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A Gata Christie



Domingo, 04.02.18

O Gato

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Os miúdos andavam há anos a pedir um animal. Um cão, era a sua primeira opção. Mas quando lhes explicava que não tínhamos condições para ter um cão faziam como a Amélia e pediam um gato, um hamster, um coelho, um piriquito, um peixe, uma tartaruga, o que fosse. Um animal. Eu sempre reticente. A vida já era tão complicada como era, íamos agora complicá-la ainda mais? Mas depois conhecemos este gatinho adorável. Um gato de rua, habituado a saltitar por entre quintais numa aldeia no Alentejo e a lutar pela sua sobrevivência. A lutar mesmo. Era ainda bebé quando, numa escaramuça com outros gatos, perdeu um olho. A minha madrinha levou-o ao médico, tratou dele e acolheu-o enquanto procurava alguém que o quisesse adoptar. Quando os miúdos o conheceram, em outubro, ficaram logo apaixonados. Mais o António do que o Pedro (o Pedro adora animais mas, já se percebeu, é mais uma "dog person", a sua maneira de interagir com os bichos tem mais a ver com corre, lança, brinca do que com colinhos e miminhos). Fizeram-me a cabeça em água e eu sempre a dizer que não. Até que um dia, o António, com aquele jeititinho dele, disse que já sabia o que queria de prenda de anos. Não havia como continuar a resistir, pois não?

Fomos buscá-lo há uma semana. Chamámos-lhe Bandido, em homenagem ao gato da avó, que os miúdos adoravam e que morreu há uns anos. O Bandido era grande companheiro do António quando ele era bebé. A primeira palavra que ele disse não foi mãe nem pai, foi "babo" (gato). Ainda tentei que lhe chamassem David Bowie mas não sei porquê os miúdos não acharam graça. Também seria giro que se chamasse Gato, só Gato, numa homenagem à Gata original, 20 anos depois. Mas não. Ficou Bandido, nome de gato só com um olho mas super mimoso. Lá temos que passar a vida a aspirar e a mudar areias e a acender velas para afugentar os maus cheiros. Lá temos que ter mais a preocupação de ter comida de gato em casa e gastar ainda mais dinheiro e levá-lo ao veterinário e provavelmente até levá-lo de férias connosco. Não, não havia necessidade nenhuma disto, há que reconhecer. Mas até agora tem sido uma alegria.

E no meio de todas as preocupações e stresses e discussões e testes e tudo e tudo, quando tudo parece perdido e só nos apetece ficar debaixo das mantas até que o inverno acabe, e mesmo assim olhamos para a frente e não vislumbramos um raio de sol em lado nenhum, o facto de o Bandido ter entrado na nossa vida, enredando-se nas nossas pernas a ronronar de felicidade, não só nos salvou este catastrófico início de ano como nos recordou aquilo de que tantas vezes nos esquecemos: tudo está bem quando temos um prato de comida e um colo quentinho.

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por Gata às 08:42


1 comentário

De Anónimo a 06.02.2018 às 15:32

Adorei este seu post. Mais do que adorar, fiquei até comovida. boa sorte para o novo membro da familia.

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