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Li críticas muito más a Lamento de uma América em Ruínas (Hillbilly Elegy no original), filme de Ron Howard que se estreou há pouco na Netflix. Houve até quem dissesse que era um dos piores filmes do ano, o que me parece um daqueles exageros típicos dos críticos. Não será uma obra prima, mas não o achei assim tão mau. 
 
No centro do filme está uma família onde tudo o que pode correr mal corre mal (pobreza, violência, gravidezes indesejadas, namorados que não prestam, vícios, desemprego...) e onde até é difícil encontrar aquele amor incondicional entre mãe e filho que geralmente serve de redenção na ficção. Achei um bocado a descair para o melodrama familiar mas, tirando isso, eu gosto deste tom realista e gostei das interpretações da Glenn Close (irreconhecível) e da Amy Adams, apesar de serem claramente a puxar ao Óscar.

Entretanto, já depois de ver o filme, fui descobrindo, ao ler as críticas, que me tinham escapado algumas subtilezas.
 
Desde logo por causa do título: hillbily é um termo pejorativo usado para as pessoas que moram nas regiões rurais e montanhosas dos Estados Unidos - em particular na Appalachia. Portanto, para mim, o filme retratava uma situação de pobreza extrema, que existe na América profunda mas não só. Para mim era uma localização abstracta. Mas os americanos vêem o filme como um retrato muito específico de uma determinada região ou de um certo grupo de pessoas - e não hesitaram em apontar-lhe erros.
 
Depois, porque o filme se baseia no romance autobiográfico de JD Vance, que foi um bestseller em 2018 e que foi visto por muitos como uma espécie de "guia para entender os apoiantes de Trump". Ora, apesar de esse ser o contexto da história, a crise económica, o desemprego, aquele sentimento de abandono que as populações rurais sentem, tudo isso não está de facto muito presente no filme. Está tudo explicado no The Guardian.
 
Portanto, provavelmente, o segredo para gostar é ver o filme antes de ler as críticas, como eu fiz, que nem sequer sabia o que aquilo era, apareceu-me ali, gostei da apresentação e decidi experimentar.
 
Isto nos filmes, como na vida, corre sempre melhor se não se tiver grandes expectativas. 
 

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publicado às 15:48



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