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Já estou tão confinada que pouco vai mudar na minha vida com este confinamento. Não tenho estado com amigos, não vou a cafés nem esplanadas, não vou a restaurantes, nem sequer tenho ido ao cinema ou a qualquer outra actividade cultural, e compras só faço mesmo as essenciais. A mim não me viram nas filas para entrar nos shoppings nem antes do natal nem agora nos saldos. Portanto, privilegiada me assumo, irei continuar com a minha vidinha mais ou menos como tem sido. E irei sair de casa apenas quando tal for necessário. O que pode ser para comprar pão ou para fazer uma caminhada higiénica.

Cada vez tenho menos certezas sobre as regras dos confinamentos, o que deve estar aberto e o que deve estar fechado. Olho para a lista de serviços abertos e fechados e tenho dificuldade em perceber algumas coisas, é verdade. Percebo perfeitamente que as pessoas cujas actividades são afectadas por estas restrições se insurjam, que protestem, que estejam desesperadas. Economicamente a situação está cada vez mais complicada. Está a ser horrível para muitas pessoas e não vai melhorar tão cedo. Não sei qual será a solução. E também não sei se o Governo tem feito tudo o que podia ser feito ou se podia fazer melhor.

No entanto, se há algo que me parece absolutamente sensato neste momento é que quem possa fique em casa. Só isso. Se temos a possibilidade de trabalhar em casa, pois façamos isso mesmo, porque há quem não o possa fazer. E mesmo sabendo que o que é essencial para mim não é essencial para outros, era importante que cada um de nós fizesse esse exercício de autoanálise e restringisse os seus contactos ao que considera essencial.

Sou a primeira pessoa a dizer que preciso muito dos outros e que tenho muito medo do que este isolamento está a fazer à nossa saúde mental - por isso temos de encontrar soluções para nos mantermos em contacto e temos de nos ajudar uns aos outros, olhando pelos que estão mais sozinhos ou pelos que são mais frágeis. É horrível não podermos fazer muitas das coisas que nos divertem e que normalmente nos ajudam a levar a vida com alegria? É. É muito horrível. Mas neste momento, até mais do que em março, não há outra maneira de controlar esta pandemia, portanto é isso que temos de fazer. E não, lamento, por muito que eu adore ir ao teatro, essa não é uma actividade essencial. Assim como ir comer a um restaurante não é essencial. Ou ir comprar sofás novos. São coisas que podem esperar um mês. Acho que esse é um bom princípio. Se cada um nós fizer essa pergunta - tenho de ir já ou pode esperar um mês? - talvez isto corra bem.

Ou menos mal, vá.

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publicado às 11:02


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