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O último livro de Valter Hugo Mãe, Contra Mim, é uma pequena delícia. Nele, o autor, à beira de completar 50 anos, conta as histórias da família - dos avós e dos pais, dos irmão, dos tios e dos primos, uns retornados de Angola, outra emigrados para França - e recorda a sua infância, primeiro em Paços de Ferreira e depois em Caxinas. Quem cresceu nos anos 70 e 80 vai, inevitavelmente, rever-se em muitos dos ambientes e das conversas. As reguadas na escola, a aventura que eram as viagens a Lisboa, o fascínio pelas novelas brasileiras e os programa de Jô Soares, a excitação dos primeiros namoricos. O pequeno Valter magrinho e frágil, acometido por várias doenças e muita timidez, imagina o que será isso do sexo, sonha com o dia em que vai casar e ter filhos, brinca com os amigos e, pelo meio, descobre que o seu super poder são as palavras. Tudo contado com muita ternura. Mesmo quando fala da avó paterna que teve 21 filhos e que no meio de tantos netos nem sabia o seu nome ou do pai que desapareceu por uns tempos, deixando-os a tomar conta do café e a passar o natal em tristeza, e depois voltou como se nada fosse. Este é tanto um livro sobre a infância como sobre o crescimento: sobre o que fica e o que se perde nesse processo; sobre o que recordamos, o que esquecemos e o que inventamos, também.  

Eu acho que o livro precisava ali de uma edição, de alguém que lhe limpasse as palavras em excesso e algumas ideias repetidas, mas gostei de o ler assim mesmo. Foi bom reconciliar-me com o Valter Hugo Mãe de O Filho de Mil Homens e A Máquina de Fazer Espanhóis, pois não tinha gostado muito do último livro que tinha lido dele (de tal forma que já nem me lembro qual foi). 

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publicado às 12:52



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