e das pistolas dos Piratas das Caraíbas que comprámos à saída. De tudo. E só por isso valeu a pena.

Na sexta-feira, estivemos na Disney das 10.30 da manhã às 9.00 da noite. Está visto e não tenciono voltar.

publicado às 21:41

Conhecemo-nos na fila do check-in, às 5 da manhã de quinta-feira. As crianças numa excitação com a viagem de avião, a Cecília com cadernos e lápis de cera para eles se entreterem no voo. Aprenderam a dizer 'pardon' e 'merci', com uma pronúncia irrepreensível, e depois, já todos amigos, a excitação continuou com o comboio e com o metro e com as ruas de Paris, com eles a absorver todos os detalhes. Se mais nada houvesse, só esta experiência de viajar e de explorar uma cidade estrangeira seria valiosa para eles.
 

Nessa tarde, ficámo-nos pelo nosso bairro e fomos ao Centro Georges Pompidou onde nos deliciámos com a vista sobre a cidade e ainda vimos uma parte da colecção de arte contemporânea. Claro que não deu para ver tudo, tudo nem para ver com muitos pormenores, mas acho que as crianças se divertiram. Havia muitas peças sobre a guerra, as várias guerras. Lá aproveitámos para dar uma explicações. E numa delas até pudemos deixar a nossa marca:

 

 (no entretanto, como já repararam, fui-me tornando especialista em tirar fotografias a pessoas de costas)

publicado às 11:18

Alugámos uma casa, através do Airbnb, na rue Beaubourg, ao lado do Centro Georges Pompidou. À porta do metro de Rambuteau, a dois passos de Les Halles. A localização era importante para nós - tínhamos ligação direta ao aeroporto e à Disney, conseguimos ir a pé até ao Louvre e até Notre Dame. Um sexto andar sem elevador (sim, é puxado, mas encarámos aquilo como uma ida ao ginásio), num prédio charmoso, de esquina, com varandas a toda a volta e uma sala redonda. A porteira, madame Vasco, era, obviamente, portuguesa. Como nos filmes. Esta era a nossa vista:

Alugar uma casa era uma opção bastante mais barata do que estar num hotel no centro de Paris. Além disso, permitiu-nos cozinhar ao jantar - nem consigo imaginar o que aconteceria se, depois de um dia inteiro na Disney, tivessemos que, às dez da noite, levar esta malta para um restaurante - e preparar snacks para os nossos passeios. Fomos ao supermercado, comprámos baquetes fresquinhas para o pequeno-almoço, garantimos doses diárias de fruta. E, não menos importante, estar num apartamento permitiu-nos estar juntos. Acordar com calma, conversar, partilhar, estarmos à vontade como se estivessemos na nossa casa. Os miúdos dormiram todos num quarto, numa animação incrível (havia uma indicação do senhorio de que os vizinhos de baixo eram muito sensíveis com o barulho mas acho que eles não deviam estar em casa porque nunca houve queixas):

Viajando com crianças não podíamos terminar o dia a beber um gin tónico, calmamente, numa das muitas esplanadas de Paris. Mas podíamos fechar a porta da sala e esquecer as crianças por um bocadinho enquanto nos divertíamos com conversas de miúdas. A felicidade não precisa de hotéis de luxo. A felicidade está nestas pequenas coisas:

publicado às 21:21

A viagem a Paris e à Eurodisney estava prometida ao António para quando ele terminasse o 4º ano, o que coincidia com o facto de o Pedro ir para o 1º ano. Não como um prémio, mais como um marco para eles, e também porque me pareceu que estas seriam as idades certas para nos metermos nesta aventura. Claro que a primeira vez que falámos disto a nossa vida era muito diferente. Éramos quatro e tínhamos mais dinheiro. As coisas complicaram-se mas os planos mantiveram-se. Fizemos um mealheiro, para ajudar nas despesas. E comecei a rondar alguns amigos, a tentar perceber se alguém estaria a pensar ir à Disney este ano. Estava fora de hipótese meter-me numa viagem destas sozinha com os rapazes, não porque não fosse capaz (que seria, obviamente) mas porque iria ser horrível (eu conheço-me e conheço os meus filhos e não seria bonito, posso garantir-vos). Foi por mero acaso, numa conversa que não tinha nada a ver, antes de uma ida ao cinema, que uma amiga comentou que estava a planear levar o afilhado a ver a Torre Eiffel e começou logo ali a nascer a ideia de irmos juntas. Depois, por alturas da Páscoa, acertámos os detalhes: quantos seríamos, as datas que conviriam a todos, o que queríamos fazer na viagem. E começámos a contagem decrescente para as férias.

Éramos três adultos (duas mães e uma madrinha/amiga) e quatro crianças (dois de 10 anos e dois de 6 anos). As crianças não se conheciam. Eu não conhecia a outra mãe. Eu a e a Cecília somos amigas mas nunca tínhamos viajado juntas. Foi como um 'blind date', concluímos, no final da viagem. Podia ter corrido mal. Podíamos ter antipatizado uns com os outros. Mas isso não aconteceu. Correu bem. Correu muito bem. Correu tão bem que ficámos com vontade de viajar juntos mais vezes.

Ajudou muito o facto de sermos pessoas descomplicadas e de estarmos todas no mesmo comprimento de onda - sabíamos que esta viagem era para as crianças e que queríamos gastar o mínimo possível. E ajudou ainda mais o facto de termos connosco a mais dedicada e paciente planeadora-de-viagens-incansável-guia-cuidadora-de-crianças-e-de-mães-recém-divorciadas à face da terra. E que ainda por cima fala francês. Minha querida amiga, obrigado por tudo.

A primeira vez que vimos a Torre Eiffel, lá ao longe, no Centro Georges Pompidou.

publicado às 10:11


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