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Parece que os Óscares são já amanhã e isto este ano não está fácil: dos oito filmes nomeados na categoria de Melhor Filme vi apenas quatro.

Dos que vi:

- Os Sete de Chicago: é um bom filme e talvez Aaron Sorkin tenha uma hipótese na categoria de Argumento Original, no entanto, para mim, não seria filme para "o" Óscar (mas temos sempre que nos lembrar que filmes como O Caso Spotlight e O Discurso do Rei foram considerados os melhores do ano, portanto, nunca se sabe).

- The Sound of Metal: gostei bastante deste filme de que se tem falado tão pouco. É a história de um músico, baterista de heavy metal, que fica surdo quase de um dia para o outro, de como ele lida com a situação e de como isso muda a sua vida. O actor Riz Ahmed, que eu honestamente não conhecia, está óptimo. Não me parece que vá ganhar mas é um filme que merece a nossa atenção.

- O Pai: já conhecia a história - o Teatro Aberto apresentou esta peça há uns anos, com João Perry no papel principal - mas nem por isso me senti menos angustiada. Vemos o filme e é inevitável não nos revermos (estamos ou iremos quase todos passar por situações semelhantes). Envelhecer é uma merda, não tenhamos dúvidas. E Florian Zeller é brilhante no modo como nos dá o ponto de vista daquele homem cada vez mais afectado pelo Alzheimer (é o primeiro filme que realiza e conseguiu logo uma nomeação), belissimamente interpretado por Anthony Hopkins, sem exageros nem maneirismos, só o olhar cada vez mais baço, a confusão e o vazio a instalarem-se nos gestos e nas palavras.

- Nomadland, Sobreviver na América: foi o único que vi numa sala de cinema e penso que isso fez toda a diferença. É a história de uma mulher que perde tudo e decide viver como uma nómada, fazendo de uma carrinha a sua casa e perseguindo empregos sazonais pelos vários cantos dos Estados Unidos. Frances McDormand aguenta o filme todo. Retrato (por vezes quase documental) do falhanço da sociedade capitalista e materialista em que vivemos, é um filme tão triste quanto belo e que me fez chorar e chorar e chorar. Talvez só a natureza nos salve. Mas eu ainda acredito que o amor e a amizade são bóias de salvação que convém ter sempre à mão. 

Não vi:

- Judas and the Black Messiah

- Minari (mas já vi o trailer e estou muito curiosa, tem tudo para eu gostar)

- Uma Miúda Com Potencial

- Mank (está na Netflix há que tempos e está na minha lista "a ver" mas, vá-se lá entender, não me entusiasmou o suficiente... se, como alguns dizem, o David Fincher ganhar o Óscar de Melhor Realizador, prometo dar-lhe uma hipótese).

Para compensar este descalabro na categoria de Melhor Filme, tentei ver outros filmes que estão nomeados noutas categorias:

Já falei aqui de Pieces of a Woman que, com todos os defeitos, não é um mau filme.

Também falei de Lamento de uma América em Ruínas, de que não desgostei, apesar de ter tido péssimas críticas. Talvez valha um Óscar a Glenn Close, já não era sem tempo.

Aborreci-me de morte a ver Ma Rainey: a Mãe dos Blues. Parece que a Viola Davis é uma das favoritas ao Óscar de Melhor Atriz e que Chadwick Boseman também é capaz de ganhar, mas eu não gostei nada. Passou-me completamente ao lado.

Outro que me aborreceu foi Uma Noite em Miami. Homens a conversar. Apesar do tema do racismo me interessar, este filme não me prendeu. 

Resta-me dizer que estou decidida a ir muitas vezes ao cinema. Estou farta de ver filmes no computador e depois deste ano pandémico tenho ainda mais a certeza de que não há nada que se compare à experiência de ver um filme num grande ecrã, numa sala escura, com um bom sistema de som, e de nos deixarmos mergulhar numa história, sem distracções.

nomadland-critica-echo-boomer-1.jpg

Frances McDormand em Nomadland, o meu preferido

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publicado às 20:21


2 comentários

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concha maria 26.04.2021

Frances McDormand é a atriz de quem eu não perco nada, atualmente ( há uns meses vi outro excelente filme com ela na HBO) e por coincidência (ou não) é casada com um dos irmãos Cohen, os meus realizadores preferidos.
Tenho imensa saudade de ir ao cinema. No computador não vejo, ligo-o à TV e assim me tenho "safado". Mas a experiência de ver um filme num ecrã de cinema é muito melhor! Tenho muitas saudades!!!
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simplesmente... 26.04.2021

Bela exposição.
Obrigado.
Abraço

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