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A Gata Christie



Segunda-feira, 01.10.18

Este post é sobre ti

“Vais escrever sobre mim?”, perguntaste pouco depois de nos conhecermos, quando descobriste o blogue. Expliquei-te que nunca escrevo sobre determinados assuntos, pelo menos não abertamente. Os meus aires e desaires amorosos ficam reservados ao grupo de amigos que não sabe da minha vida por aqui.

“Um dia vais escrever sobre mim, vais ver”, disseste, confiante, como tu és. Como quem diz: um dia vou ser tão importante para ti que não vais ter como não o fazer. Ri-me. “Duvido", respondi. E cá dentro pensava: não vai acontecer.

*

O nosso encontro foi como um filme. Soubemos logo que nos íamos apaixonar perdidamente, ao mesmo tempo que soubemos que seria uma paixão complicada. Arriscámos vivê-la, ainda assim. Cada dia, uma vitória. 

*

Se eu achasse que todas as coisas acontecem por um motivo diria que nos encontrámos porque precisávamos de voltar a acreditar.

Tu precisavas de voltar a acreditar nas pessoas. Acreditar que nem todos são traidores, prontos a apunhalar-te pelas costas. Que há pessoas que apenas querem viver e sorrir e ser felizes com os outros. Que há pessoas que podem ser portos-de-abrigo. 

Eu precisava de voltar a acreditar que, algures, por aí, ainda há pessoas que me fazem perder o chão. Já começava a duvidar. A última vez que me tinha sentido assim já tinha sido há tanto tempo. É bom saber que ainda tenho essa capacidade. (E é tão bom perder o controlo da situação, de vez em quando.)

*

A paixão torna-nos vulneráveis. A primeira vez que me fizeste chorar odiei-me por ter permitido que te tornasses assim tão importante.

Mas será possível ser de outra forma?

É melhor sentir e sofrer do que não sentir nada.

*

Este post foi sobre ti. E este ("eu sou o do beijos, não sou?", adivinhaste). E este também. E ainda este. E mais este. E finalmente este.

E então? Porque há de ser tudo velado? Porque não hei de escrever mesmo sobre ti? Medo do quê? Vergonha de quê? Quero lá saber o que as pessoas vão pensar.

Tinhas razão.

Este post é sobre ti, Pedro.

Para que nunca nos esqueçamos que nos encontrámos. Que foi muito bom. Que foi importante. Aconteça o que acontecer. Isto já ninguém nos tira.

E também para poder pôr aqui esta música, que é tão bonita:

Pulp, Something changed

"Life could have been different but then Something changed"

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 23:59


5 comentários

De Anónimo a 02.10.2018 às 09:38

(Eu vou lendo este blogue há vários anos e gosto muito).
Quando li este post, o meu pensamento foi: que bom!
E é isto.

De Anónimo a 02.10.2018 às 11:52

Que maravilha!

De Carla Silva Cardoso a 02.10.2018 às 18:31

E fiquei feliz só porque sim. Gostei de ler.

De Anónimo a 05.10.2018 às 22:39

O pá que bom! Seja feliz e continue por aqui a escrever

De Anónimo a 06.10.2018 às 12:10

Que bom!!!!!

PS: Comprei agora um livro de "Baby blues", depois de me ter despertado a curiosidade aqui no blog. Como é que eu não conhecia esta pérola de BD... e até os miúdos (10 e 12 anos) descobriram o livro e não o largam! Agora rimo-nos em conjunto, mas claro que vemos as piadas por prismas diferentes, o que é bom na mesma :-)

Manuela

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