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28
Mai20

Asfixia

Em Minneapolis, no Minnesota, EUA, George Floyd, um homem de 46 anos, foi morto por um polícia. Parece que usou uma nota falsa para pagar uma compra numa loja, não mais de 20 dólares. Parece que resistiu à detenção policial. Podia até ser um perigoso criminoso, o que aparentemente não era. Nada disso justificaria o que aconteceu a seguir. George Floyd, um homem negro (porque há circunstâncias em que esta informação é relevante) foi morto por um polícia branco, com a cumplicidade de mais três polícias brancos. Estava desarmado, deitado no chão, no meio da rua, impossibilitado de se mexer por um polícia que lhe agarrava os braços e que com o joelho pressionava o seu pescoço. As imagens, captadas por telemóveis pelos transeuntes, mostram-no em desespero. A dizer que não podia respirar, a implorar para não o matarem. "I can't breathe", repete. As pessoas que passam na rua protestam também. Mas os polícias, esses, mantêm-se impávidos e serenos. O vídeo, que vi ontem, quase em lágrimas, é impressionante. Há um homem que morre ali mesmo à nossa frente (a versão oficial é de que George Floyd só morreu no hospital), no meio da rua, sufocado por um polícia-carniceiro, perante a impotência dos cidadãos (de nós todos).

É tão assustador. 

E revoltante.

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#icantbreathe

E mais uma reflexão:

Tenho sempre muitas dúvidas sobre a divulgação deste tipo de vídeos, tento evitá-los e só os vejo quando, por motivos profissionais, tenho mesmo de fazê-lo (foi o caso). E, no entanto, se não fossem estes vídeos nunca saberíamos como esta e outras mortes (e torturas e maus tratos e outros casos) tinham de facto acontecido. E isso também é assustador. 

Se quiserem saber mais, leiam  ESTE TEXTO da New Yorker, que vos dará uma visão mais abrangente sobre o caso e levanta algumas questões muito pertinentes.

publicado às 15:07


2 comentários

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Jovem 29.05.2020

Obrigada pelo texto e pela sugestão do New Yorker. É uma realidade que temos todos de enfrentar e tentar mudar. Como? Não sei, mas tudo nestas imagens é doloroso: as forças de segurança que existem para nos proteger, fazerem exatamente o contrário; um homem que perante testemunhas, vídeos e a noção de que o corpo debaixo dele estava inerte, não demonstra em momento nenhum motivação para arredar pé; colegas complacentes; cidadãos impotentes, como descreves. As coisas não são fáceis para as forças de segurança, mas ali foi só um momento de desumanidade.
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simplesmente avô 29.05.2020

É tudo isto, no mínimo, muito triste.

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