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A editora Minotauro está a reeditar a obra de Maria Judite de Carvalho (1921-1998) e eu, que sabia muito pouco sobre esta autora, fiquei curiosa e decidi levar o Tanta gente, Mariana para ler na praia. Não me arrependi. Ali estão as mulheres de um outro tempo - confinadas à casa, subjugadas a uma moral machista e a um poder masculino, tantas vezes imersas numa solidão que não ousavam confessar, frustradas nos seus desejos. De um outro tempo, disse eu? Felizmente, sim. Mas, ao mesmo tempo, reconhecemo-nos (a nós, às nossas mães, às nossas avós) ainda tanto nelas. Congratulei-me por todas as conquistas que entretanto fizemos mas não pude deixar de me entristecer ao perceber que ainda somos tantas vezes mulheres caladas, escondidas, envergonhadas. 

Por estes dias li também Florinhas de Soror Nada, de Luísa Costa Gomes, que de uma maneira completamente diferente acaba por nos falar do mesmo - do modo como a religião e a educação se têm ocupado a incutir na mulher uma vergonha do corpo e do prazer.

É por isso que todos deveriam ler Querida Ijeawele - Como educar para o feminismo, de Chimamanda Ngozi Adichie. Trata-se de uma carta escrita pela autora nigeriana para uma amiga grávida com conselhos para a educação da rapariga que aí vem. Não traz nenhuma novidade para quem já anda a pensar nestes assuntos, mas tem a vantagem de sistematizar aquilo que andamos a dizer e de servir como um reforço do que já eram as minhas convicções.

Não foi de propósito que escolhi estes livros para ler nas férias mas não deixa de ser sintomático que se tenham juntado todos na minha mala de viagem. 

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publicado às 13:22


1 comentário

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De Bea a 18.09.2018 às 12:17

Também ando a querer ler Judite de Carvalho de que conheço alguns poemas. E ofereci duas vezes esse livro de Luisa Costa Gomes. Mas li apenas metade:).

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