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Fui só um dia, que a agenda não me permitiu mais, mas acabou por ser uma tarde gloriosa. E ouvi e li muitos relatos por aí. A segunda edição do Jardim de Verão, na Fundação Calouste Gulbenkian, programado por Dino d'Santiago, confirmou-se como um espaço de diversidade, igualdade, partilha e empatia, como infelizmente ainda há poucos nesta cidade que se diz tão diversa. Havia ali uma alegria que se sentia no ar. O que faz a diferença não é tanto a diversidade, que a essa pelo menos alguns de nós já estamos habituados, embora noutros contextos. O que faz a diferença é precisamente ver essa diversidade num espaço institucional e elitista, onde ela é tão pouco comum. Como escreveu o Vítor Belanciano: a "prova de que é possível fazer a diferença quando lugares institucionais de grande representatividade para o colectivo estão dispostos a partilhar o poder, o espaço, os sentidos e os imaginários, envolvendo de forma muito concreta quem por norma não acede a eles". É um caminho e é bom que esteja a ser feito.

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Fotografia retirada do Facebook da Fundação Calouste Gulbenkian

(Aliás, abrir parêntesis aqui para dizer que o Belanciano continua a ter um dos olhares mais atentos e instigadores sobre a cultura contemporânea - pop ou urbana ou outra - e que, polémicas à parte, é sempre um prazer lê-lo, por agora só nas redes sociais.)

publicado às 10:49

13
Jun23

Partir a telha

Andei aí uns tempos com a telha. Estou a falar no passado sem grandes certezas, mas porque sou uma pessoa optimista. Andei com a telha que é como quem diz andei aí uns tempos a achar-me a pessoa mais infeliz e injustiçada do mundo, a ver tudo negro à minha frente, como se os problemas não tivessem resolução e as dificuldades fossem inultrapassáveis. Nestas fases, quando me sinto assim, fecho-me sempre um bocadinho, o que não é propriamente uma boa estratégia. Sem me apetecer fazer nada nem falar com ninguém nem sequer pensar muito no assunto, o sentimento de solidão adensa-se. A verdade é que não podemos contar sempre com os outros. Os amigos têm as suas vidas. Têm almoços de família ao domingo. Têm companheiros com quem passam os serões. Têm filhos pequenos com quem fazem os programas que eu também fazia quando tinha filhos pequenos. Os meus amigos, na sua maioria, não conhecem esta solidão, e eu não quero estar a chateá-los com as minhas tretas. E quem vê no instagram não imagina, não é? Como poderiam saber que por trás daquelas fotografias bonitas também bate um coração? De maneiras que a telha. E porquê? Não há um motivo concreto. Há uma série de coisas que existem na minha vida e que chega ali um momento em que parece que me pesam mais, sem razão para tal. Os putos não se estão a portar pior do que antes. O trabalho não está mais insuportável. A vida não está mais difícil. Simplesmente acontece que eu estou com menos tolerância e tudo me parece pior e talvez as hormonas não ajudem. Isto não é uma depressão. São fases. Conheço-as bem. O problema é quando as fases se prolongam. Esta foi longa. 

Neste entretanto, mesmo com a telha, aconteceram coisas bonitas, há que dizê-lo.

Fui a um workshop de crochet na Retrosaria e descobri que o crochet não é para mim.

Fui ver e ouvir a Ana Lua Caiano (vale a pena descobrir).

Li o livro da Anabela. E houve momentos em que ela era eu.

Ouvi muitas músicas da Rita Lee e da Tina Turner. Não chorei, mas fizeram-me pensar nisto tudo.

Fui ao concerto do Chico Buarque. E, mesmo a ouvir mal, chorei, ao lado da Ângela.

Passei uma tarde com a Sandy e outras pessoas fixes a pensar em podcasts.

Fui ver e ouvir o Luís Miguel Cintra, tão magrinho, tão frágil, na Feira do Livro. E voltei a chorar. (um dia vou escrever sobre isto.) 

Estou a ler os livros da Annie Ernaux e a surpreender-me com a consciência que ela tem de si mesma. Com a forma despudurada como se expõe (ter vergonha do quê? sou como sou). Que lição.

Obriguei-me a estar com pessoas. E acabei por ser feliz nesses momentos. Porque estar com as nossas pessoas é bom (mesmo que eu não goste nada do festival da canção e não seja a maior fã dos santos populares). Juntar-me a um clube de poesia de gente bonita que me obriga, todos os meses, a sair da minha zona de conforto, foi uma das melhores decisões que tomei há quase um ano.

É assim que, lentamente, estou a partir a telha.

Isto é uma coisa que resulta para mim. Comprometo-me com coisas que tenho de fazer e comprometo-me com outras pessoas. Obrigo-me a planear eventos para o futuro. Por exemplo, pelo sim, pelo não, já comprei vários bilhetes para ir ver espectáculos nos próximos tempos. E garanto, assim, que num dia destes, mesmo que me apeteça muito ficar em casa, vou ter que me forçar a sair. Tal como me forcei a fazer muitas das coisas atrás descritas.

Não há receitas. Cada pessoa é uma pessoa. E não temos que estar sempre felizes e esfuziantes. Mas convém estarmos atentos. Até porque, como canta o Tom Jobim (mas o poema é de Vinicius), "tristeza não tem fim, felicidade sim".

publicado às 17:28

 

Isto já começou há uns tempos, uma pessoa aqui e outra ali, mas acho que só agora estou a tomar verdadeira consciência do facto: estamos a chegar aos 50. Ainda no outro dia estávamos a fazer as festas dos 40, todas giras e frescas, a beber gin tónico e a dançar pela noite fora, a sentirmo-nos as maiores a meio da vida e a dizer que os 40 são os novos 30 e que bom que era, mesmo com uma ruga ou outra, termos esta dose de experiência e maturidade, lembram-se? Não sei muito bem o que aconteceu pelo meio - ou melhor, até sei, passaram dez anos e aconteceu uma pandemia e os filhos deixaram de ser crianças e começámos a perder as nossas pessoas e as hormonas desataram a fazer das suas e algumas de nós ainda sofreram mais uns quantos atropelos - mas sei que de repente estamos nos 50 e, não sei quanto a vocês, mas a meu ver isto parece-se exactamente como os 50 que são. Sem filtros nem melhoramentos. 

Isso não é propriamente mau, atenção. É o que é. Não podes fugir, não te podes esconder, portanto, mais vale aproveitar muito bem enquanto aqui estamos, porque, como diz o Ivo Canelas, "isto passa a correr".

Duas coisas boas que a idade nos dá: uma consciência muito clara daquilo que nos interessa e a coragem de assumir isso mesmo, dizendo que "me estou a cagar" para o que não interessa (sejam os cabelos brancos, as opiniões dos outros, a marca dos sapatos ou as pessoas tóxicas à nossa volta).

É procurar as coisas boas, que as há sempre, até mesmo quando parece que não (isto sou eu a dizer a mim mesma, que me esqueço tantas vezes deste conselho básico) e dar muitos abraços a todas as pessoas que importam, porque as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós são a única coisa que vale realmente a pena nesta viagem.  

Este ano, três das minhas melhores amigas fazem 50 anos. 

Foi a pensar nelas - e em todas nós, que já estamos ou que vamos a caminho dos 50 - que fiz esta playlist, com a mesma dedicação com que, na adolescência, enchíamos cassetes com as músicas que queríamos ouvir nas férias. São 50 canções cantadas por mulheres e, muitas delas, são também canções sobre mulheres. Havia outras mas a vida é feita de escolhas, não é? Estas são, sobretudo, canções de que gosto muito e, por isso, quero partilhá-las, assim em forma de prenda.

 

publicado às 09:24

Às vezes somos tão arrebatados por uma experiência que nem temos muitas palavras para o exprimir. Aconteceu-me há uma semana, com o concerto da Garota Não, em Almada. Eu já sabia como a música era boa e como as letras eram incisivas e poéticas ao mesmo tempo, já andava há que tempos a cantar No dia do teu casamentoDilúvio ("e a vida fica difícil/ o tempo passa tipo míssil/ derramado em suor") e as outras todas, mas vê-la e ouvi-la em palco é ainda mais forte. Por ela, que vai falando connosco, contando-nos as histórias de cada tema, dizendo-nos das suas lutas, do bairro onde nasceu (leiam este texto, que está lá tudo), do pai que conheceu o músico Sérgio Mendes e lhe disse "a minha filha também faz uma canções", da mãe que lhe ensinou a empatia e a democracia e lhe deixou saudades. Pela experiência colectiva, uma sala inteira a cantar um poema de Eugénio de Andrade e outro de Chico Buarque, os temas de Sérgio Godinho, as homenagens a Fausto e José Mário Branco. Pela beleza de tudo, cada palavra a ecoar cá dentro, cada nota a dar sentido àquela noite. Emocionei-me, claro, como não me emocionar?, com um concerto que foi, todo ele, um manifesto pela liberdade e pelo amor, pelas vozes que não se calam, por nós, que precisamos todos os dias de acreditar que podemos fazer deste um lugar melhor. "Foi uma noite que me partiu ao meio, precisei de alguns dias para recuperar", escreveu ela nas redes sociais. E acho que foi isso, para todos nós. Saímos de lá - eu, a Alda e a Ana - meio azamboadas, com as lágrimas nos olhos e os corações nas mãos, a abraçarmo-nos de felicidade, uma felicidade enorme por termos estado ali, uma daquelas alegrias que não se explicam.

Este é o vídeo - para ver até ao fim! - para mais tarde recordar a lata com que, armadas em groupies, aparecemos no camarim a pedir autógrafos e fotografias.

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publicado às 15:58

Como posso viver a vida ao máximo e não desperdiçar o meu potencial?, perguntou Ruben, de 13 anos, ao músico Nick Cave, através do (maravilhoso) site "The Red Hand Files". 

A resposta é fantástica. Serve para o Ruben e serve para todos nós. É exactamente isto.

"Dear Ruben, 

When I read this question, my initial thought was that the kid who wrote this has nothing to worry about, they’re going to be all right. Ruben, you are very smart, you are engaged with the world and I’m not sure what your creative interests are, but you can certainly already write. Not only that, you are also reaching out for answers. At thirteen, this is all brilliant! Luckily for you, Ruben, I have some! So here goes!

Read. Read as much as possible. Read the big stuff, the challenging stuff, the confronting stuff, and read the fun stuff too. Visit galleries and look at paintings, watch movies, listen to music, go to concerts –  be a little vampire running around the place sucking up all the art and ideas you can. Fill yourself with the beautiful stuff of the world. Have fun. Get amazed. Get astonished. Get awed on a regular basis, so that getting awed is habitual and becomes a state of being. Fully understand your enormous value in the scheme of things because the planet needs people like you, smart young creatives full of awe, who can minister to the world with positive, mischievous energy, young people who seek spiritual enrichment and who see hatred and disconnection as the corrosive forces they are. These are manifest indicators of a human being with immense potential.

Absorb into yourself the world’s full richness and goodness and fun and genius, so that when someone tells you it’s not worth fighting for, you will stick up for it, protect it, run to its defence, because it is your world theyre talking about, then watch that world continue to pour itself into you in gratitude. A little smart vampire full of raging love, amazed by the world – that will be you, my young friend, the earth shaking at your feet.

Love, Nick"

publicado às 08:12

Andei a adiar ver o Elvis. Porquê? Porque eu sempre gostei muito do Elvis Presley, sempre tive um fascínio por aquele miúdo de sorriso maroto e movimentos atrevidos que pôs as miúdas a gritarem de excitação, tornou-se uma estrela e acabou gordo e decadente a cantar para senhoras ricas com colares de pérolas e casacos de peles nos casinos de Las Vegas. Toda a história dele é fascinante. E olhem que quando eu comecei a gostar do Elvis e tinha a cara dele em postais colados na parede do quarto não havia internet e não era assim tão fácil saber os pormenores destas histórias, era preciso ir apanhando umas coisas aqui e outras ali, as imagens de Elvis a cortar o cabelo mil vezes repetidas sempre que se falava dele na televisão, os filmes pirosos que passavam nas matinés de domingo na RTP, as fotografias do casamento com a Priscilla nas revistas de fofocas, as ancas apenas imaginadas no Ed Sullivan Show, as ancas em todo o seu esplendor no Jailhouse Rock , o Elvis dengoso a cantar com colares de flores hawaianos ao pescoço. Aquela voz, mesmo nos últimos tempos, aquela voz poderosa. 

Andei a adiar ver o Elvis porque quando se gosta assim de uma figura na adolescência não há filme nenhum que lhe possa fazer justiça, isso eu já sabia. Mas, agora que já vi, posso dizer-vos que não é assim tão mau quanto eu imaginei. Temos que admitir que Austin Butler faz um bom trabalho, percebe-se que investiu muito para que as suas ancas não mentissem. Também gostei do facto de o filme explorar todo o background cultural, sobretudo a relação de Elvis com a música negra. E não deixa de ser interessante que o filme seja contado do ponto de vista do agente, o "coronel Parker", que, para mim, era uma figura praticamente desconhecida. Por outro lado, parece-me imperdoável que três das cenas mais importantes - o concerto de 4 de julho, a gravação do especial de natal e o despedimento de Parker - sejam quase completamente inventadas. Eu sei, eu sei, aquilo é um filme, tem as suas próprias regras e é só inspirado na realidade, há que apimentar as coisas e o essencial é não fugir ao espírito original dos factos. Mas, ainda assim, custa-me. E, depois, pronto, é o Baz Luhrmann a realizar e dá para sentir aquele cheirinho de Moulin Rouge, aquele excesso de luzes e de cores, de glamour nas roupas e teatralidade nas cenas. E, o que francamente mais me custa, todo o tom de tragédia anunciada, como se a vida de Elvis tivesse ficado decidida no momento do nascimento (e da morte do irmão gémeo), com aquela irritante voz off de um Tom Hanks em overacting e over-caracterização, a estafada comparação com os ilusionistas do circo, a vida dos artistas é sempre uma mentira e blá blá blá. Hmmmmm. Não é tão mau como pensei que seria mas não fiquei satisfeita. Acabei o filme e fui para o YouTube ver o real Elvis para me confortar. Só por isso já valeu a pena.

Em 1956, com 21 anos:

Em 1977, pouco antes de morrer aos 42 anos:

publicado às 14:55

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Ryuichi Sakamoto faz hoje 71 anos e tem um disco novo, composto, interpretado e lançado depois do diagnóstico de uma doença que o está a matar.
 

Chama-se 12 e, sobre ele, escreve a Pitchfork: "Much like his friend and Merry Christmas, Mr. Lawrence castmate David Bowie did with Blackstar, as well as Leonard Cohen with You Want It Darker, Sakamoto is staring down the prospect of his own death, meditating on the legacy that he will leave behind. But rather than mythologize his life in narrative songwriting or theatrical instrumental fireworks, he’s chosen a quiet grace, one more subtle and restrained than even his softest prior work. Rarely does an album this understated say so much."

Sobre Sakamoto escrevi AQUI.

Eu, que morro de medo de morrer (a repetição é intencional), admiro imenso estas pessoas - como Sakamoto, Bowie, Cohen - que olham a morte de frente e a desafiam, continuando a criar beleza. Uma beleza triste e comovente, mas, ainda assim, beleza.

O melhor que podemos fazer é ouvi-lo:

publicado às 09:52

06
Nov22

"O bom vai vir"

Sou só eu que, apesar de toda a alegria rítmica, ouvi esta canção e senti que ela estava a falar de como sair de uma depressão?

"Bom-Bom", Batida feat. Mayra Andrade

 

"Hoje lutei p'ra conseguir me levantar
Quando acordei, meu coração quase parou
Sei que sonhei, mas não consigo recordar
Eu me deixei até que a vida me chamou

(...)

Na zunga zango, não me deixam respirar
Vou acatando, mascarando meu olhar
Fazem feitiços que te chegam a matar
Risos postiços branqueiam o mau olhar

(...)

Estou a aprender a dizer não, ai
Não desejar que é só p'ra mim, dá
Quem vive só, só do seu céu cai
Ubuntu é junto, vamo' lá

(...)

Planeta tá Wazebele
Ser humano complica
Desacata, não maia
Porque eu sei que vai
Planeta tá Wazebele
Nenhum mal é p'ra sempre
Numa dança infinita
O bom vai vir, eu sei, o bom vai-ai"

publicado às 22:44

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Quando Cesária Évora recebeu o seu primeiro grande cachet, da gravação do concerto no Olympia de Paris, dirigiu-se ao banco e quis levantar o dinheiro todo. "O dinheiro é meu ou não é meu?", indignou-se perante a recusa inicial do funcionário em dar-lhe tamanha quantia. O dinheiro deveria ser para construir uma casa nova para a cantora, uma vez que aquela onde vivia no Mindelo com a mãe e os filhos estava literalmente a cair aos pedaços. Cesária saiu do banco com um saco de plástico cheio de notas (e deixou lá os familiares a recolherem os restantes sacos), sentou-se no café e começou a pagar rodadas e a dar dinheiro a quem precisava. A casa não foi construída. Viria a cair enquanto a cantora atuava pelos quatro cantos do mundo. Foram precisos muitos mais concertos para que Cesária viesse a ter a sua sonhada casa, onde gostava de estar, descalça e rodeada de amigos e até desconhecidos, logo convidados para se sentarem à mesa e comerem cachupa.

Cesária Évora tinha já 50 anos quando se tornou uma estrela internacional. O documentário de Ana Sofia Fonseca conta-nos um bocadinho da história desta mulher que era livre antes de a liberdade ser uma condição das mulheres, sobretudo das mulheres negras, pobres e nascidas em Cabo Verde. Mostra-nos a sua voz mas também o seu grande coração, a sua teimosia mas também o seu humor, o seu sorriso inconfundível mas também a sua tristeza (e a depressão). Fruto de um minucioso trabalho de pesquisa, o filme tem imagens e sons inéditos e testemunhos de quem a conheceu melhor, tudo isto embalado em mornas e coladeras naquela voz que transpirava Cabo Verde com laivos de whisky e melancolia e cigarros e generosidade. 

É capaz de não haver muitas sessões, por isso corram para ver "Cesária Évora".

publicado às 17:35

Para ler

Os livros da Jessi Klein, que descobri já não me lembro por recomendação de quem nas redes sociais. A Jessi Klein é uma atriz, stand-up comedian e argumentista norte-americana que escreveu dois livros com pequenos textos onde fala disto de ser mulher, de chegar à meia-idade e de ser mãe, com grande realismo e algum humor. Intitulam-se You'll Grow Out of It (2016)e I'll Show Myself Out: Essays on Midlife and Motherhood (2022) e têm lá muito daquilo em que nós, as mulheres, pensamos, dos cabelos brancos à busca pelo amor. 

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Para ver

Duas sugestões muito diferentes (entre as milhares de coisas que tenho visto no streaming):

Heartstopper (Netflix), uma série sobre adolescentes, que é também uma série sobre pessoas LGBT. Podia ser só mais uma série sobre miúdos num liceu, mas é tão fofinha que conseguiu emocionar uma cota quarentona

Olive Kitteridge (HBO): a partir do livro de Elizabeth Strout, esta minissérie protagonizada por Frances McDormand, Richard Jenkins e Bill Murray acompanha o casamento entre uma rígida professora de matemática e um farmacêutico gentil numa terra perdida em New England, EUA, ao longo de uma vida, por entre obrigações, sonhos e desilusões, filhos que crescem e o lento envelhecimento, com a doença e a morte à espreita. E no meio disto tudo o que é o amor e onde fica a felicidade? E como é que vamos mudando e nos vamos adaptando a todas as mudanças da vida?

Para ouvir

A playlist de outono do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, é ainda melhor do que a playlist que ele tinha feito para o verão. São quatro horas de puro deleite (e melancolia q.b.). Por aqui está em repeat.

publicado às 19:36


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