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Para uma descrente, como eu, ir à missa é sempre uma incógnita. Há dias em que tudo aquilo me parece absurdo e sem sentido e pergunto-me mil vezes o que faço ali todas as semanas. Há dias em que me emociono com uma palavra ou com algum cântigo ou apenas com as vozes em uníssono e com aquela sensação de que se estivermos juntos isto (isto, quero eu dizer, o mundo) há de fazer algum sentido. Há dias em que trago coisas para pensar. Outros não.

Hoje falou-se do perdão. Da importância de amar aqueles que nos fizeram mal. De termos paciência com os que nos importunam.

Eu achava-me uma pessoa capaz de perdoar. Eu era mesmo capaz de perdoar. Não tenho paciência para ficar chateada com quem me fez mal. Não tenho feitio para guardar rancores. Sinceramente. Prefiro mil vezes esquecer. E consigo fazê-lo sem esforço. Sejam coisas de nada ou ofensas graves. Não quero saber. Sou da turma dos abraços, como dizia o Cazuza. E dos sorrisos. Mas, percebi recentemente, se é fácil perdoar os que me magoam é muito mais difícil perdoar aqueles que fazem mal aos meus filhos. É difícil, tão difícil, muito difícil, quase impossível. Descobri-me mãe leoa. Fera que defende as crias até ao limite das suas forças. De forma algo irracional até. E em vez de perdoar sinto um ódio enorme. Isso não faz de mim lá muito boa pessoa.

E, daí, se pensarmos bem, se calhar nem todos merecem o nosso perdão.

publicado às 18:41


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