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Existe em Dor e Glória, o novo filme de Pedro Almodóvar, a ideia bonita de que o universo encontra sempre um sentido para isto que nós andamos aqui a fazer e que as nossas acções e sentimentos, mais tarde ou mais cedo, hão de ser reconhecidos. Gosto desta ideia embora por vezes (muitas vezes) me custe acreditar nela. Também gostei muito do filme. Só podia. É um filme sobre o envelhecimento e sobre o modo como nos encontramos, a dado momento das nossas vidas, a olhar com olhos de ver para o passado e a querer perceber, afinal, o que nos trouxe até este momento em que estamos. É por isso, inevitavelmente, um filme sobre sonhos que nunca se concretizam. E outros que sim. Também é sobre a solidão. E sobre as mães e os filhos. Sobre o amor incondicional. E o outro amor.

Emocionei-me várias vezes ao longo do filme, com coisas pequenas, algumas palavras, algumas cenas. Nada de lágrimas arrebatadoras, apenas aquela emoção que nos faz mexer na cadeira e engolir em seco enquanto sentimos os olhos húmidos. Depois, quando vinha no carro para casa, umas breves lágrimas escorreram-me pela cara. Nem sei bem porquê. 

O Tarantino (de quem vi há exactamente uma semana, no mesmo cinema, Era uma vez em Hollywood) pode ser muito inteligente e saber muito de cinema e fazer filmes muito bem feitos e bonitos e cheios de referências e de ironia, mas não sabe nada sobre aquilo que nos mexe por dentro. Essa é que é essa.

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publicado às 16:54


3 comentários

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Anónimo 26.09.2019

A minha Dor e glória é um pouco de João e Maria. Vi-o pelo prisma do outro amor. A minha necessidade de mudar de posição na cadeira e de tentar não ficar engasgado, sem conseguir engolir, veio do reencontro dos dois amantes, da ternura e tranquilidade do momento, mas não só. É o depois da noite sem fim, da estrofe do Chico Buarque. “Pois você sumiu no mundo Sem me avisar E agora eu era um louco a perguntar O que é que a vida vai fazer de mim”... É aquela crença romântica de que o amor, mesmo depois de vinte anos, pode voltar a trazer o melhor de nós à tona, devolver-nos a energia e a vontade... de ser... do ser.
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Gata 27.09.2019

O amor traz sempre o melhor de nós à tona. Ou então não é amor, é outra coisa qualquer. ;)
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Luis Eme 27.09.2019

Sim.

Tarantino é mais para sorrir... (pelo excessivo faz de conta)

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