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13
Dez20

Keep moving

Domingo. Antes das nove da manhã estava a sair de casa, debaixo de uma chuva miudinha, a maldizer a vida. Mas porque é que fui meter-me nisto? Resisti à vontade de ficar no sofá e no quentinho e lá fui. Mais de duas horas a caminhar por trilhos em Monsanto com outros pais enquanto os putos pedalavam por ribanceiras e poças. E acabou por ser muito bom. Mesmo com a chuva nos óculos e os pés enlameados. Valeu pelo ar fresco na cara (e nas ideias), pelos momentos de silêncio, apenas ouvindo a respiração e os passarinhos. Pelo entusiasmo de todos, miúdos e graúdos. E a alegria do Pedro. 

Às vezes temos de sair da nossa zona de conforto. É esse o desafio.

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publicado às 17:25

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Não era um tema fácil. De tal forma que, antes mesmo de estrear, o espectáculo já estava a ser criticado, só pelo título, só por aquilo que se lia na sinopse e que na altura não era ainda mais do que um manifesto de intenções: Catarina e a Beleza de Matar Fascistas é uma peça escrita e encenada por Tiago Rodrigues, que fala sobre isso mesmo, sobre fascismo e sobre pessoas que matam fascistas. Não, não é um tema fácil. Mas é um tema necessário.

Comecemos pela Catarina do título, referência a Catarina Eufémia, uma ceifeira alentejana que, a 19 de maio de 1954, durante uma greve e um protesto das trabalhadoras que pediam um aumento salarial, foi assassinada por um elemento da GNR com três tiros. Na altura, tinha apenas 26 anos.

O ponto de partida do espectáculo é este: uma das companheiras de Catarina Eufémia, que viu o que aconteceu, ficou tão revoltada que nesse dia decidiu matar o seu marido, também ele guarda, que assistiu ao assassinato sem nada fazer tornando-se seu cúmplice. Essa mulher decide então que todos os anos irá matar um fascista e depois enterrá-lo no seu terreno, plantando no local um sobreiro. A estranha tradição passa para os filhos e netos que, chegados aos 26 anos, se tornam assassinos de fascistas - sobretudo fascistas que tenham de alguma forma contribuído para a morte de uma ou mais mulheres. Todos os anos, em maio, a família reúne-se na casa do Alentejo. Nesse dia, todos os elementos da família, sejam homens ou mulheres, vestem-se de ceifeira e são chamados de Catarina. Juntam-se à mesa para comer e beber e depois matam um fascista.

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É aí que os encontramos, num futuro próximo do nosso: imaginemos que daqui a meia dúzia de anos os fascistas chegam ao poder em Portugal e preparam-se para aprovar uma nova Constituição. Em maio, como sempre, a família captura um dos principais ideólogos do regime e vai matá-lo. Será a primeira vez que Catarina, agora com 26 anos, vai matar um fascista. Mas no momento de apertar o gatilho ela tem dúvidas.

Matar ou não matar? É legítimo usar a violência para combater o fascismo? É legítimo fazer justiça pelas próprias mãos quando sentimos que o sistema nos falha? 

E ainda: como poderemos impedir os fascistas de chegar ao poder? Terá a democracia as armas necessárias para travar um combate com quem mente, destorce e aldraba as regras democráticas? Serão as palavras suficientemente poderosas para esta luta? E se não fizermos nada seremos cúmplices dos fascistas? 

Todo o espectáculo é extraordinário no modo como nos vai introduzindo as personagens, com os seus motivos e as suas nuances, ora fazendo-nos rir ora fazendo-nos pensar, ao mesmo tornando real e utópica aquela situação, mas a cena central é a troca de argumentos entre Catarina-mãe e Catarina-filha. O dilema é também nosso e é do presente: o que podemos nós fazer? Catarina e a Beleza de Matar Fascistas não nos dá respostas mas faz-nos muitas perguntas. E à medida que se aproxima do fim faz-nos remexer na cadeira, num desconforto, olhando para o lado, indagando aqueles que nos rodeiam: e agora?

É essa a pergunta que continuamos a fazer depois do espectáculo e que é tão necessária nos dias de hoje: o que fazemos agora?

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Muito mais do que mensagem, Catarina e a Beleza de Matar Fascistas é um prazer para os olhos e para os ouvidos, para o cabeça e para o coração. A peça é muito bem escrita - embora às vezes eu preferisse que não fosse tão explícita, percebe-se que as referências concretas têm como objectivo alertar-nos para o perigo real que vivemos, em Portugal, em 2020 - e muito bem interpretada (António Fonseca, Beatriz Maia, Isabel Abreu, Marco Mendonça, Pedro Gil, Romeu Costa, Rui M. Silva, Sara Barros Leitão - todos óptimos), os figurinos de José António Tenente são fabulosos, o cenário de F. Ribeiro é lindo, a música de Pedro Costa perfeita.

E o Alentejo está ali todo, para nosso deleite, mesmo para quem, como eu, não gosta de pezinhos de coentrada.

Se quiseram saber mais, leiam a crítica do Rui Pina Coelho.

Depois de duas sessões esgotadas no CCB, Catarina e a Beleza de Matar Fascistas vai estar em cena no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, de 7 a 25 de abril. Não percam.

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publicado às 12:04

O último livro de Valter Hugo Mãe, Contra Mim, é uma pequena delícia. Nele, o autor, à beira de completar 50 anos, conta as histórias da família - dos avós e dos pais, dos irmão, dos tios e dos primos, uns retornados de Angola, outra emigrados para França - e recorda a sua infância, primeiro em Paços de Ferreira e depois em Caxinas. Quem cresceu nos anos 70 e 80 vai, inevitavelmente, rever-se em muitos dos ambientes e das conversas. As reguadas na escola, a aventura que eram as viagens a Lisboa, o fascínio pelas novelas brasileiras e os programa de Jô Soares, a excitação dos primeiros namoricos. O pequeno Valter magrinho e frágil, acometido por várias doenças e muita timidez, imagina o que será isso do sexo, sonha com o dia em que vai casar e ter filhos, brinca com os amigos e, pelo meio, descobre que o seu super poder são as palavras. Tudo contado com muita ternura. Mesmo quando fala da avó paterna que teve 21 filhos e que no meio de tantos netos nem sabia o seu nome ou do pai que desapareceu por uns tempos, deixando-os a tomar conta do café e a passar o natal em tristeza, e depois voltou como se nada fosse. Este é tanto um livro sobre a infância como sobre o crescimento: sobre o que fica e o que se perde nesse processo; sobre o que recordamos, o que esquecemos e o que inventamos, também.  

Eu acho que o livro precisava ali de uma edição, de alguém que lhe limpasse as palavras em excesso e algumas ideias repetidas, mas gostei de o ler assim mesmo. Foi bom reconciliar-me com o Valter Hugo Mãe de O Filho de Mil Homens e A Máquina de Fazer Espanhóis, pois não tinha gostado muito do último livro que tinha lido dele (de tal forma que já nem me lembro qual foi). 

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publicado às 12:52

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Há um momento em Cock cock... Who's there? em que vemos Samira Elagoz com a mãe e a avó a falarem sobre os abusos que sofreram dos homens: a avó há muito tempo por parte de um estranho, a neta há pouco tempo pelo seu namorado. É tudo tão comovente. O modo como falam e aquilo que não conseguem verbalizar. A conversa termina com um abraço de grupo, Samira desata a chorar incontrolavelmente, a mãe abraça-a com força como as mães costumam fazer quando querem que o seu amor proteja os filhos de todos os males do mundo, a cadela ladra, a avó olha-as imensamente triste sem saber o que dizer.

A verdade é que as mulheres sempre foram mal tratadas e abusadas ao longo de toda a história, mesmo quando não tinham coragem para falar, mesmo quando se encolhiam na vergonha e no medo e fingiam que não tinha acontecido nada. E a triste verdade é que isso acontece ainda hoje, apesar de cada vez mais mulheres terem coragem para denunciar e sentirem necessidade de falar sobre o que lhes aconteceu para que o tema deixe de ser um tabu e possa ser encarado como aquilo que é: um crime. E, no entanto, apesar de muito ter mudado nos últimos anos, vemos este espectáculo e sabemos que ainda muito falta mudar.

Cock cock... Who's there? é uma performance-palestra de Samira Elagoz, artista finlandesa de 31 anos que partiu da sua própria experiência de violação para fazer uma investigação sobre as relações entre homens e mulheres: o que procuram quando se encontram?, como se comportam num primeiro encontro?, qual é a sua noção de abuso? Ao longo de quatro anos, Samira encontrou-se com estranhos que conheceu em plataformas de encontros online. Explicava-lhes que estava a fazer um documentário e filmava esse encontro.

[À margem: Lembrei-me da Raquel André e da sua Colecção de Amantes (vejam aqui: Raquel André.pdf): apesar de as motivações serem distintas, o dispositivo é muito semelhante, assim como a inquietação em torno do que é a intimidade e, por fim, a inevitável mistura entre realidade e representação/ficção.]

À nossa frente, Samira Elagoz mostra-nos os vídeos que fez e conta-nos estes episódios da sua vida, sem qualquer expressão no rosto ou emoção na voz. E faz-nos perguntar. Que narrativas criamos em torno de um acontecimento traumático como uma violação? Como poderemos lidar com esse trauma? De que forma essa experiência pode ser transformada em performance ora avassaladoramente documental e incómoda ora quase uma fábula, pintalgada de humor e de música, contada como quem conta uma história. 

Porque é sobre violação, Cock cock... Who's there? é também sobre o que é ser homem e mulher, sobre os estereótipos que persistem sobre a sexualidade de homens e mulheres, sobre a necessidade de deixar de olhar os corpos das mulheres como meros objectos do desejo dos homens, sobre a necessidade de deixar de culpar as mulheres pelos abusos que sofrem, sobre a necessidade de cada mulher ter controlo sobre a sua vida e o seu corpo - sem medo de sair à noite, sem medo de andar sozinha, sem medo de se encontrar com um desconhecido, sem medo dos homens.  

Se quiserem saber mais sobre Samira Elagoz leiam a entrevista ao Público.

Programado pelo Teatro do Bairro Alto, o espectáculo Cock cock... Who's there? pode ainda ser visto por maiores de 18 anos no domingo e na segunda-feira, às 11.00, no Lux. 

Eu fui hoje de manhã. Deixei os putos a dormir e tirei um tempinho para mim, que tanto preciso. E foi bem bom. Voltei para casa, para o confinamento, com montes de coisas para pensar e esta música:

You don't own me, Lesley Gore

publicado às 17:03

Li críticas muito más a Lamento de uma América em Ruínas (Hillbilly Elegy no original), filme de Ron Howard que se estreou há pouco na Netflix. Houve até quem dissesse que era um dos piores filmes do ano, o que me parece um daqueles exageros típicos dos críticos. Não será uma obra prima, mas não o achei assim tão mau. 
 
No centro do filme está uma família onde tudo o que pode correr mal corre mal (pobreza, violência, gravidezes indesejadas, namorados que não prestam, vícios, desemprego...) e onde até é difícil encontrar aquele amor incondicional entre mãe e filho que geralmente serve de redenção na ficção. Achei um bocado a descair para o melodrama familiar mas, tirando isso, eu gosto deste tom realista e gostei das interpretações da Glenn Close (irreconhecível) e da Amy Adams, apesar de serem claramente a puxar ao Óscar.

Entretanto, já depois de ver o filme, fui descobrindo, ao ler as críticas, que me tinham escapado algumas subtilezas.
 
Desde logo por causa do título: hillbily é um termo pejorativo usado para as pessoas que moram nas regiões rurais e montanhosas dos Estados Unidos - em particular na Appalachia. Portanto, para mim, o filme retratava uma situação de pobreza extrema, que existe na América profunda mas não só. Para mim era uma localização abstracta. Mas os americanos vêem o filme como um retrato muito específico de uma determinada região ou de um certo grupo de pessoas - e não hesitaram em apontar-lhe erros.
 
Depois, porque o filme se baseia no romance autobiográfico de JD Vance, que foi um bestseller em 2018 e que foi visto por muitos como uma espécie de "guia para entender os apoiantes de Trump". Ora, apesar de esse ser o contexto da história, a crise económica, o desemprego, aquele sentimento de abandono que as populações rurais sentem, tudo isso não está de facto muito presente no filme. Está tudo explicado no The Guardian.
 
Portanto, provavelmente, o segredo para gostar é ver o filme antes de ler as críticas, como eu fiz, que nem sequer sabia o que aquilo era, apareceu-me ali, gostei da apresentação e decidi experimentar.
 
Isto nos filmes, como na vida, corre sempre melhor se não se tiver grandes expectativas. 
 

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publicado às 15:48

Este sábado fui ao teatro às 11.00.

Eu percebo que para as pessoas que já não são muito fãs de teatro este horário é mais difícil. Não dá para fazer aquele programa básico de jantar mais espectáculo mais copo e tornar a ida ao teatro mais atractiva porque significa também estar com um amigo e pôr a conversa em dia. A esta hora, e com o confinamento às 13.00, nem dá para almoçar a seguir, é verdade. Também há aquelas pessoas que têm dificuldade em funcionar de manhã e que acham que isto de acordar cedo (cedo?) ao fim-de-semana para ir ao teatro é capaz de ser uma maluqueira.

Mas, para mim, que gosto de teatro e gosto de manhãs, e que assim como assim raramente arranjo quem me queira acompanhar, é óptimo. E atrapalha-me muito menos a dinâmica familiar, uma vez que as manhãs de sábado cá em casa são geralmente de muita preguiça. 

Fui ver Os Silvas, o novo espectáculo do Teatro Meridional, com um texto original de Mário Botequilha e encenação de Miguel Seabra, que é uma reflexão sobre estes tempos de pandemia e confinamento que vivemos e o modo como isto nos está afectar - nas relações familiares, na relação que temos com o mundo "lá fora", nas nossas perspectivas para o futuro e muito também na sanidade mental da maioria de nós. É como um retrato deste momento, com desinfectante, pantufas e algum humor.

O espectáculo fica em cena até 20 de dezembro. De quarta a sexta às 20.00, sábados e domingos às 11.00.

Com máscaras, álcool-gel e distanciamento, seja a que horas for, #aculturaésegura.

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publicado às 13:42

No outro dia, entrei na Livraria Barata e fiquei de coração partido.

Lembro-me bem da Barata. Naquele tempo ainda não havia lojas Fnac e centros comerciais de jeito só as Amoreiras. Havia as antigas livrarias da Baixa que agonizava, a Arco-Íris no Campo Pequeno e a Buchholz no Marquês, mas eram todas um bocado fora de mão. O centro do meu mundo era a avenida de Roma e era lá que ficava a Barata. A Barata era ela mesma um mundo, um mundo encantado de livros, livros aos montes, empilhados uns em cima dos outros, prateleiras até ao tecto, era preciso subir a um escadote para alcançá-los, prateleiras com filas duplas. Livros em todas as línguas, os essenciais da Penguin em paperback, os livros de poesia do Al Berto, os livros de capas coloridas do Pedro Paixão, os clássicos russos, livros de todos os géneros e para todos os gostos. Era um sítio quentinho, aconchegante, onde era bom ir nem que fosse só para passear. Vou ali à Barata ver as novidades, dizíamos, enquanto fazíamos tempo para a sessão no Londres. Era à Barata que íamos, horas antes de apanharmos a camioneta para o natal, comprar as prendas que faltavam, fossem livros ou canetas, canecas ou pins.

No outro dia, entrei na Livraria Barata e fiquei de coração partido. As prateleiras estão vazias, conseguem imaginar? Prateleiras vazias. Uma livraria com restos de colecção, em fim de catálogo, a saldo. À beira de fechar, segundo leio das notícias. Que tristeza.

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(fotografia tirada da internet, de quando tudo ainda corria bem)

publicado às 08:23

Bruce Springsteen, Waitin' On a Sunny Day

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publicado às 17:59

São apenas 12 minutos e quanto menos souberem sobre a história melhor. If anything happens I love you é um filme de animação escrito e realizado por Michael Govier and Will McCormack. A mim fez-me chorar. 

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publicado às 10:36

A escritora Elena Ferrante fez uma lista com os seus 40 livros preferidos escritos por mulheres. Tem Chimamanda e Lucia Berlin, tem Marguerite Duras e Clarice Lispector. Li pouquíssimos. Quero todos.

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie;
O Assassino Cego, de Margaret Atwood;
The Enlightenment of the Greengage Tree, de Shokoofeh Azar;
Malina, de Ingeborg Bachmann;
Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin; 
A Contraluz, de Rachel Cusk;
O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion;
A Filha Devolvida, de Donatella Di Pietrantonio;
Disoriental, de Négar Djavadi;
O Amante, de Marguerite Duras;
Os Anos, de Annie Ernaux; 
Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg;
O Conservador, de Nadine Gordimer;
Destinos e Fúrias, de Lauren Groff; 
Maternidade, de Sheila Heti;
A Pianista, de Elfriede Jelinek; 
Breasts and Eggs, de Mieko Kawakami; 
Intérprete de Enfermidades, de Jhumpa Lahiri; 
O Quinto Filho, de Doris Lessing; 
A Paixão segundo GH, de Clarice Lispector;
Lost Children Archive, de Valeria Luiselli; 
A Ilha de Arturo, de Elsa Morante;
Beloved, de Toni Morrison;
Amada Vida, de Alice Munro;
O Sino, de Iris Murdoch;
Accabadora, de Michela Murgia; 
O Baile, de Irene Nemirovsky; 
Blonde, de Joyce Carol Oates;
The Love Object: Selected Stories, de Edna O’Brien; 
Um Bom Homem é Difícil de Encontrar, de Flannery O’Connor; 
Evening Descends Upon the Hills: Stories from Naples, de Anna Maria Ortese;
Gilead, de Marylinne Robinson; 
Pessoas Normais, de Sally Rooney;
O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy; 
Dentes Brancos, de Zadie Smith; 
Olive Kitteridge, de Elizabeth Strout;
A Porta, de Magda Szabò; 
Cassandra, de Christa Wolf; 
Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara; 
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar.

publicado às 09:00


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