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(foi lindo, não foi?)

publicado às 20:46

Ele há coisas fantásticas. Descobri (eu sei que vou atrasada, que isto é assim há muito tempo, mas acho que nunca é tarde para nos deslumbrarmos com as maravilhas legais) que, após o divórcio, as pessoas têm que cumprir o chamado "prazo internupcial" antes de se poderem casar outra vez. Esse prazo, prestem bem atenção que esta é a parte boa, é de 180 dias para os homens e 300 para as mulheres. Não é preciso ser muito esperto para perceber que 300 dias são 9 meses, isto é, o tempo de gestação de um bebé. Ou seja, o senhor legislador, homem com certeza, estava muito preocupado com o facto de haver mulheres, essas devassas, essas galdérias, que quisessem casar-se com um pobre homem inocente ocultando uma gravidez anterior. Que eu nem sei como é que se oculta uma gravidez de seis meses, mas, pronto, o senhor legislador lá há de ter as suas razões. Para que não haja dúvidas, há um ponto qualquer na lei que explica que "a mulher que pretenda celebrar novo casamento antes do decurso do prazo internupcial" deve apresentar um "atestado de médico especialista em ginecologia-obstetrícia comprovativo da situação de não gravidez". Eu já nem falo da humilhação que é uma mulher ter que ir pedir ao médico, olhe, escreva aí por favor que eu não estou prenha. É que até pode dar-se o caso de ela ter engravidado entretanto do homem com quem vai casar. Ou vivemos ainda todos no tempo em que as relações sexuais e essas porcarias obscenas só acontecem no seio (adoro esta expressão) do casamento? Mas aquilo que realmente é escandaloso é: porque é que esse período entre-casamentos é diferente para homens e mulheres? A mulher tem que ter comprovativo médico. Agora que o homem tenha, durante aqueles 180 dias de liberdade ou ainda no período do casamento, engravidado uma meia dúzia de mulheres não interessa nada. Estava só a tentar curar a sua mágoa, tadinho. E, além do mais, se elas não tomavam a pílula ou se não quiseram fazer um desmancho, isso é lá problemas delas, que o senhor legislador não tem nada a ver com isso. E ainda há quem me fale em igualdade.
Isto faz-me cá uma comichão. Está para além da minha certamente curta capacidade de compreensão.
2 mil e quantos? Antes de cristo, só pode.

publicado às 23:22

Diz que a Angelina Jolie e o Brad Pitt estão em vias de se separar. Diz. Este fim-de-semana a actriz deu uma entrevista em que se queixava de que os filhos atrapalham a sua intimidade com o marido, que é como quem diz que as crianças atrapalham as quecas. Tentamos tomar um banho relaxante mas eles estão sempre a aparecer e entram na banheira connosco, contou ela. Pois, não deve ser fácil, como te compreendo, rapariga. Eu leio as notícias e sinto-me assim um bocado aliviada, ufa, afinal eles são humanos como nós. É que quando vejo as fotografias nas revistas parece-me sempre que esta família é tirada de um conto de fadas, estão a ver?, ali estão dois dos mais belos exemplares da nossa espécie, sorridentes e apaixonados, com a sua catrefada de filhos benetton a tiracolo, e sempre felizes e a dizerem como é bom ter seis (seis, meu deus!) filhos, e que apesar dos empregados e tal fazem questão de ser eles a tomar conta das crias. E a gente pensa como é que eles conseguem ser sempre fotografados com este ar maravilhoso, mesmo que andem de socas e camisolas largas, sempre com ar de quem dormiu tudo e está de bem com a vida? Mas estas crianças não choram nem fazem xixi nas calças como as outras? Os gémeos de nome esquisito não acordam a meio da noite para beber o leite? Os putos nunca atiram com os cornflakes para o chão? Não fazem birras? Não levam umas palmadas de vez em quando? Eu não tenho nada contra as famílias numerosas mas sabendo o que sei sobre as famílias mais pequenas, como a minha, fico sempre espantada com esta gente que vem para os jornais dizer que tem sete ou dez filhos e que ainda está disposta a ter mais, que a família é linda e o mais importante é o amor. Ponho-me a pensar: serão humanos? ou sou eu que sou uma mãe completamente inapta? De modos que ao ler as fofocas sobre a (escassez de) intimidade da Angelina Jolie e do Brad Pitt eu até dou um suspiro cá dentro, ufa, afinal eles não são assim tão extraordinários. São mais jeitosos, está bem, mas também se deixam mastigar pela vida como todo nós.

publicado às 09:51

15
Mar09

Happy together

Depois de acabarmos o curso, de arranjarmos um emprego, de continuarmos com o namorado do tempo da faculdade ou de acabarmos tudo após anos de namoro percebendo que o amor da nossa vida afinal era outro, depois disto tudo, casámo-nos. Casámo-nos todos. Foi como uma epidemia. Entre 2000 e 2002, mais coisa menos coisa, repetimos o sim em quintas diferentes, ora com padres ora com despachadas conservadoras do registo civil, mas sempre com os mesmos rostos amigos à nossa volta, as mesmas poses, os mesmos vestidos, os mesmos sorrisos, o mesmo bacalhau espiritual, a mesma lampreia de ovos, as mesmas bebedeiras, aquela mesma sensação de que a vida só então estava a começar, uma ingenuidade que nos atacou a todos, a uns mais do que a outros é verdade, mas que nos atacou a todos - ali estávamos nós a achar que agora é que é, que a vida ia ser sempre assim, sempre em festas, sempre jovens, sem zangas nem rotinas, sempre apaixonados, com muito sexo, com os electrodomésticos acabados de estrear, com os lençóis do enxoval e a conta bancária composta pelos cheques-prenda dos tios e primos. Casámo-nos por amor. Porque acreditávamos mesmo que ia ser para sempre, na saúde e na doença, até que a morte nos separe.
Até que a morte.
Meia dúzia de anos volvidos, o surpreendente é ver como alguns de nós ainda estão juntos. Não necessariamente felizes mas juntos. Quase todos já passaram por traições, desilusões, tristezas, discussões, separações. Quase todos tiveram filhos e ficaram cansados, desesperados, rotinados, stressados. Quase todos já tiraram a aliança. E os que o não fizeram ponderaram a hipótese, em algum momento, mesmo que o não confessem, terão pensado se não seria melhor se.
E no entanto.
No sábado, ao ouvi-los dizer que sim, que era de sua livre vontade, pus-me a pensar nestas coisas e em como, apesar de tudo, apesar de nos queixarmos dos putos e dos pés, apesar das olheiras e dos trambolhões que fomos dando, continuamos (embora de maneiras diferentes) a acreditar no amor. Isso é realmente maravilhoso, não é?

publicado às 13:03

12
Out08

Coisas de nada

O meu quotidiano está cheio de pequenos gestos. Emparelhar as meias, dobrar as cuecas, sacudir as migalhas da torradeira, mudar o saco do aspirador, fazer o café, ferver a água para os biberões, esterilizar os biberões, arrumar as gavetas, arrumar os armários, separar os jornais para reciclar, carregar as pilhas da máquina fotográfica, estender a roupa lá fora, mudar a roupa para dentro por causa da chuva, deitar fora os remédios que estão fora do prazo, fechar o gel de banho, fechar o champô. O meu quotidiano está cheio de pequenos gestos. Pequenos nadas. Quase passam despercebidos. O meu homem julga que eu passo o dia recostada no sofá a ver televisão. Surpreende-se quando está um dia inteiro comigo em casa: mas tu não te sentas, mulher?, o que andas a fazer? Tanta coisa. Apanhar os carrinhos espalhados pela casa, escolher a roupa do miúdo, pôr o bebé a arrotar, bater as almofadas, mudar as toalhas da casa-de-banho, endireitar as molduras, limpar a bancada, encher o açucareiro, arejar os quartos, organizar os álbuns de fotografias, aspirar atrás do guarda-fato, arrumar os papéis, deitar fora as facturas de 1999, organizar os livros na estante, guardar os cobertores quando chega o verão, limpar o aquecedor quando começa ficar a frio. Picuinhices? Para dizer a verdade estas tarefas parecem menores. Não podem sequer entrar na nossa divisão de tarefas, do género tu lavas a loiça e eu trato das minhoquices. Não iria funcionar. Mas.. e se eu não as fizesse? Se não verificasse sempre se há rolos extra de papel higiénico na casa-de-banho? Se não lavasse os casacos que estão há meses no benagaleiro? Se não fizesse a lista de compras? Se não me lembrasse de comprar o detergente? Se não trocasse os panos da loiça quando já começam a cheirar mal? Se não deitasse fora o pão bolorento? Se não tirasse das gavetas a roupa que já não serve aos miúdos? Se não lhes arranjasse roupa nova para eles vestirem? O meu quotidiano está cheio de pequenos gestos. Coisas de nada. Mas são esses nadas que mantêm a engrenagem a funcionar. E fazem com que a [vossa] vida pareça tão fácil.

publicado às 22:08

Foi muito triste o que se passou hoje no parlamento. Não fosse já suficiente mau o facto de haver disciplina de voto no PS, ainda por cima, depois do chumbo inevitável, aparece uma ridícula declaração da bancada socialista a tentar controlar os danos. Ah e tal nós até achamos que sim mas só se votarem em nós outra vez no próximo ano é que poderão (quem sabe?) descobrir se nós vamos (ou não...) acabar com a discriminação. Mas o que é isto? Acham que nós temos cara de otários? E que confiança nos merece esta cambada de deputados que vota assumidamente contra as suas convicções apenas para não comprometer resultados eleitorais futuros? Não lhes ensinaram que não se pode agradar a gregos e troianos? Que governar é isso mesmo: tomar decisões e assumir responsabilidades? Que isto assim é uma palhaçada? Até onde pode ir a hipocrisia do senhor engenheiro? E, pior do que isso, até onde pode ir o desespero deste povo se voltar a eleger esta gente.
Este é um daqueles dias em que tenho muita vergonha. Do país em que vivo. Dos governantes que temos. E de mim mesma - pensar que eu um dia até já votei nestes gajos, com cartãozinho da juventude e tudo.

publicado às 15:52

06
Out08

Perigosa eu?

(foi liiiiiiindo!)

publicado às 09:41

02
Out08

Uma achega

"(...) When I grew up and realized I was gay, I had no concept of what my own future could be like. Like most other homosexuals, I grew up in a heterosexual family and tried to imagine how I too could one day be a full part of the family I loved. But I figured then that I had no such future. I could never have a marriage, never have a family, never be a full and equal part of the weddings and relationships and holidays that give families structure and meaning. When I looked forward, I saw nothing but emptiness and loneliness. No wonder it was hard to connect sex with love and commitment. No wonder it was hard to feel at home in what was, in fact, my home.

For today's generation of gay kids, all that changes. From the beginning, they will be able to see their future as part of family life — not in conflict with it. Their "coming out" will also allow them a "coming home." And as they date in adolescence and early adulthood, there will be some future anchor in their mind-set, some ultimate structure with which to give their relationships stability and social support. Many heterosexuals, I suspect, simply don't realize how big a deal this is. They have never doubted that one day they could marry the person they love. So they find it hard to conceive how deep a psychic and social wound the exclusion from marriage and family can be. But the polls suggest this is changing fast: the majority of people 30 and younger see gay marriage as inevitable and understandable. Many young straight couples simply don't see married gay peers next door as some sort of threat to their own lives. They can get along in peace.

As for religious objections, it's important to remember that the issue here is not religious. It's civil. Various religious groups can choose to endorse same-sex marriage or not as they see fit. Their freedom of conscience is as vital as gays' freedom to be treated equally under the civil law. And there's no real reason that the two cannot coexist. The Roman Catholic Church, for example, opposes remarriage after divorce. But it doesn't seek to make civil divorce and remarriage illegal for everyone. Similarly, churches can well decide this matter in their own time and on their own terms while allowing the government to be neutral between competing visions of the good life. We can live and let live.

And after all, isn't that what this really is about? We needn't all agree on the issue of homosexuality to believe that the government should treat every citizen alike. If that means living next door to someone of whom we disapprove, so be it. But disapproval needn't mean disrespect. And if the love of two people, committing themselves to each other exclusively for the rest of their lives, is not worthy of respect, then what is?"



escrito por Andrew Sullivan (inglês, 45 anos, comentador e blogger)
publicado na Time em Janeiro de 2003

publicado às 13:42

Anda praí um rebuliço nos blogues-amigos por causa do casamento, entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente, mas afinal é igual ou não a uma união de facto, e que é por causa dos filhos e das heranças e das visitas no hospital (?) e do IRS e mais não sei o quê e eu pus-me praqui a pensar: mas afinal por que raio casam as pessoas?
Vejamos. Eu casei-me. Não foi por causa do sexo pois que já o tinha antes do sim. Não foi por causa da casa que também já partilhávamos, como tudo o resto, da televisão ao frigorífico, dos tapetes aos pacotes de leite. Não foi por causa dos benefícios fiscais, que eu nem sabia que existiam e ainda hoje não sei, parece que sim, que é mais fácil comprarmos uma casa juntos e os impostos e os seguros e essas coisas, mas não era nisso que eu pensava enquanto lhe punha a aliança no dedo. Não foi por causa das heranças (ah, ah, ah, era bom que fosse, era), mas, pelo sim pelo não, que isto nunca se sabe, até pode sair-nos o euromilhões, casámos no regime geral, com comunhão de adquiridos (voltarei a este assunto daqui a umas linhas). Não foi por causa dos filhos pois felizmente hoje em dia já existem maneiras de proteger os filhos nas separações e de lhes garantir que vão continuar a ter dois pais, aconteça o que acontecer.
Foi porquê, então? Ah, o amor. Pois é. O amor e essa coisa do para sempre, de termos um projecto de vida em conjunto, de querermos construir uma família, de querermos assumir um compromisso, para nós e perante os outros, pois claro, é assim tão difícil reconhecer que grande parte das coisas que fazemos na nossa vida têm um significado diferente quando são vividas em comunidade, que os rituais são isso mesmo, que essas vivências partilhadas ajudam-nos a construir um sentido? (atenção: não estou a falar de aparências, estou a falar de vivências e significados) Gritamos ao mundo que somos um casal e segredamos entre nós que somos um para o outro. A partir de agora, para que fique claro, o que é meu é teu e o que é teu é meu (aqui está a comunhão de adquiridos), quer seja uma almofada ou as jóias herdadas da avó. Porque a partir de agora nós somos um. A minha família é tua. A tua família é minha. E acreditamos e desejamos que assim seja por muito, muito tempo. Queremos envelhecer de mão dada. Queremos essas lamechices todas e mais as discussões e as desilusões e as rotinas que vêm por acréscimo.
E para isso é necessário casar? Para uns sim, para outros não. Para mim foi importante. É importante. Ouso dizer: mesmo que, em termos de direitos e deveres, união de facto e casamento fossem exactamente iguais, ainda assim, eu casaria. Há quem diga que um papel não muda nada. Eu não concordo, mas na boa, quem quiser casar casa quem não quiser não casa, não é?, não vamos obrigar ninguém. Quem quiser unir-se de facto pois que se una. Quem não quiser nada disto também é boa pessoa.
Ora é aqui que entra a outra questão. Há pessoas que querem casar e não podem. Há pessoas para quem isto é importante. E não o podem fazer. É justo?

publicado às 21:50

Tenho uma ideia.
Quando estão prestes a ter um filho, os dois elementos do casal deveriam sentar-se a conversar e chegar a um acordo. Deveriam combinar que nos próximos, digamos, seis a oito meses, o casal vai ficar imune às discussões. Ou seja, nada do que for dito em discussão durante este período deverá ser levado a sério. Nenhum dos insultos será tido em conta. Nenhuma das críticas terá consequências futuras. Nenhuma das barbaridades (quando uma pessoa se irrita costuma dizer e fazer muitas barbaridades) será considerada imperdoável (excluem-se deste acordo, por motivos óbvios, as traições - uma traição é uma traição, seja em que momento for). Este período durará o tempo necessário até que a mãe deixe de amamentar (recuperando depois o domínio total do seu corpo, devidamente cicatrizado e com as hormonas devidamente controladas); até que, já com biberon, a criança possa passar mais do que três horas longe da mãe e até passar a noite ou parte da noite em casa dos avós; até que o pai já consiga passar um dia inteiro com o filho sem se atrapalhar nem telefonar à mãe de cinco em cinco minutos; até que a mãe já tenha voltado ao trabalho e o casal já tenha encontrado a sua rotina nesta nova fase da vida; até que toda a gente lá em casa já consiga dormir uma noite descansada ou o mais perto disso que se conseguir. Também se aconselha a que, por esta altura, a criança saia do quarto dos pais (não é necessário mas ajuda muito). Findo este período, os elementos dos casal pedirão mutuamente desculpas por todos os impropérios que disseram e por toda a resmunguice acumulada e avançarão para esta nova etapa sem sono nem rancores. Dizendo em conjunto: o pior já passou, agora é que é à séria.
Palpita-me que esta minha ideia iria evitar bastantes divórcios.

publicado às 16:21


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