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21
Jul19

Privilégios

O vídeo aparece de vez em quando partilhado nas redes sociais. A primeira vez que o vi (há uns dois anos?) doeu-me a alma mas ainda estava na fase do não querer acreditar que isto ia ser mesmo assim. Da última vez que o vi (na semana passada) já não consegui evitar emocionar-me. A "corrida do privilégio" começa com todos os jovens alinhados mas, antes de ser dada a partida, o juiz faz algumas perguntas a que cada um deve responder. Se a resposta for positiva, dão dois passos em frente. Se a resposta for negativa, ficam no mesmo lugar. São perguntas sobre privilégios (do tipo: se estudaram em escolas privadas, se estão sempre seguros sobre a próxima refeição, etc.). No final, há uns que estão mais à frente, outros que ficaram lá para trás. E esta corrida - que é a vida - ainda nem começou. Há um grupo de jovens que ainda nem teve que fazer nada e já está em vantagem. É isso o privilégio. Isto já seria coisa para mexer com o meu coração de esquerda mas o que me doeu mais foi que as perguntas começam assim:

Dêem dois passos em frente se...

1) os vossos pais ainda são casados

2) cresceram com uma figura paterna em casa

Portanto, à segunda pergunta os meus filhos já ficaram bem para trás.

(momento para engolir em seco e ter aquele sentimento de culpa)

(seguido de momento para acordar para a vida e dizer culpa de quê? quem tem de sentir culpa não és tu, tu estás aqui todos os dias)

(seguido de momento para arregaçar as mangas e continuar em frente)

Cá em casa corremos atrás do prejuízo. Permanentemente. Já há uns tempos que tenho plena consciência disso. Não é fácil. As coisas nem sempre são como eu gostaria. Às vezes temos assim uns tropeções e uns trambolhões. Mas damos o nosso melhor. E não desistimos nunca.

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publicado às 22:11


4 comentários

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De imsilva a 21.07.2019 às 23:23

Há figuras masculinas que é preferível não existirem, há casais que passam os exemplos mais nocivos que existem, e há mães (ou pais) que sozinhos mexem o mundo para fazerem grandes seres humanos. Adorei o vídeo.
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De Agridoce a 22.07.2019 às 13:34

É brutal... É assustador... Dá bem que pensar... Mas também é profundamente injusto para mães como tu!

Eu cresci com uma figura paterna. Era a única que havia. Podia dar dois passos em frente nessa pergunta. Mas estaria mesmo em vantagem em relação aos teus filhos, por exemplo?...

Não tirando qualquer mérito ao vídeo, que o tem, todo, a verdade é que generalizações são isso mesmo. E são perigosas. Que nunca ninguém diga aos teus filhos que são menos do que os outros porque não têm os pais casados ou não cresceram com uma figura paterna. Porque não são!
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De Raquel a 23.07.2019 às 12:09

O vídeo é muito bom, mas acho que as perguntas não são aquelas: o grau de escolaridade dos progenitores conta muito mais para a vantagem ou desvantagem dos filhos do que o tipo de família em que vivem. Assim como a zona da cidade em que vivem - porque isso está ligado com a escola em que andam, e isso faz toda a diferença, ou se fazem atividades (desporto, música, etc) ou não depois das aulas. Ter o pai em casa conta, na realidade, muito pouco - e no vídeo acho que essa pergunta só serve para mascarar a verdadeira questão: “se és branco, avança, se não és, estás tramado...”
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De Flávio Gonçalves a 28.07.2019 às 14:13

Assim se desmonta a treta da "meritocracia" que ouvimos de tantos liberais um pouco em todos os partidos políticos cá do burgo. Uma negação absoluta das realidades da vida e uma autojustificação da elite para dormir melhor à noite.

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