Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



16
Jul14

A meio da vida

"Uma pessoa chega aos 40 anos e compreende que, estatisticamente, está no meio da vida, e isso tem um valor simbólico muito forte", dizia-me o Gonçalo Cadilhe no outro dia, numa conversa num terraço com vista sobre Lisboa a propósito do seu novo livro (podem ler mais aqui: cadilhe.pdf). Ele, que é um viajante e amante do surf, decidiu aproveitar o "meio da vida" para realizar a sua viagem de sonho e passou um ano a surfar em algumas das melhores ondas do mundo, enquanto tratava de pensar nas coisas boas e más da sua vida.

Daqui a três meses, eu também vou fazer 40 anos. E neste deitar contas à vida, que é inevitável, o que está a ser mais estranho não é tanto olhar para trás e ver aquilo que fiz ou que deixei por fazer, pois vivo bem com o meu passado, nem sequer é sentir-me a envelhecer, ver os cabelos brancos e as peles caídas, pois que também não me faz muita confusão essa parte, o que está a ser mais difícil é mesmo esta sensação de que se por um lado a vida vai a meio, por outro é como se estivesse agora a começar. Ou a começar de novo. Isso é algo com que não contava. Achei que ia chegar aos 40 com uma vida perfeitamente estabilizada e com muito mais certezas sobre o caminho a percorrer. E, afinal, a única certeza que tenho é que não podemos dar nada como adquirido e temos que estar sempre prontos para as mudanças. E, afinal, não consigo planear as próximas férias de natal, quanto mais fazer planos para quando for velhinha. E, afinal, não há um só caminho pela frente, mas vários, e ainda há muitas decisões por tomar e muitas possibilidades por acontecer.
E isso é inesperado mas não tem que ser necessariamente mau. Vamos a meio. Ainda não é o fim.

publicado às 21:51


7 comentários

Sem imagem de perfil

jmf 17.07.2014

a vida passou os últimos anos a colocar-me sinais de sentido proibido, estrada fechada, beco sem saída e por aí fora. muitas vezes, de forma inesperada, quando eu conduzia descontraídamente e seguro de que o caminho era mesmo aquele... um pouco traiçoeira, a vida. mas, por estranho que pareça (e isso foi-me surpreendendo), fui gostando cada vez mais da vida. mais: fui tirando cada vez mais da vida. vivendo cada momento com mais intensidade, vivendo em vez de planear, tendo felicidade nas coisas pequenas (the name rings a bell...) e por aí fora. fui-me convencendo de que temos várias vidas, tantas quanto a nossa capacidade de viver. pouco interessa se nos reinventamos, se regressamos aos lugares onde fomos felizes... não há regra. até ver, tenho como certo que só temos um "game over" na vida e esse só acende quando já cá não estamos para ver.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor