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Dia 13, quarta-feira, 25 de março
Ficar em casa, trabalhar na sala, abraçar amigos à distância.
Quando isto tudo começa a ser normal... é porque algo está mesmo errado.

Dia 14, quinta-feira, 26 de março
Não temos febre nem tosse nem nada. Hoje acordei toda entupida mas acho que era o meu nariz a lembrar-me que tenho de limpar e aspirar a casa toda outra vez.
Para celebrar o facto de aparentemente não estarmos doentes lanchei uma pratada de Nestum mel.
Felizmente não temos balança.

Dia 15, sexta-feira, 27 de março
É sexta-feira.
Último dia de aulas antes da páscoa.
Não estão felizes?

Dia 16, sábado, 28 de março
Ah, sábado, aquele dia fixe em que temos toda uma pilha de roupa para passar e toda uma casa para limpar. E dois adolescentes, tresloucados por estarem há duas semanas fechados (e também por terem o cérebro empapado em Fortnite e FIFA e mais não sei o quê), a discutirem por tudo e por nada e a dizerem "eu já aspirei a sala, agora é ele a aspirar o quarto". Gritou-se muito por aqui hoje. E foram ditas palavras menos bonitas. Estamos todos realmente a perder a sanidade. Tentei melhorar a coisa com um lanche de panquecas e um jantar de arroz de pato e eles comeram tudo com alegria mas a malta só acalmou um bocadinho a ver a última Missão Impossível (a qualidade cinematográfica nesta casa está ao mesmo nível da nossa paciência).
Infelizmente esta quarentena não se autodestruirá dentro cinco segundos. Mas que está cada dia mais difícil, lá isso está.

Dia 17, domingo, 29 de março
A hora mudou.
Fizemos um almoço-brunch com ovos mexidos e cenas.
Acabei de ver The Crown.
Passei quase duas horas a estudar história com o Pedro - do fim da monarquia à ditadura militar. Ele tem tantos trabalhos atrasados, das duas últimas semanas, que acho que vamos passar as férias nisto, a fazer uma coisa por dia.
Os putos foram jogar à bola no terraço.
Fui fazer o meu passeio higiénico.
Hoje ninguém gritou com ninguém.
Eu e o Pedro estamos a ver Zootropolis e, guess what, a coelha protagonista mora nos "apartamentos pangolim", isso mesmo, aquele animal que ninguém sabia o que era.
Quase que podia ser um domingo como outro qualquer.

Dia 18, segunda-feira, 30 de março
À meia noite estávamos pregados à televisão a ver a final do Euro 2016, torcendo por Portugal e gritando feitos loucos com o golo do Éder. Os vizinhos não devem ter gostado mas paciência. Estávamos mesmo a precisar destas gargalhadas.
Depois disto o dia só podia correr bem.
Com frio e chuva ninguém saiu de casa.
O Pedro fez um trabalho de educação visual (isto vai devagarinho, mas vai).
Eu trabalhei.
A internet pifou umas quantas vezes (também vos está a acontecer?).
E para mantermos o nível cinematográfico lá em baixo, onde ele deve estar, hoje estamos a ver um Godzilla qualquer.
Já estivemos melhor mas também já estivemos pior.

Já estivemos melhor mas também já estivemos pior, esta é a frase a reter. Continuamos nesta montanha-russa de emoções, os três juntos, um dia a desesperar, noutro a acreditar que vai ficar tudo bem, como diz a música de Cristóvam:

publicado às 11:10



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