Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



22
Jan18

Actores

26731661_10155677068877702_2095157277088499291_n.j

Tudo começa com o casting. O mesmo texto dito por actores diferentes, com emoções diferentes, transforma-se num outro texto. Esse é um dos (super) poderes dos actores. Mas há mais. O de viverem vidas que não são a sua. E mortes também. E de nos mostrarem sentimentos que de outra forma desconheceríamos. O de improvisar. O de fazer o mesmo, todas as noites, sempre igual e sempre diferente. O de rir quando é para rir. E de chorar quando é para chorar. O de mudar de personagem como quem muda de camisa, de manhã, à tarde e à noite, uma pessoa diferente a cada hora, com um outro passado, uma maneira de andar, uma voz, uma intenção. Os actores são atletas emocionais, diz-se a certa altura. E, tal como os outros atletas, têm de treinar uma e outra vez, para se apresentarem em forma no momento da competição. Dando a ilusão que é fácil numa ginástica de que, tantas vezes, nos esquecemos (se eles forem bons, diria, se eles forem mesmo bons, não nos mostram o seu verdadeiro eu, não nos deixam perceber o que por ali vai, as dores que sentem no corpo e na alma, as suas dores tão bem escondidas que às vezes até eles próprios as esquecem).

Os actores têm ainda mais um poder que eu - pessoa que só obrigada se coloca perante uma audiência e, ainda assim, com suores frios, dores de barriga e voz tremida - admiro imenso, que é essa capacidade de darem o corpo às balas, de se exporem perante o público, seja uma sala esgotada ou uma plateia vazia, sem medo do ridículo, sabendo que estarão permanentemente a ser julgados. E ainda bem que o fazem porque só assim podem tocar os que estão sentados no escuro, mesmo à sua frente.

É de tudo isto que fala Actores, o espectáculo absolutamente fantástico que Marco Martins criou (e encena e realiza e interpreta) com os actores Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Rita Cabaço, Luísa Cruz e Carolina Amaral.

Não é para termos pena deles. É para os admirarmos (ainda mais). 

Um espectáculo com tudo no sítio - os excertos escolhidos dos espectáculos em que estes actores participaram, os enquadramentos da câmara, os momentos de riso e os momentos mais sérios, a voz do encenador que interrompe (mesmo) quando acha que é necessário repetir, as histórias que são ou não verdadeiras e tanto faz, as interpretações dos actores que fazem de actores. E, quando achávamos que já nada nos poderia surpreender, aquele final. 

Esta música. E nós, deleitados, a vê-los.

"Everybody's gotta live
And everybody's gunna die
Everybody's gotta live
I think you know the reason why"

Love, Everybody's Gotta Live

publicado às 21:21


1 comentário

Sem imagem de perfil

Anónimo 12.02.2018

Vamos com umas expetativas, talvez por causa dos intervenientes que já conhecemos, mas saímos de lá ainda mais maravilhados com aquilo que eles são e que conseguem fazer. À grande Rita Cabaço que tem uma energia inesgotável, à Carolina Amaral com aquela voz cristalina, com aquelas lágrimas no rosto, e aos outros que já eram grandes, mas que agora se tornaram intocáveis para mim, Nuno, Miguel e Bruno,o meu respeito!

Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor