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Morreu João Gilberto. E não há muito mais a dizer. 

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Está tudo aqui .

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publicado às 23:22

02
Jul19

Não te demores

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Hoje ensinaram-me um provérbio chinês: "Não semeies o amor onde não possas ficar". A internet não conhece este provérbio chinês. O mais parecido que encontrei foi esta frase - que pode ter sido dita pela pintora Frida Kahlo ou pela atriz Eleanora Duse ou até por outra pessoa qualquer (isto com as citações que se espalham pela internet, assim como com os provérbios chineses, nunca se sabe): "Onde não puderes amar não te demores". No entanto, as duas frases dizem coisas muito diferentes. E acho que esta segunda faz muito mais sentido. Embora tenhamos um poder limitado para decidir quem amamos e muito menos quem nos ama, podemos perfeitamente, e por muito que nos custe, decidir onde nos queremos ou não demorar. 

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publicado às 23:17

Fomos ver o Toy Story 4 (em inglês e numa sessão à noite, que cá em casa já somos todos crescidos) e posso dizer-vos que é tão incrivelmente bom que a certa altura até me esqueci que estava a ver um filme de animação e em que, ainda por cima, as personagens são brinquedos. É tão bem feito a tantos níveis - a animação extraordinária, a história que nos prende, as diferentes personagens (com destaque para Forky, o garfo com dúvidas existenciais), as piadas e piscadelas de olho, o modo como retrata a infância e o modo como retrata a maturidade: afinal, os brinquedos somos nós, com as nossas paixões e os nossos dilemas de gente crescida.

Para grande vergonha dos meus filhos, ri às gargalhadas e lacrimejei um bocadinho - nada que se compare ao último Toy Story, mas sou uma chorona, nada a fazer. 

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publicado às 10:08

Um destes dias fui à livraria Ler Devagar e não resisti a comprar um livro: My Sh*t Therapist and other mental health stories, de Michelle Thomas. Nunca tinha ouvido falar desta autora mas folheei o livro e fiquei curiosa.

Nos últimos tempos, várias pessoas à minha volta têm sofrido de depressão, ansiedade, exaustão ou "apenas" tristeza. Nos últimos tempos, percebi que várias pessoas à minha volta estão a fazer psicoterapia ou tomam medicação regularmente ou têm medicação de emergência para fazer face às dificuldades da vida.

Não é fácil falar destes problemas. Às vezes as pessoas dizem aos amigos como se sentem em baixo e ouvem frases como "isso passa", "tens de te animar", "vá, esforça-te um bocadinho". Como se fosse fácil. Como se fosse só querer. Eu também costumava ser uma dessas pessoas com pouca empatia por queixas que na maior parte das vezes não me pareciam ter grande fundamento. Mas tenho vindo a aprender a ser uma amiga melhor. A estar mais mais disponível. A ouvir. Muitas vezes não sei como ajudar, a única coisa que posso fazer é mandar uma mensagem ou telefonar, conversar um bocadinho, convidar essa pessoa para ir ao cinema, levar-lhe um bolo feito por mim e esperar que isso ajude de alguma forma (sei que a mim ajudam-se sempre o carinho e o cuidado dos meus amigos).

Michelle Thomas parte da sua própria experiência para falar das muitas pessoas que hoje em dia são afectadas por várias doenças mentais (muitas pessoas mesmo). Este não é um livro de auto-ajuda, embora só o facto dela falar deste assunto sem tabus já seja uma ajuda. Num tom ligeiro e com algum sentido de humor, ela vai-nos dizendo o que lhe aconteceu, as coisas que fez que a ajudaram e as coisas que fez que não a ajudaram (por exemplo, consultar aquele sh*t therapist que lhe disse que da próxima vez que ela tivesse um ataque de pânico deveria beber uma chávena de chá).

A primeira coisa que Michelle Thomas faz questão de esclarecer é que a doença mental é uma doença como as outras. E é como tal que deve ser encarada. Se uma pessoa partir uma perna não tem vergonha de dizer aos amigos que partiu a perna e não lhe passa pela cabeça continuar a sua vida como se nada fosse, sem ir ao médico nem tratar devidamente a perna partida. Com a doença mental é exactamente a mesma coisa. Não há que ter vergonha de admitir que se está doente e temos que tratar a doença como deve ser.

Só que a nossa cabeça é um bocadinho mais complexa do que um osso. Não só uma doença mental é mais difícil de diagnosticar (ah, isto é só cansaço, dizemos, enquanto deixamos arrastar a situação) como qualquer problema no funcionamento do cérebro afecta todo o nosso corpo - física, mental e emocionalmente. A doença mental altera a maneira como as pessoas pensam, sentem e se comportam.

*

Sim, a doença mental é uma doença de verdade e uma depressão (ou uma crise de ansiedade ou um ataque de pânico) pode acontecer até mesmo à pessoa que está apaixonada e feliz e passa férias em ilhas paradisíacas.

Mas, tal como há cuidados que devemos ter com o nosso corpo e sabemos que se comermos imensos fritos e não fizermos exercício físico teremos mais hipóteses de ter uma doença cardíaca, também há coisas que fazemos ou que nos acontecem que podem influenciar a nossa saúde mental. Coisas como insistir em ter um trabalho que odiamos. Ou ter relações com pessoas tóxicas. Ou trabalhar 12 horas por dia. Ou dormir cinco horas por noite e achar que é mais do que suficiente. Ou outras coisas. Se não estivermos bem física ou emocionalmente é mais provável que a nossa mente também adoeça.

E há coisas que podemos fazer que ajudam. Neste livro, Michelle Thomas diz quais as coisas que a ajudam e que, curiosamente, não são assim tão diferentes das minhas.

Fazer terapia. Deveríamos poder fazer terapia como quem vai ao dentista ou ao ginecologista, sem estarmos doentes (digo poder porque a terapia é muito cara). Que bom seria ter alguém que nos ouvisse, que nos ajudasse a pensarmo-nos (e a conhecermo-nos o melhor possível), que nos ajudasse a ter instrumentos para vivermos melhor a nossa vidinha (por exemplo, trabalhar a nossa auto-estima e os sentimentos de culpa) e que nos desse a mão se nos visse a afundar, sem que tivéssemos sequer que pedir.

Ter relações afectivas. A família e os amigos (e um amor, se o houver) são a minha salvação sempre. Sentir que não estamos sós, que há pessoas que gostam de nós e que se preocupam connosco faz-nos sempre bem. Por outro lado, sentir que somos úteis aos outros, cuidar de e fazer alguém feliz é também uma enorme satisfação. A vida é melhor quando a podemos partilhar com pessoas de quem gostamos. Claro que é importante aprendermos a estar sozinhos e não podemos fazer com que a nossa felicidade dependa dos outros, mas também é importante que não nos sintamos sós - a solidão é um dos sentimentos mais esmagadores que tenho experimentado.

Fazer coisas que nos dão prazer. As minhas - além de estar com as pessoas de quem gosto - são: ler, escrever (este blogue é parte da minha terapia), ir ao cinema, ver um espectáculo, cozinhar, passear, esplanadar, dançar. É importante termos coisas que gostamos de fazer, que não dependem dos outros e que nos fazem sentir bem. Como me disseram uma vez, quantas mais coisas nós gostarmos de fazer mais possibilidades temos de sermos felizes.

Encontrar a felicidade nas coisas pequenas. Mesmo quando tudo parece correr mal, todos os dias há coisas boas na nossa vida. Talvez se lhes dermos o devido valor, isso nos ajude a enfrentar as coisas más.

*

Eu nunca tive uma depressão nem qualquer outra doença mental mas sei que a qualquer momento posso ter um breakdown, que não sendo a mesma coisa pode ter efeitos devastadores. Isto é tudo muito frágil e a vida é complicada, é fácil sentirmo-nos assoberbados. Sei que tenho as minhas fases más. Conheço os meus sintomas. Há momentos em que nada parece fazer sentido e em que me sinto a afundar, como se não conseguisse manter-me à tona. Mas, de alguma forma, lá encontro forças para dar mais umas braçadas e, felizmente, até agora, tenho tido o discernimento para tomar as medidas necessárias sempre que me senti a perder o pé. Mas mantenho-me atenta. 

Cada cabeça é uma cabeça, por isso as respostas não são iguais para todos. Mas, por outro lado, as cabeças são todas muito mais parecidas do que imaginamos. Não estamos sozinhos nisto. Portanto, como insiste a Michelle Thomas, estejam atentos aos sinais e não tenham medo de pedir ajuda. 

A Little Help From My Friends, The Beatles

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publicado às 17:11

A dona Dolores tirou uma fotografia de bikini na beira da piscina. E partilhou-a nas redes sociais.

Eu admiro muito aquela mulher.  

Eu não tiro fotografias em bikini. E se na praia alguém quiser tirar fotografias eu vou a correr vestir uma roupita ou encolho-me de maneira a que não apareça muito do meu corpo. E se tirar alguma fotografia de certeza que não a partilho nas redes sociais. Aliás, se eu estiver de bikini faço os possíveis para não encontrar ninguém que seja vagamente conhecido. Porque eu - até posso disfarçar e fingir que não é nada e pôr um ar super-seguro de quem é a maior mas a verdade é que - tenho muita vergonha que as outras pessoas olhem para o meu corpo gordo despido e para as banhas e celulites todas que eu para aqui tenho. Portanto, sempre que posso, evito mostrá-lo. E eu sei que isto é errado. Sei que as pessoas são mais do que um corpo (sei que eu sou mais do que um corpo). E defendo com unhas e dentes o direito a cada um ter o corpo que tem, sem vergonhas nem tabus. E até consigo, no dia-a-dia, viver tranquilamente com o meu corpo. É só vestir uma roupa discreta e esquecer que tenho um corpo. Mas quando estou seminua é mais difícil. Uma pessoa fica consciente de todas as suas imperfeições e não há auto-estima que resista.

Mas, sabem, eu não queria ser magra. Eu só queria estar-me nas tintas para o que os outros pensam. Eu não faço dieta, eu luto contra a minha falta de confiança.

Por isso eu admiro a dona Dolores. E queria ser assim. Uma mulher que vive bem com o seu corpo. Que diz: esta sou e estou-me a cagar para vocês. Esta sou eu e sou feliz, olhem lá para mim e vejam como eu sou feliz. 

Acho mesmo triste que haja gente a gozar com ela. E que alguma dessa gente sejam mulheres e que até se digam feministas. E que alguma dessa gente sejam pessoas inteligentes e que até se digam defensoras da liberdade individual. Mas não resistem a gozar. Ah, é só uma brincadeira, dizem. Mas não é. Porque quando gozam com ela na verdade estão a dizer: "olhem o desplante desta gorda que não tem vergonha de se mostrar, não saberá ela que as gordas têm de se tapar? que só as magras e boas é que têm o direito de exibir o seu corpo de bikini?" E isso não tem graça, é só maldade e mesquinhez.

Voltamos sempre ao mesmo

E, já agora, podem ler AQUI sobre um livro extraordinário, A Gorda.

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publicado às 19:52

O documentário Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story, do Scorsese, que está na Netflix, é um objecto fascinante. Podemos vê-lo como um simples documentário e acreditar em tudo o que ali é mostrado - e já é fascinante, só assim, poder ver e ouvir Bob Dylan, Patti Smith, Joan Baez, Alan Ginsberg, Sam Shepard ou Joni Mitchell. Ou então podemos ficar intrigados com o que acabámos de ver e pesquisar um pouco mais para perceber como é que o documentário foi feito e descobrir que há ali uma parte que é pura ficcção - e mais fascinante ainda se torna. E divertido. Mesmo muito divertido.

A Rolling Thunder Revue foi uma digressão liderada por Bob Dylan com quase 20 pessoas em palco que começou em outubro de 1975 em Plymouth e terminou em maio de 1976 em Salk Lake City. Depois de uma digressão em estádios, o músico quis fazer algo diferente: em salas mais pequenas e reunindo um grupo de amigos em concertos que podiam durar três horas, onde havia espaço para a poesia e para a improvisação, para cantarem juntos e a solo, cada um apresentado os seus temas. Dylan aparecia em palco com a cara pintada de branco e um chapéu a tapar-lhe os caracóis e cantava e encantava.

O filme tem alguns momentos especiais - por exemplo, as primeiras cenas, ainda antes da digressão, com Patti Smith, ou quando Dylan e Ginsberg visitam a campa de Jack Kerouac, os ensaios com Joni Mitchell ou o movimento pela libertação do lutador Hurricane, que motivou a canção com o mesmo nome. E um diálogo (será verdadeiro? será ficção?) quase amoroso entre Baez e Dylan: casamos com quem amamos ou com quem pensamos que amamos?  O amor não é, definitivamente, assunto para a cabeça, conclui Dylan. Todas as imagens dos concertos são preciosas e as imagens antigas (até mesmo as que possam ser forjadas) ajudam-nos a fazer o retrato de uma época. Não só pelas personagens que aparecem e por todo o espírito da digressão e dos concertos, mas também por mostrarem aquele momento de transição política (de Nixon para Jimmy Carter), o fim da guerra do Vietname, a crise económica, os jovens e os menos jovens das muitas Américas por onde os músicos andaram.

E o resto? O que é verdade e o que é mentira? Não é por acaso que o documentário começa com imagens do espetáculo de ilusionismo de Georges Méliès. O facto de Bob Dylan ter aceite fazer este filme e ter pactuado com Scorsese na criação de uma ficção como que a gozar com aquela digressão histórica diz muito sobre o Prémio Nobel da Literatura e do quanto ele, mesmo não parecendo, não se leva assim tão a sério.

Podemos questionar se, tendo um material tão rico para trabalhar, valeria a pena inventar uma ficção. Ou até se, num momento em que tanto falamos de fake news, um filme que propositadamente mistura verdade e mentira não poderá ser visto eticamente como uma irresponsabilidade. Mas também podemos ver este filme como uma resposta de Dylan a este mundo de celebridades que vivem numa montra constante (e a recusa de Dylan, acompanhada de uma gargalhada sarcástica, em expor-se totalmente). Ou então apenas como um divertimento.

Seja como for, se me diverte e me faz pensar, para mim nunca é tempo perdido.

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Joan Baez e Bob Dylan

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publicado às 19:13

11
Jun19

Foxtrot

O foxtrot é uma dança em que se vai para a frente, para o lado, para trás, e se acaba exactamente no mesmo lugar onde se começou. Um pouco como a vida, portanto. Este filme de Samuel Maoz não é como o foxtrot. Porque depois da morte de um filho é impossível voltar ao lugar onde estávamos. É um filme muito duro. Que inevitavelmente me mexeu por dentro e me pôs a pensar na estupidez da guerra e no sentido disto tudo. E deu-me a conhecer o excelente actor Lior Ashkenazi.

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publicado às 19:35

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Um filme: 

A violação de Recy Taylor é um documentário de Nancy Buirski que nos conta como, numa noite quente de 1944, em Abeville, Alabama, no Sul dos EUA, uma rapariga negra de 24 anos foi violada por seis rapazes brancos de 14 a 18 anos. E de como ela foi ignorada pelas autoridades e viu a sua vida estragada. Sem que nunca se fizesse justiça. A história é revoltante, como é revoltante a história do racismo e do segregacionismo na América do século XX. É importante sabermos. É importante falarmos disto. O filme está em exibição apenas no Cinema Ideal, em Lisboa, de quinta a domingo, às 17.30.

 

Um espectáculo:

Histórias de LX é um espectáculo com poucas palavras mas que tem muito a dizer. Uma denúncia desta Lisboa gentrificada e turistificada onde, aparentemente, um T2 acessível é aquele que custa o dobro de um salário mínimo. Está lá tudo, dos pedintes às trotinetas passando pelos restaurantes chiques. Porque, como costumo dizer, às vezes é preciso ir ao teatro para depois vermos o mundo com mais clareza. O espectáculo do Teatro Meridional está no São Luiz até dia 16 de junho.

 

Um livro:

Tem sido a minha companhia nas últimas semanas: Becoming, a autobiografia de Michelle Obama, não é um livro denúncia nem tem revelações escandalosas, há ali um tom muito "polite" que é exigido a uma ex-primeira-dama, mas tem o dom de estar escrito com honestidade e sentido humor. A história que ela conta é a de uma rapariga negra de classe média-baixa que cresceu num subúrbio de Chicago e se apaixonou por um rapaz negro com um apelido estranho e sem qualquer fortuna mas que era uma cabeça brilhante, e de como aqueles dois, com a sua determinação, e apesar de todos os percalços, chegaram à Casa Branca. O sonho americano tornado realidade à nossa frente. Não foi exactamente assim? Pode até nem ter sido, já sabemos que cada um conta a história à sua maneira. Mas também não há de ter sido muito diferente. E o livro está recheado de pequenas histórias que, só por si, valem muito a pena. E faz-nos pensar o quanto foi preciso andar para de Recy Taylor chegarmos a Michelle Obama - e, apesar de tudo, quanto ainda nos falta andar.

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publicado às 12:11

Ora aí está uma pergunta tramada. A pergunta atravessa o filme Índice Médio de Felicidade, de Joaquim Leitão, que vi esta semana na RTP1, e ficou a ecoar-me na cabeça tal como já tinha acontecido quando li o livro do David Machado há três anos.

De zero a dez, quão feliz sou eu?

Vamos lá pôr tudo numa balança. Os dias bons e maus nos trabalho. Os dias bons e maus dos meus filhos. A frustração por não ser melhor no trabalho. A frustração por não ser melhor em casa. As discussões com o meu adolescente. A família lá longe. A loucura dos dias. A conta bancária diminuta. As viagens que não vou poder fazer. Os pequenos privilégios que, apesar de tudo, tenho na minha vida. Os livros, os filmes, os concertos, os espectáculos. As pessoas que vou encontrando. Os sonhos que ficam por cumprir. As pequenas coisas boas que me vão acontecendo. Os amigos que estão presentes. Os amigos que estão ausentes. As conversas boas. A solidão cada vez maior. As gargalhadas que vou dando. As lágrimas que tantas vezes guardo. Os bons momentos. Os outros momentos. De zero a dez, quanta felicidade é esta?

Faço contas, penso em números. No livro e no filme, uma das coisas que fica clara é que este índice de felicidade pode mudar rapidamente, com pequenas coisas. Isto é verdade. Às vezes, basta um telefonema, uma notícia, uma pessoa, um momento, basta uma coisa qualquer para fazer com que tudo valha a pena e com que esqueçamos todas as coisas más (ou então, o contrário). Num momento sou a pessoas mais infeliz do mundo e só me apetece fugir, daí a um bocadinho já estou optimista e confiante, a achar que vou dar a volta a isto (ou então, o contrário). 

De zero a dez, quão feliz sou eu? E, mais importante ainda, o que é que eu posso fazer para aumentar esse número? Essa é que a verdadeira questão.

(já agora, o filme não é uma obra prima, mas não é nada mau)

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publicado às 17:29

Estava a apagar rascunhos. Eu tenho sempre imensos rascunhos aqui no blogue. Ideias que não vão a lado nenhum. Desabafos que entretanto perdem o sentido. Textos que ficam ali em banho-maria, à espera do momento certo para serem publicados. Pode não parecer mas quase tudo o que eu publico neste blogue é bastante pensado. Às vezes passo dias a escrever na minha cabeça antes de finalmente, quando me parece que a ideia já tem alguma consistência, começar a teclar. Outras vezes, quando tenho tempo, abro um rascunho e vou escrevendo, pausando, reescrevendo. A maior parte das vezes em que sou mais instintiva e escrevo e publico com grande rapidez acabo por me arrepender ou por ter de voltar ao post para emendar alguma coisa. Adiante. Estava a apagar rascunhos e encontrei um, de 2014, que se intitulava "moderação" e tinha apenas um link:

"Nas estradas avisam: "Modere a velocidade". Podia haver o mesmo aviso no início dos namoros."

É tão engraçado este carrossel da vida. Ainda ontem falava disto com uma amiga.

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publicado às 10:25


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