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Existe em Dor e Glória, o novo filme de Pedro Almodóvar, a ideia bonita de que o universo encontra sempre um sentido para isto que nós andamos aqui a fazer e que as nossas acções e sentimentos, mais tarde ou mais cedo, hão de ser reconhecidos. Gosto desta ideia embora por vezes (muitas vezes) me custe acreditar nela. Também gostei muito do filme. Só podia. É um filme sobre o envelhecimento e sobre o modo como nos encontramos, a dado momento das nossas vidas, a olhar com olhos de ver para o passado e a querer perceber, afinal, o que nos trouxe até este momento em que estamos. É por isso, inevitavelmente, um filme sobre sonhos que nunca se concretizam. E outros que sim. Também é sobre a solidão. E sobre as mães e os filhos. Sobre o amor incondicional. E o outro amor.

Emocionei-me várias vezes ao longo do filme, com coisas pequenas, algumas palavras, algumas cenas. Nada de lágrimas arrebatadoras, apenas aquela emoção que nos faz mexer na cadeira e engolir em seco enquanto sentimos os olhos húmidos. Depois, quando vinha no carro para casa, umas breves lágrimas escorreram-me pela cara. Nem sei bem porquê. 

O Tarantino (de quem vi há exactamente uma semana, no mesmo cinema, Era uma vez em Hollywood) pode ser muito inteligente e saber muito de cinema e fazer filmes muito bem feitos e bonitos e cheios de referências e de ironia, mas não sabe nada sobre aquilo que nos mexe por dentro. Essa é que é essa.

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publicado às 16:54


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