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A Gata Christie


Segunda-feira, 10.09.18

Das coisas que importam

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Estamos cá todos. Os putos crescem. Há sorrisos e partilhas e desafios e abraços e colos (e algumas birras também) e tudo o que faz uma família ser a nossa casa. 

Ontem o pai fez 72 anos. Hoje voltamos à nossa rotina. A felicidade também é isto.

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por Gata às 13:00

Terça-feira, 04.09.18

Amor de verão

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O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

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por Gata às 23:36

Sábado, 21.04.18

"Somos apenas turistas nesta vida mas a vista não é má"

A frase é de David Byrne e foi retirada da entrevista que o músico deu ao jornal Público. É uma grande frase. Lembra-nos que devemos aproveitar o bom da vida enquanto por cá andamos.

Foi também a ler esse artigo que descobri o projeto Reasons to Be Cheerful, que é uma espécie de "a felicidade nas coisas pequenas" mas em grande, com uma colecção de coisas que correm bem no mundo e pequenos motivos para estarmos felizes mesmo quando olhamos à volta e parece que o mundo endoideceu e que isto não tem solução. Podem ser notícias relacionadas com a cultura mas também com educação, ambiente, ciência, saúde, energia, cidadania, urbanismo. E há por lá coisas muito inspiradoras. Que nos fazem pensar como também nós podemos fazer deste um mundo melhor, mesmo que seja só aqui no nosso bairro. Lá porque não podemos intervir nas coisas grandes, não devemos desistir de fazer o melhor possível naquilo que está ao nosso alcance.

Aqui está ele a explicar tudo:

 

Dei uma passagem por alto pelas músicas novas de David Byrne, do disco American Utopia, e ainda não fiquei convencida. Mas talvez precise de mais tempo:

 

 

(Já agora, uma curiosidade: foi completamente uma coincidência o facto de ontem estar em casa de manhã a ouvir Talking Heads. Ainda nem sequer tinha lido a entrevista. E não deixa de ser engraçado.)

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por Gata às 09:30

Domingo, 15.04.18

A felicidade nas coisas pequenas (XXXV)

Foi uma semana cheia de imprevistos, desilusões, coisas más, desmotivação geral, chuva e hormonas aos saltos. Mas também foi uma semana com:

A Marta Gautier a explicar a diferença entre "alfas" e "betas" no espetáculo Pessoas Estranhas.

Almoçar sozinha (entretida com as conversas das outras mesas) a comida bem boa de A Luz Ideal.

As vidas banais da série Easy, no Netflix.

Fazer biscoitos. Molhá-los no leite morno.

Jantar em casa de amigos. Beber vinho. Trocar confidências. Gargalhar.

Cometer loucuras, porque é bom.

O jogo que importa foi ganho pelos nossos miúdos.

Os abraços deles (mesmo quando são umas pestes). 

Um fim-de-semana inteiro quase offline. Neste momento, desligar é a palavra de ordem cá em casa.

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Quando te sentires a perder o pé, flutua. Recupera o fôlego. E continua.

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por Gata às 22:38

Domingo, 25.02.18

Mergulhar

Foi trabalho mas foi também uma enorme alegria. Na semana passada, aproveitando aqueles dias de pausa escolar do carnaval, consegui dar uma escapadela até Aljezur para ver o trabalho que a Madalena e o Giacomo estão a fazer por lá. Foi tudo perfeito. As conversas, as comidas, as pessoas. Até aquelas horas passadas a conduzir, sozinha, enquanto o sol baixava sobre o mar, para lá e depois para cá. O texto, publicado ontem no jornal, deixa muito por dizer e sobretudo receio que não consiga transmitir toda a paixão da equipa do Lavrar o Mar, um projeto de programação de artes performativas, fora da época alta e num trabalho de proximidade e interligação com a comunidade. Repito-me e não me importo. Esta é mesmo uma coisa bonita que merece muito ser partilhada.

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A foto é de Rui Minderico/ Global Imagens.

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por Gata às 10:27

Domingo, 11.02.18

A felicidade nas coisas pequenas (XXXIV)

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Quando, no sábado à noite, eles tiraram a roupa, caiu um montão de areia dos bolsos das calças.

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por Gata às 22:31

Segunda-feira, 01.01.18

2017 a modos que assim

Tenho dificuldade em fazer um balanço de 2017. Foi um ano tépido. Sem muito que se lhe diga. Sem viagens inesquecíveis. Sem paixões arrebatadoras. Sem mudanças drásticas nas nossas vidas. Foi um ano de altos e baixos, como todos, cheio de momentos bons e de momentos maus e de momentos que são apenas a vidinha a arrastar-nos para a frente. Repito-me, eu sei, mas é a verdade. Valha-nos a felicidade nas coisas pequenas. O sorriso dos putos cada vez mais crescidos. O cheiro de um bolo no forno. O colo das minhas pessoas. Olhar o mar. A alegria de voltar a casa, no Alentejo. Os livros, os filmes, as músicas e toda a arte que nos enriquece. Os amigos, até mesmo aqueles que quase não vejo mas que estão sempre presentes. O amor que pomos nos pequenos gestos. O ano termina e fico feliz com a certeza de que estou a fazer o melhor que posso, o que acho mais correcto, aquilo em que acredito - na minha vida pessoal, profissional, social. E estas são as únicas armas que tenho para enfrentar este 2018 que ainda agora chegou e já tem tudo para correr mal.

"Absolute Beginners", David Bowie

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por Gata às 12:30

Sexta-feira, 20.10.17

A minha bolha

Ando a ler A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, do Agualusa. Tão bom.

Fiz marmelada.

Apesar de algumas atribulações iniciais com a lã, que me obrigaram a começar tudo de novo, estou finalmente a trabalhar num novo projecto de tricot.

Os miúdos já começaram a pensar nas prendas de natal, o Pedro está entusiasmado com a festa das bruxas e o António, imagine-se, até já anda a fazer planos para o aniversário que é só em fevereiro.

Hoje a minha a mãe, também conhecida como avó Mariana, faz 70 anos.

Já perdi uma hora a ver fotografias antigas à procura de uma foto nossa. Adoro fotografias antigas.

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Outubro é o mês-casa, aquele mês em que olhamos para trás e olhamos para nós. 

(Os trabalhos de casa, a correria dos dias, as discussões permanentes, os corruptos que se abotoam com milhões à nossa conta, o jornalismo moribundo, o país queimado, as mortes horríveis, a politiquice da treta, a falência da Europa, as guerras por esse mundo fora. Não é fácil, mas se pararmos um pouco e olharmos com atenção, lá está ela, a felicidade nas coisas pequenas. Aquela que nos permite respirar e resistir. Não é alheamento, é sobrevivência.)

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por Gata às 09:19

Domingo, 04.06.17

A felicidade nas coisas pequenas (XXXIII)

Um bolo de chocolate com cobertura de chocolate, pedido especial do Pedro para apagar as velas.

A alegria do Pedro a brincar no terraço com os amigos que vieram jantar.

O sorriso do António quando marca um golo.

O abraço que o Pedro me deu depois de eu passar quase três horas a enroscar cenas para montar a bateria nova.

Mãe, não te preocupes que eu tomo conta do mano.

Os miúdos encontraram uma caixa de preservativos numa gaveta (I know, I know). A conversa que se seguiu, cheia de perguntas e explicações várias. A brincadeira que se seguiu com um preservativo transformado em balão de água.

Passar duas horas a entrevistar/conversar com uma pessoa mesmo fixe.

Cozinhar amêijoas para o almoço.

Fazer um montão de brigadeiros para a festa da escola.

As lágrimas nos olhos quando vejo os miúdos no palco (nem precisam ser os meus).

Nem acredito que este ano lectivo está quase a terminar.

Há sempre coisas boas a acontecer por entre as trapalhadas, problemas, dúvidas e stresses vários da nossa vida. 

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por Gata às 15:31

Sexta-feira, 28.04.17

Endorfinas

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As nossas pessoas. Dar abraços. Comer (e cozinhar). Rir. Dançar. A felicidade nas coisas pequenas está confirmada pela ciência. A ilustração é da Madalena Matoso e está no Cá Dentro, um livro para todas as idades.

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por Gata às 10:27



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