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Há uns tempos contei aqui como tinha sido a minha iniciação no maravilhoso mundo das plataformas de encontros online. Não fiquei muito convencida na altura, como devem lembrar-se. Mas, uns meses mais tarde, umas amigas falaram-me de uma outra aplicação, o Happn, e eu decidi dar-lhe uma hipótese. Assim como assim, não é como se estivessem a acontecer coisas muito interessantes na minha vida, não é?

O Happn funciona mais ou menos como o Tinder só que em vez de definirmos um raio de acção (por exemplo, 40 ou 100 quilómetros), basta ter o GPS ligado e a aplicação vai nos mostrando os happners com que nos vamos cruzando e diz-nos exactamente em que rua é que o encontro aconteceu.

Vantagem: ao contrário do Tinder em que temos sempre que tomar uma decisão em relação à pessoa que nos é sugerida (ou sim ou sopas), no Happn as sugestões vão surgindo num feed vertical, e é possível ver os perfis sugeridos e avançar sem ter que tomar qualquer decisão, se não sabemos bem o que lhe fazer simplesmente deixamos aquela pessoa lá quietinha para avaliar o perfil mais tarde.

Desvantagem: se uma pessoa circula sempre pela mesma zona (tipo eu, que vou de casa para o trabalho a pé), a aplicação acaba por se tornar muito intrusiva pois damos por nós a cruzar-nos com os vizinhos, os colegas do trabalho, os pais dos amigos dos miúdos, o senhor da farmácia. Pode ser desconfortável. E, além disso, imaginem o que é ter uma conversa na aplicação que corre mal e depois termos de encontrar esse tipo todos os dias no nosso bairro. Não seria muito agradável. Por isso, tinha sempre a aplicação desligada e tinha que me lembrar de a ligar quando ia a algum sítio diferente ou mais movimentado e depois tinha que me lembrar de desligá-la. Não estava a gostar muito da experiência. 

Decidi, então, tirar a minha foto de perfil e colocar uma foto não identificável. Não foi uma decisão fácil de tomar. Eu sou grande apologista do what you see is what you get e acho mesmo que se uma pessoa está numa aplicação destas é para assumir a coisa, não é para andar a esconder-se. Não há nada aqui que me envergonhe. Mas, sinceramente, não estava a resultar. A partir do momento em que coloquei outra foto começou uma nova fase desta aventura e consegui conversar com algumas pessoas sem preocupações e escolher a quem é que queria mostrar o meu belo rosto.

Claro que os outros constrangimentos todos se mantiveram - sobretudo porque não tenho muito tempo e tenho ainda menos paciência para aturar pessoas que não me interessam. Mas posso dizer que fiz alguns avanços. E até - imaginem - conheci efectivamente alguns homens. 

Três regras minhas:

Conversar muito. Eu gosto de conversar. Eu gosto de pessoas que saibam conversar. E gosto de quem tem conversas diferentes. Não temos que contar a nossa vidinha toda nem o nosso passado todo. Podemos falar de política, de filmes, do mundo, de relações, sei lá. Sabe-se tanto sobre uma pessoa quando se conversa. Pela maneira como fala (ou, no caso, como escreve). Por aquilo que diz. Pelo sentido de humor que revela. Eu converso muito. E quando os homens não querem conversar ou não são bons conversadores, quando em vez de conversar começam a pressionar para marcar encontros eu pura simplesmente dou-lhes um adeuzinho. Se vou dar-me ao trabalho de sair de casa para me encontrar com alguém tenho que ter alguma esperança que aquela pessoa vale a pena - isto é, que, pelo menos, o encontro vai ser agradável. 

Marcar encontros sempre de dia e garantir que vão ser curtos. O ideal é ir tomar um café e ter outro compromisso qualquer a seguir. Nada de jantares (imaginem que corre mal, é horrível ter que partilhar uma refeição inteira com alguém com quem não se está à vontade), nada de álcool (que altera um bocado a percepção das coisas). Se a coisa correr bem, nada nos impede de marcar outro encontro. Se a coisa correr mal, acaba rapidamente e nunca mais falamos.

Não ter expectativas. Isto é muito importante. Como já tinha dito no outro post, conhecer uma pessoa online nunca é o mesmo do que conhecê-la ao vivo, temos de estar preparados para que tudo corra mal. Para não haver química. Para ele cheirar mal da boca. Para se revelar uma pessoa absolutamente irritante. E depois temos de estar preparados para até simpatizar com aquela pessoa mas não querer continuar a vê-la porque vai-se a ver e não é assim tão especial que mereça o esforço (já disse que não tenho muito tempo?). E mesmo que as coisas corram muito bem e haja outros encontros a seguir temos de estar preparados para aproveitar muito bem todos os bons momentos mas não começar a fazer grandes filmes na nossa cabeça - porque, sejamos sinceros, encontrar a paixão numa plataforma destas é tão difícil quanto encontrar a paixão na vida real. Ou seja, pode acontecer mas é muito pouco provável.

E funcionou?

Bom, não encontrei o homem da minha vida. Mas conheci boas pessoas. Não muitas porque, como já devem ter reparado, eu, além de não ter muito tempo, também sou uma gaja armada em esquisita. Mas conheci algumas boas pessoas. Fizeram-me companhia. Estive menos sozinha. Fiz novos amigos.  De verdade. E fui (sou) mais feliz por ter conhecido estas pessoas.

Isso significa que me tornei fã das plataformas de encontro online?

Nem por isso. Continuo a achar que não tenho muito jeito para isto e que a maneira antiga é a melhor maneira de conhecer pessoas. Simplesmente, quando já se é crescido e se tem o mesmo emprego há muito tempo e um grupo de amigos de longa data, e ainda por cima se tem filhos, não é assim tão fácil conhecer pessoas. Não é mesmo. E as aplicações são uma forma fácil de conhecer pessoas novas. E de conhecer pessoas diferentes, fora do nosso meio, pessoas com quem de outra forma nunca nos iríamos encontrar. Essa é, para mim, a maior vantagem destas aplicações. 

O que me acontece é que depois de uma ou duas semanas online, começo a fartar-me daquilo. Sabem com quantas pessoas é que se tem de falar para, finalmente, encontrar uma que prenda a nossa atenção? Deixo de ter paciência para as tais conversinhas da treta, olá, como estás, o que fazes... Falta-me a paciência para começar mais uma conversa que, quase posso adivinhar, não me vai levar a lado nenhum. Nessa altura, suspendo a conta e vou-me embora. Tal e qual como fiz antes. Guardo um ou outro contacto de alguém com quem me interessa continuar a falar, volto para a minha vidinha e fico afastada por muito tempo (por exemplo, neste momento estou fora).

Até me dar um novo ataque de solidão num sábado à noite no sofá. 

É que se há coisa que eu descobri nesta aventura é que eu sinto-me sozinha mas não estou sozinha neste sentimento. Existe muita solidão por aí. Também existem muitos parvalhões, homens casados à procura de aventuras, tipos que querem ir para a cama com qualquer mulher, seja ela quem for, gajos que não sabem bem o que querem, gente que não interessa ao menino Jesus quanto mais interessar-me a mim. Mas acima de tudo existe muita solidão. 

publicado às 12:28


2 comentários

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Anónimo 29.04.2019

Então e o do "Este post é sobre ti"?
Fiquei feliz com o que parecia estar a deixar-te feliz...

Essas aplicações para mim não dão mas conheço pessoas que se deram muito bem. Na verdade, é quase como tudo na vida. Não somos todos iguais nem há uma receita para todos.
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Ana Maria Ramos 02.05.2019

Subscrevo a 100%, sem tirar nem pôr.
Beijinhos

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