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Isto este ano atrasou tudo e ainda por cima não vou ter tantas férias e a vida não está fácil por vários motivos e parece que vem aí uma quarta vaga mas, bom, estamos em julho e finalmente acho que sinto aquele espírito do verão a entrar em mim.

A parte melhor do verão: dias longos, putos de férias, horários flexíveis, tentar que as coisas corram sem grandes stresses e que, mesmo que se tenha de trabalhar, consigamos estar com as pessoas de quem gostamos. Mais tempo com pessoas e menos tempo nas redes sociais. Todo o tempo que passarmos longe dos ecrãs é tempo ganho.

Ando a fazer o nosso calendário de julho e agosto - somos três, com idades e necessidades muito diferentes, queremos estar juntos mas também queremos (e precisamos) estar afastados uns dos outros, sobretudo depois deste ano e meio de confinamento - e, apesar dos grandes desafios logísticos (já estamos habituados), a palavra de ordem é esta: aproveitar todo o tempo possível para descansar e desligar.

Não temos maneira de ir para ilhas paradisíacas mas haveremos de arranjar maneira de ser felizes à mesma.

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publicado às 10:26

Então e a felicidade nas coisas pequenas? Não eras tu que conseguias sempre encontrar a felicidade em sítios escondidos? Era. Mas ultimamente não tem sido fácil. 

Felizmente hoje recebi isto no correio. O que eu gosto destas miúdas.

Neighbourhood, música nova de Minta & The Brook Trout

publicado às 14:08

Para uma história do teatro

No Dia Mundial do Teatro, o André e. Teodósio deu uma conferência sobre a história do teatro experimental em Portugal, desde os anos 40 até ao presente. Para além da enorme pesquisa, é impressionante ver toda a reflexão que ele fez para conseguir esquematizar e sintetizar influências, linhas de trabalho, objectivos, problemas, projectos e desafios de tanta gente. Além disso, dá para sentir toda a paixão do André pelo teatro e pelo teatro experimental. A conferência continua disponível no Facebook do Teatro do Bairro Alto. Aproveitem.

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(a foto é de O Misantropo, o primeiro espetáculo da Cornucópia, 1973)

Casas para as pessoas

Também no Dia Mundial do Teatro, o São Luiz propôs uma programação online para "Estar em Casa" que, entre muitas outras coisas, incluiu uma intervenção da designer e antropóloga brasileira Zoy Anastassakis que falou sobre a sua relação com a obra do seu pai, o arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis. Oportunidade para pensarmos no direito à habitação e na arquitectura para as pessoas, em vez de ser só uma arte da monumentalidade e do exibicionismo de formas e de egos. Aqui está:

Duas séries para ver em streaming

Não tenho visto muita coisa e ainda nem comecei a ver os filmes dos Óscares (desta semana não passa, está decidido) mas, neste último mês, vi na HBO duas séries muito diferentes e de que gostei bastante.

It's a Sin coloca-nos em Londres, nos anos 80, a acompanhar um grupo de jovens na descoberta da sua sexualidade (para quase todos homossexualidade) e, depois, no confronto com a sida. Oscila, por isso, entre a alegria queer desenfreada e a tristeza mais profunda. É também uma história do preconceito e da ignorância - e de como o medo do desconhecido pode ser tão desumanizador. 

Normal People leva-nos para a Irlanda e também nos põe a acompanhar um grupo de jovens, primeiro no liceu e depois na faculdade, e, de entre eles, os amores e desamores de Marianne e Connell. São duas pessoas bastante problemáticas. Ele com muita dificuldade em expressar o que sente e em dizer o que quer. Ela com traumas familiares que influenciam muito a ideia que tem si mesma e o que julga ser o seu lugar no mundo. Ambos com uma imensa dificuldade em ser quem realmente são, em assumir-se perante os outros. Algo que só conseguirão ultrapassar juntos. O amor nem sempre é um caminho fácil e nem sempre tem um happy end, mas nem por isso deixa de ser amor, não é?

Escusado será dizer que me fartei de chorar a ver estas duas séries. 

E já agora prestem atenção às bandas sonoras, as duas magníficas, cada uma no seu género.

Música para fugir das breaking news

Uma das coisas de que tenho mais saudades é de ouvir música enquanto trabalho. Era algo que eu fazia e que, agora, no meu trabalho novo, porque tenho que estar sempre atenta à televisão, não é possível. O ritmo das breaking news pode ser muito intenso e, às vezes, é mesmo preciso parar e desligar. Nas minhas pausas, nestes últimos dias, tenho tido a companhia de Bach interpretado pelo pianista islandês Víkingur Ólafsson:

(e dizer, mais uma vez, que sou muito agradecida a todas as pessoas que me mostram músicas novas, livros novos, mundos novos e que me ajudam a cuidar do meu jardim. assim vai valendo a pena.)

publicado às 16:13

 

Music for Lovers, de Nina Simone

(mas experimentem ouvir o disco todo, Baltimore)

publicado às 19:47

Não é que não tenha coisas para dizer, é só que não tenho tido muito tempo.

Valha-nos a música. Hoje é esta. Visualizar arco-íris e desafinar bastante enquanto me dedico a panar bifes de frango para o jantar dos miúdos. 

Fiona Apple interpreta The Wole of the Moon

publicado às 20:03

A liberdade é uma luta constante é o título do livro da Angela Davis que ando a ler agora. São entrevistas e pequenos ensaios sobre o feminismo, a democracia, as desigualdades e como combatê-las. Nada de muito profundo, mas bom para nos lembrarmos do muito que ainda nos falta lutar. Às vezes, estamos tão entretidos nas nossas vidinhas que nos esquecemos.

Nem de propósito:

Esta semana tive o privilégio de conversar com uma pessoa muito bonita: a Teresa Coutinho, que é uma mulher corajosa e talentosa.

E, no fim-de-semana, por entre a limpeza da casa (desta vez, incluiu janelas e frigorífico), duas pilhas de roupa para passar (ainda não acabei) e uma incursão ao supermercado, consegui ver o documentário Women, de Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova, que passou na RTP2 (foi na quinta-feira, ainda o apanham na box), com testemunhos de mulheres do mundo inteiro sobre o que é isto de ser mulher. Muito bonito às vezes, muito triste noutras.

E, para além disto tudo, deu para estar com algumas das minhas amigas. Sim, sim, temos que aprender a estar sozinhos e blá blá blá mas nada se compara à felicidade de estar com aqueles de quem gostamos.

E rir.

Rir da vida para que a vida não se fique a rir de nós. 

publicado às 16:46

Ao 100º dia os miúdos foram passar o fim-de-semana com o pai. E eu adoro-os do fundo do meu coração mas estava mesmo a precisar disto. De não pensar neles, de não me preocupar com a escola, de não ter que fazer o jantar, de não ouvir as parvoíces que eles dizem o dia inteiro enquanto jogam playstation, estava a precisar de não pensar em absolutamente nada. E assim foi. Nestas 34 horas fui só eu. Uma amiga ao jantar de sábado, outra amiga ao almoço de domingo, muita conversa para pôr em dia, uma peça de teatro pelo meio e uma casa em silêncio. Vai acabar não tarda (e também é por isso, por ser assim só por um bocadinho, que é tão bom, como é óbvio).

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By Heart, outra vez. E aquela sensação de voltar a casa. Como escrevi há pouco mais de um ano: "A vida vai torta por estes lados, de maneiras várias e com grande dificuldade em endireitar-se. Mas. Sair de uma sala de espectáculos feliz continua a ser uma das melhores coisas do mundo."

publicado às 19:12

20
Mar20

Primavera

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"Do remember they can't cancel spring", 
uma mensagem de David Hockney para estes dias estranhos.

publicado às 10:37

O Pedro viu o anúncio na televisão e pediu: podemos ir, mãe? Eu nem tinha sugerido nada porque já tínhamos visto os Stomp há seis anos (já seis anos? o tempo passa depressa), mas a verdade é que ele era ainda pequeno e por isso tinha memórias um pouco difusas. Além disso, uma pessoa não se cansa de ver os Stomp, não é? Eu já os vi três vezes e continuo a adorar. Então, em vez de estudar a fotossíntese, como planeado, deixámos um jogador de futebol lesionado em casa a estudar (ou a jogar playstation, nunca o saberemos) e lá fomos os dois. 

Sorrimos durante uma hora e quarenta minutos. Que alegria. Que alegria a dele. Que alegria a minha, com o espectáculo mas também por vê-lo assim feliz.

Ao longo do espectáculo, apercebi-me de outra coisa: os intérpretes, além de extraordinários e também eles felizes por estarem ali, são um grupo diverso, composto por gente de todas as cores, homens e mulheres, altos e baixos, gordos e magros, com muitas tatuagens e penteados divertidos. É bom ver a diversidade no palco. A mensagem que isto transmite aos miúdos é que qualquer um deles poderá um dia também estar no palco (ou onde quiser estar). Não é preciso corresponder a um esteoreótipo qualquer para fazer algo belo e ouvir aplausos. Podemos dizê-lo muitas vezes mas nada como vê-lo para que a lição fique bem sabida.

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Os Stomp estão no Teatro Tivoli, em Lisboa, até 29 de março. Se ainda não os viram, aproveitem que é mesmo fixe.

publicado às 16:40

No outro dia fomos ao cinema ver o 1917. Eu e os meus dois filhos.

É engraçado. Para o António ir ao cinema não é sequer uma hipótese de programa com os amigos. Os amigos servem para jogar à bola ou playstation ou para ficarem horas a fio na conversa, a dizer parvoíces e a deambular por aí. Ir ao cinema? Eles estão habituados a ver os filmes e as séries nos telemóveis (ou, na melhor das hipóteses, no computador), com phones nos ouvidos, sozinhos. É uma experiência completamente diferente da que eu tive, quando ir ao cinema ao sábado à noite era não só a única maneira de ver algum filme como era também a única coisa que havia para fazer com os meus amigos. Já para estes miúdos, ir ao cinema é um desperdício de tempo útil com os amigos (certamente porque ainda não descobriram as maravilhas do "escurinho do cinema") e um desperdício de dinheiro. Uma pessoa argumenta com a qualidade da imagem e do som mas não é fácil. Talvez tenham de crescer mais um pouco.

De maneiras que, por agora, parece que ir ao cinema é um programa com a mãe. Uma coisa de cota. Que seja. Não me parece mal se isto se tornar "a nossa coisa em conjunto". Apesar de cada vez ver mais filmes em casa (é inevitável) eu gosto muito de ir ao cinema. E mal posso esperar pelo momento em que poderei ir com eles ver todos os filmes. Neste momento estamos numa fase complicada. O António já poderia ver tudo mas o Pedro ainda só tem 11 anos -  ele é um valente e não protesta nem mesmo quando numa das nossas noites de cinema em casa vemos o Platoon e ele não percebe grande parte do que se passa. Mas, ainda assim, não convém exagerar. Gostou do 1917, não se queixou nem se aborreceu, mas pediu para da próxima vez irmos ver um filme "de acção". É justo.

Isto tudo é só um pretexto para dizer que o meu filho mais velho fez 16 anos. Ele não gosta de tirar fotografias e mesmo quando me deixa fotografá-lo não me deixa partilhar as fotos. E também não gosta muito que eu escreva sobre ele. Tenho que respeitar. Por isso só posso dizer-vos isto: o meu filho fez 16 anos e tem sido o maior desafio da minha vida. Em bom e em mau. Aliás, isto de ser mãe sozinha de dois rapazes tem sido uma aventura e pêras, uma daquelas coisas que só quem passa por elas é que pode entender. Um dia, quando isto tudo passar, talvez vos conte. 

Por agora fiquem a saber que fomos ao cinema os três ver um filme de adultos. Não foi a Velocidade Furiosa nem o Homem Aranha. Foi um filme de crescidos, escolhido por mim. E isso, parecendo tão pouco, deixa-me muito feliz. São assim, tontas, as mães.

publicado às 16:29


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