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Queria escrever sobre fúrias, porque tinha falhado a última sexta-feira no largo e achei que ainda vinha a tempo de destilar aqui um pouco das muitas fúrias que me têm acometido por estes dias. São tantas que a dificuldade seria escolher a qual me deveria dedicar. Mas, depois, na segunda-feira fui ver o concerto de Bonnie "Prince" Billy, no Teatro São Luiz. Preciso sempre de uma grande dose de boa vontade para sair de casa depois de um dia de trabalho, mas como o concerto foi logo às 20:00 (um grande bem-haja para quem teve esta ideia) lá me animei. E ainda bem que não sucumbi à preguiça, pois foi uma belo serão.

Sempre com um boné na cabeça, como que a esconder a careca, um boné que, diga-se, parece destoar do resto da indumentária indie-folk mas entretanto já se tornou uma imagem de marca sua, Bonnie falou pouco com a plateia (mas o suficiente para criticar o estado da política americana), entregando-se por completo à guitarra e às canções que trazia para cantar. Os músicos eram todos excelentes. Fui pesquisar para poder dizer os seus nomes: Eamn O’Leary (bouzouki), Jacob Duncan (flauta e saxofone) e Thomas Deakin (guitarra barítono, clarinete, corneta) e, juntando-se um pouco mais tarde, Nuala Kennedy (flauta e voz). Não conhecia todas as músicas mas isso não fez diferença nenhuma. Durante mais de uma hora e meia, esqueci todas as fúrias e estive completamente imersa naquela músicas que pareciam vindas de um outro tempo para nos fazer olhar com olhos-de-ver para o mundo que nos rodeia e para as coisas que realmente importam.
Numa entrevista publicada no Expresso no fim-de-semana anterior, ele tinha dito isso mesmo: "Penso que a forma como nos tratamos uns aos outros, mesmo em microinterações, é impossível registar o impacto disso, mas penso que é o mais importante. A música tem o seu valor, como tudo aquilo que valorizamos, respeitamos e que fazemos com uma certa intenção. Mas as as coisas que nos mantêm vivos e coexistem connosco é que permitirão à minha filha encontrar bolsas de felicidade no futuro."
Deixo aqui três canções das que ele cantou e de que gosto particularmente:
Lay and Love (a abertura do concerto)
From what I've seen, you're magnificent
You fight evil with all you do
Your every act is spectacular
It makes me lay here and love you
From what I hear, you are generous
You make sunshine and glory too
When you walk in things go luminous
It makes me lay here and love you
From what I know, you're terrified
You have mistrust running through you
Your smile is hiding something hurtful
It makes me lay here and love you
It makes me lay here and love you
I'm filled with violet and red and blue
I have a feeling from what I do
That you might lay there and love me too
*
The Water's Fine
*
Our home (a fechar o concerto)
Sobre as fúrias - ou sobre outra coisa qualquer - vale sempre a pena ler o que escrevem as minhas companheiras do largo: